No ‘Dia Nacional do Samba’, os bambas convidam o povo a sair para a rua e sorrir

POR SARA PAIXÃO

 

Rio – Ai dos cariocas se não fosse o pandeiro, o ganzá e o tamborim! Jovelina Pérola Negra cantou e o compositor Guará escreveu em ‘Sorriso Aberto’ que o samba era o melhor jeito de nivelar a vida em alto-astral. É, hoje, Dia Nacional do Samba, a data oficial da volta por cima, desde a fatídica quinta-feira em que a onda de violência trancou cariocas em casa, e calou surdos e pandeiros. Na Central do Brasil e Leopoldina, acontecem os principais shows da programação prevista para durar até sábado, quando sairá o tradicional Trem do Samba rumo a Oswaldo Cruz e Madureira

“Vamos fazer o povo voltar para a rua. A fase do medo passou. O samba é a trilha sonora do Rio. Candeia, Cartola e Nelson Cavaquinho vão nos abençoar para termos uma festa em paz e fazer o sorriso do carioca voltar”, aposta Arlindo Cruz, que recebe a cantora Maria Rita, na Estação Leopoldina. Por lá, o batuque começa às 6h30, com apresentação da Bateria da União da Ilha e compositores dos sambas-enredos vencedores para o Carnaval de 2011.

O drama vivido pelos cariocas também sensibilizou Marquinhos de Oswaldo Cruz. O cantor compôs com Fred Camacho ‘Paz’, canção sobre o episódio ocorrido nos complexos da Penha e do Alemão. “É um reflexo do cotidiano. Que paz é essa com tanta miséria? Pedimos ao Pai Oxalá, Allah e Jeová para tombar uma paz que venha para ficar”, diz.

Marquinhos retomou há 15 anos o Samba do Trem, criado por Paulo da Portela na década de 20. Antes de fundar a Portela, era nos vagões do trem que saía da Central do Brasil, às 6h40, que ele promovia os ensaios do Conjunto Carnavalesco Escola de Samba de Oswaldo Cruz. Atualmente, o evento chega a levar 50 mil pessoas ao bairro.

“Deveria ser o Trem da memória do samba e da paz. É o único evento que atrai gente do morro, Zona Sul e subúrbio”, valoriza. Dessa vez, a festa acontece em dois dias. Hoje, Marquinhos, as Velhas Guardas da Portela e Império Serrano e Jongo da Serrinha fazem show na Central. E, sábado, depois dos shows de Nelson Sargento e Wilson Moreira, saem de lá as composições com vagões lotados de atrações rumo a Oswaldo Cruz.

Outra novidade da 15ª edição do evento é a inclusão da Feijoada da Portela na programação. Com portões abertos e prato de feijoada a R$ 10, a quadra da escola será o ponto de partida para um desfile pelas ruas de Madureira.

“Enquanto houver samba, a alegria continua, cantam Noca da Portela e Mauro Diniz. A cada da ano, o Trem atrai mais gente: os veteranos, os novos e os mais novos”, aponta Nelson Sargento, que previu que o ‘Samba agoniza, mas não Morre’.

“Mudaram toda sua estrutura. Lhe impuseram outra cultura, e ninguém percebeu. Assim como a cidade e o carioca, o samba dá a volta por cima, se renova”, completa o mestre.

ROTEIRO DO SAMBA

TREM DO SAMBA

Marquinhos de Oswaldo Cruz recebe Mauro Diniz, Serginho Procópio, Renatinho Partideiro, Jongo da Serrinha e as Velhas Guardas da Portela e Império Serrano. Hoje, às 19h, na Central do Brasil. Grátis. Sábado, a partir das 11h, Marquinhos volta à Central com Wilson Moreira, Nelson Sargento, Velhas Guardas de Portela, Império Serrano, Mangueira, Salgueiro e Vila Isabel e a Bateria do Mestre Faísca. Às 13h30, o primeiro trem sairá com Pagode do Renascença, Clube do Samba, Cacique de Ramos e Democráticos de Guadalupe. O trem das 14h, leva a Bateria do Mestre Faísca, Pagode do Sambola, Parados na Ponte e Bip Bip. O último trem parte às 14h30, com Senzala, Agenda Samba Choro, Criolice e Galeria Velha Guarda da Portela. Ingresso do trem 1kg de alimento não-perecível ou R$ 2,50.

OSWALDO CRUZ

Sábado, em Oswaldo Cruz, a festa acontece em três palcos a partir das 14h. No primeiro, ao lado da via férrea, Noca da Portela, Délcio Carvalho,Sombrinha e Pagode da Tia Doca. O segundo palco na Rua Átila da Silveira, Partideiros do Cacique, Almir Guineto, Toninho Gerais e Zé Luiz do Império. Na Praça Paulo da Portela, Ari do Cavaco, Velhas Guardas da Portela, Império Serrano, Salgueiro, Mangueira e Vila Isabel e Marquinhos de Oswaldo Cruz.

Rodas de samba pelas ruas Frei Bento com Rua Pinto de Campos (Bloco dos Cachaças), Travessa Blandina e Rua Vicenza (Grupo da Analimar), Rua Carolina Machado (Clube do Samba), entre outras.

Feijoada da Família Portelense. Rua Clara Nunes 81, Madureira (2489-6440). Grátis. Prato de Feijoada R$ 10.

ESTAÇÃO LEOPOLDINA

Hoje às, 6h30, Bateria da União da Ilha. Às 7h30, abertura da exposição de fotos e fantasias. Às 12h, feijoada (R$ 6) com Alcione. Às 13h, workshop sobre samba com Nei Lopes, Sergio Cabral e Haroldo Costa. Às 20h30, Bambas de Berço. Às 21h30, show de Arlindo Cruz e de Maria Rita. R$ 16 e R$ 8 com 1 kg de alimento não-perecível.

SAMBA & OUTRAS COISAS

As cantoras Dorina e Sanny Alves e o grupo DNA do Samba se apresentam no Teatro Sesi. Av. Graça Aranha 1, Centro (2563-4163). Hoje, às 19h. R$ 20. 18 anos.

CENTRO CULTURAL LIGHT

O grupo Anjos da Lua faz show do CD ‘Uma Noite Noel Rosa’ no Centro Cultural Light. Av. Marechal Floriano 168, Centro (2211-4515). Hoje, às 12h30. Grátis, com distribuição de senhas uma hora antes.

QUINTAL DO BOLA

A cantora Iracema Monteiro recebe Tia Surica e Wilson Moreira na sede do Bola Preta. Rua da relação 03, Centro (2222-7006). Hoje, às 19h. R$ 10.

SAMBA NA VEIA

Apresentações de música e dança, teatro, documentário e show da bateria da Vila Isabel no Sesc São Gonçalo. Av. Presidente Kennedy 755, (2712-3282). Sab, das 13h às 22h. Grátis. Livre.

VACA ATOLADA

O projeto Samba zÉ Samba faz roda com clássicos de Noel Rosa, Cartola e outros no Botequim Vaca Atolada. Av. Gomes Freire 533, Centro (2221-0515). Sab, às 16h. Grátis.

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