O Festival Alagoano das Palavras Pretas faz sua estréia em Piracicaba-São Paulo.

Por: Arísia Barros

 

Foi uma noite de celebração, a palavra virou poema que transbordou feito emoção no sorriso farto das diferentes gentes que responderam presentes no Teatro Abelardo Lopes/SESI- Galeria Arte Center. Av. Antonio Gouveia, 1113, Pajuçara.

Senhoras, casais, jovens, crianças, adolescentes, gente da terceira idade e com a alegria da infância fizeram eco a proposta de agregar palavras de diferentes concepções no III Festival Alagoano das Palavras Pretas: Palavras com Cor e Gênero, acontecido no 21 de março, Dia Internacional Pela Eliminação da Discriminação Racial.

Parece tempo passado, mas só vinte e poucos dias ficaram para traz.

A cantora Angélica Monteiro, servidora pública da Secretaria de Gestão Pública, abriu a noite cantarolando canções identitárias, dentre elas,O Canto das Três Raças.

Difícil não falar da mestra de cerimônia, a cantora lírica e poetisa Madalena de Oliveira, deu show de descontração e profissionalismo na apresentação dos nossos visitantes artistas.

Madalena Oliveira nos trouxe o canto lírico entremeado com o afro da poesia das escritoras Aydete Viana e Maria Puresa de Amorim.

Entre a música, o guerreiro da terceira idade do município de Viçosa e a entrega do Troféu Yalodê, que quer dizer mulher líder chegou a poesia tirando a máscara da timidez do público, meio ainda que reticente, e que nos brindou com o ecoar da palavra molhada de saliva e coração.

Mulheres valentes e vitoriosas receberam o Troféu Yalodê: Nilma Lino Gomes escolhida pelo presidente da República e o ministro da Educação para compor da Câmara de Educação Básica (CEB) do Conselho Nacional de Educação (CNE), professora da Faculdade de Educação de Minas Gerais ao tomar posse no Conselho Nacional disse a que veio.

É autora do PARECER CNE/CEB Nº:15/2010 que, corajosamente, acatou a denúncia,do técnico em gestão educacional Antônio Gomes da Costa Neto, de contextualização do racismo” na obra “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato , estabelecendo ações pertinentes e legais que atendem a legislação brasileira, dentre elas a Lei Federal nº10.639/03, sem, no entanto, eliminar do acervo literário infantil de nossas escolas autor da importância de Monteiro Lobato.

Outra agraciada foi a jornalista Juliana Cézar Nunes, repórter da Rádio Nacional (EBC), é hoje uma das principais jornalistas especializadas na cobertura da temática étnicorracial na Capital Federal. Recentemente viajou, a convite do governo norte-americano, para cobrir uma missão de ativistas vinculados ao Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial da SEPPIR (CONAPIR). Prêmio Vladimir Herzog de Jornalismo (2008) pelo webdocumentário Nação Palmares (Agência Brasil) e Prêmio Tim Lopes de Jornalismo (2006 e 2008) pelas séries Confissões de Família (Correio Braziliense) e Esperança na Amazônia (Rádio Nacional da Amazônia).

Misiara Cristina representou à SECAD/MEC na recepção ao Troféu Yalodê.

Como prata da casa de Zumbi, ou da República dos Palmares, tivemos as premiações da quilombola Laurinete Basílio dos Santos, da Comunidade de Remanescentes de Pau D’Arco –Arapiraca/AL e hoje presidente da Associação dos Quilombolas. Laurinete Basílio é atualmente uma das grandes referências das mulheres quilombolas de Alagoas, pela determinação e tenacidade em lutar pela qualidade de vida, dentre elas a educação, dos remanescentes quilombolas.

Silmara Mendes Costa Santos é ativista na construção de espaços, nos meios acadêmicos, para a inserção das temáticas das amplas maiorias minorizadas.

Mestra em Serviço Social, Docente e Coordenadora do Curso Social da Faculdade Integrada Tiradentes foi, e é, importante para a ruptura dos conceitos estigmatizados nos espaços acadêmicos.

Silmara Mendes criou espaços por excelência para o “intercâmbio”, questionamento e confronto da história “única” com a contemporaneidade acadêmica, como uma permanente formação continuada de humanização da política de ser pessoa e concretude de espaços para trabalhar as multiplicidades e diferenças como naturalização da igualdade.

Exerceu a direção do Presídio Santa Luzia e direção do Sistema Prisional de Alagoas e no ambiente das amplas maiorias minorizadas, Silmara Mendes pôs em prática o que sabe fazer de melhor: a competência de ser pessoa e respeitar as muitas diferentes gentes. O TROFÉU Yalodê ofertado à assistente social, Silmara Mendes representa a homenagem a essa mulher que, faz tempo, exerce uma grande liderança na construção de um mundo mais igualitário.

Durante a programação do Festival, a coordenadora executiva do Instituto Magna Mater, Patrícia Irazabal Mourão,como parceira do Projeto Raízes de Áfricas, recebeu o Troféu Guerreiro Quilombola.

O 21 de março nos trouxe gentes, palavras, poesias, emoções, premiações, algumas prendas,presenças ilustres como oSecretário de Estado da Educação, Rogério Teófilo, da Secretária da Fundação de Ação Cultural de Maceió, Paula Sarmento, de Kátia Born, Secretária da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos, Karina Padilha, Secretária de Cultura de Viçosa e do cantor Ignoban Rocha que espalhou a energia da dança com sua a voz que canta muitas histórias.

E depois da notícia guardada feito pão dormido a gente fica feliz em compartilhar que o Festival Alagoano das Palavras Pretas, com as bênçãos de Deus, Olurum e todos os orixás, entra em um novo ciclo: no mês de agosto faz sua estréia em Piracicaba-São Paulo.

O Festival das Palavras Pretas será uma das atrações do II Ciclo Nacional de Conversas Negras: Agosto Negro ou o Que a História Oficial Ainda Não Conta, idealizado pelo movimento social negro alagoano/Projeto Raízes de Áfricas e teve sua primeira edição em agosto de 2010, na capital maceioense.

Tendo como uma das principais agentes parceiras a Câmara de Vereadores de Piracicaba, o II Ciclo é um meio de avivar nossas memórias relativas à história de Áfricas plantadas nos quatro cantos do Brasil.

 

 

Fonte: CadaMinuto

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