O filho do Tite e a meritocracia à brasileira

Tite é o melhor técnico do Brasil e merece continuar, mas, à revelia de seu discurso, não dá bom exemplo ao manter o próprio filho na seleção, replicando o velho nepotismo do futebol

Por BREILLER PIRES, do El Pais 

Matheus Bachi e Tite, em entrevista coletiva na CBF. GETTY IMAGES

Adenor Bachi, o Tite, seguirá no comando da seleção. Merecidamente. Apesar dos erros de percurso e a eliminação nas quartas de final da Copa, trata-se do melhor técnico brasileiro da atualidade. Com tempo de trabalho, tem condições de brigar pelo título no próximo Mundial. Acumulou mais acertos que deslizes. Porém, um deles se choca frontalmente com o discurso em que ele se coloca como um exemplo de conduta ética. No país de conchavos familiares e currais eleitorais hereditários, é uma coincidência no mínimo infeliz que o filho do treinador da seleção seja o escolhido como braço direito na missão pelo hexacampeonato. Um retrato da meritocracia à brasileira, que não raro se confunde com apadrinhamentos e nepotismo.

Para desavisados, que só conhecem o técnico pelo apelido, a figura de Matheus Bachi na comissão técnica da seleção pode passar batida. Aos 29 anos, ele é um dos auxiliares de Tite desde 2015, quando o pai ainda treinava o Corinthians. Depois de estudar nos Estados Unidos, ganhou um estágio no Caxias, clube que projetou a carreira do genitor, fez observações pelo futebol europeu e, em pouco tempo, cavou uma vaga na comissão corintiana. Tite o levou à seleção, mas, para isso, a CBF precisou desacatar seu incipiente Código de Ética, que vetava a contratação de parentes de qualquer funcionário. Diante da saia justa, a confederação remendou o estatuto e abriu exceção para integrantes do departamento de futebol.

Tite é firme ao defender seus valores. Ressalta que pretende ganhar com jogo limpo e honestidade. Não recuou do discurso moralizador nem mesmo depois de assinar um manifesto contra a CBF e, em seis meses, aceitar proposta para o cargo de maior prestígio da entidade. Justificou-se dizendo que treinar a seleção era a melhor contribuição que poderia dar no processo de reestruturação do futebol brasileiro após vexames nos gramados e escândalos de corrupção nos bastidores. Sobre o filho, não deixa transparecer constrangimentos, recorre ao argumento do “homem de confiança” e se mostra orgulhoso de ver o herdeiro iniciar a carreira ao seu lado. “Ele sabe que, desde o início da vida, ele vai carregar o peso de ser o filho do Tite. Mas ele não é o filho do Tite. Ele é o Matheus. Ele merece estar no lugar onde está.”

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