segunda-feira, agosto 15, 2022
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No Dia Internacional da Mulher, CORREIO traz um especial sobre as baianas: “Encanto e simpatia”

“Ser uma mulher baiana é ser ímpar, única. Ser uma mulher de encantos e simpatia”, diz Rejane Rangel

Por Alexandro Mota Do Correio24horas 

Ela é baiana. Só essa credencial pode delinear muitos dos traços dela. Aqui, nestas páginas, outros tantos traços, riscos, linhas e formas geométricas vão tentar dar mais pista de quem ela é. É  negra (conceito que reúne pretas e pardas) e tem até dois filhos, embora não viva com companheiro (ou companheira) algum. Está na faixa dos 30 anos.

Mora na cidade onde nasceu. Dedica 11 anos da sua vida aos estudos, recebe entre 1 e 2 salários mínimos e, cada vez mais, é a referência da família. Mas ela não é uma só. Ela não necessariamente está  nesse perfil, é múltipla, mas são essas características que mais se repetem entre as baianas, segundo dados do IBGE reunidos pelo CORREIO.

Única
Rejane Rangel, 35 anos, pode, definitivamente, se olhar no espelho e afirmar: “Sou baiana”. Mas, para ela, é difícil traduzir a baiana em números. “Ser uma mulher baiana é ser ímpar, única. Ser uma mulher de encantos e simpatia e que não esquece do nosso axé”, acredita ela, que trabalha como operadora de caixa em um restaurante. Em casa, na Fazenda Grande do Retiro, Rejane reserva para a filha Andressa Fonseca, de 14 anos, um olhar que compara os 20 anos que distancia suas gerações.

“Eu era muvuqueira, não parava quieta (na idade dela). Ela é muito tranquila. Eu saía de casa sozinha, ia resolver minhas coisas. Eu hoje tenho medo da violência e ela não tem toda essa liberdade”, compara. Mas pondera: “Ela vai ter mais oportunidades. Na minha época, faculdade era coisa pra rico”, conta Rejane, que espera a realização da filha em ser engenheira civil.

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Filhos
Andressa, inclusive, está na faixa etária do IBGE onde há mais baianas: 10 a 14 anos. Rejane queria ter outro filho, mas, sempre trabalhando, deixou o tempo correr e hoje acha que a idade joga contra. A mulher baiana, que na década de 70 tinha em média 7,2 filhos, chegou em 2013 com média de 1,79 filhos. A costureira Regina, 53, mãe de Rejane, teve três filhos, mas sempre trabalhou em casa.

Rejane, como muitas, tem buscado equilibrar a maternidade com a vida profissional. A busca da independência financeira não é um fator isolado. “Isso tem a ver com a urbanização da população, com uma cultura urbana em que parece menos conveniente ter um número maior de filhos em relação ao meio rural; a ampliação dos métodos contraceptivos, mas em paralelo a isso a vontade das mulheres em estarem ocupadas com atividades extradomiciliares”, explica Joilson Rodrigues, coordenador de disseminação da informação do IBGE na Bahia.

Segundo ele, os dados das pesquisas mais recentes revelam que as mulheres baianas têm a menor taxa de fecundidade do Norte-Nordeste: na região Norte, a média é de 2,22 filhos e 1,89 no Nordeste.

envelhecimento Com a redução da taxa de fecundidade, cai o número de jovens –  e a população envelhece. “Há uma redução significativa na participação de crianças de 0 a 14 anos na população”, detalha Joilson.

O gráfico abaixo mostra que, entre 2001 e 2013, houve queda na população feminina em todas as faixas de 0 a 24 anos, e aumento nas demais – com crescimento de mais de 50% nas faixas acima de 50 anos.

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Casamento
No amor, Rejane está feliz. Há 15 anos mantem uma relação estável com o rodoviário Anderson Fonseca, 37 anos. “Por mim, estaria casada, assinamos um documento de união estável, mas não teve festa. Eu quero casar, de vestido, já tenho todo o look”, brinca ela.

Casados ou não, Anderson diz que são elas que mandam, que Rejane que é a referência da família. “Até Suzy (a cadela da casa) manda em mim”, brinca ele, que ainda é a referência financeira. Mas Rejane, que ganha R$ 838 como operadora de caixa, aproveita todas as épocas festivas para ganhar uma renda extra com a confecção de doces e chocolates.

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