O ‘Girl Power’ toma a internet

Bia Cardoso é responsável pelo site Blogueiras Feministas

Site “Blogueiras Feministas” reúne garotas para falar sobre política, sexualidade, saúde e trabalho, entre outros

Foi com hábitos do dia a dia que Bia Cardoso, mais conhecida na internet como Srta. Bia, se descobriu uma verdadeira feminista. De lá pra cá, conseguiu notar que sua luta já acontecia há muito tempo: “Durante toda minha vida me interessei por assuntos feministas, porque sempre lutei por minha independência. Também sempre levantei questões, como por exemplo, a divisão de tarefas domésticas igualmente entre irmãos e irmãs”, explica.

Hoje é ela a cabeça por trás do site “Blogueiras Feministas”, que discute questões importantes do universo feminino através de um olhar diferente. A ideia começou a germinar com seu próprio blog, criado em 2002, quando ela teve contato com diversas garotas feministas e finalmente se assumiu assim.

Depois disso foi a hora de criar um grupo de discussão em que, atualmente, quase 600 pessoas discutem direitos, deveres e o mundo em que vivemos. “Creio que o feminismo é plural, mas acreditamos que algumas questões como enfrentamento a violência contra a mulher, autonomia sobre o corpo e a luta por uma sociedade mais igualitária são questões fundamentais e que nos unem”, diz Bia.

As Blogueiras Feministas são hoje 54 garotas que participam ativamente de eventos como a Conferência Nacional de Políticas para Mulheres; falam com pessoas importantes como a polêmica ministra Iriny Lopes; e debatem assuntos como violência contra a mulher e diversidade sexual.

Um mouse na mão, uma ideia na cabeça

A internet vem sendo tomada, nos últimos tempos, por meninas que não aceitam mais ser rotuladas por suas escolhas, jeito de falar, se vestir ou por quantos cara ficaram na última balada. O ciberativismo relacionado ao feminismo cresceu em ritmo parecido e vem ganhando adeptas de todas as idades.

“Um dos nossos principais objetivos ao criar um blog com assuntos feministas é justamente

aproximar o feminismo das pessoas e mostrar as adolescentes que todos os dias há outra adolescente percebendo que a sociedade é injusta, que a responsabilidade pela família, idosos e doentes é em grande parte das mulheres, que muitos meninos não podem chorar ou demonstrar fragilidade, enquanto meninas não podem ser competitivas e agressivas”, comenta Srta. Bia.

Não precisa queimar o sutiã!

“Assumir-se feminista numa sociedade em que isso não é legal não é simples em qualquer idade, mas quero dizer a todas as adolescentes que são feministas não estão sozinhas. Há muitas mulheres que pensam como você”, incentiva a blogueira.

Lembre-se que expor suas ideias não é algo panfletário, não precisa ser agressivo e muito menos criar conflito. “Não precisa chegar brigando com todo mundo da família ou com os colegas de classe que expressam ações machistas, mas é bom pontuar certas questões. Então, um dia que estiver vendo televisão com os pais ou quando um livro estiver sendo discutido em sala de aula, vale lançar um olhar feminista sobre questões levantadas”, sugere.

 

Srta. Bia recomenda a série “Glee”, que fala sobre bullying e homofobia

Outra dica de Bia é o seriado “Glee” – “Acredito que ele tem aproximado os adolescentes de muitos temas como homofobia e bullying de uma forma clara e divertida.”

Que atire o primeiro rímel…

Quem nunca se sentiu menos bonita do que modelos de capa de revista! A ideia de que feministas são feias, não se cuidam e são masculinas ainda existe, mas Bia explica que tudo mudou, e muito.

“Houve um momento em que foi preciso quebrar estojos de maquiagem porque eles representavam grande parte da opressão que era imposta as mulheres. Hoje já ultrapassamos a questão de usar ou não maquiagem, isso acaba sendo uma questão individual. Porém, a beleza e a vaidade continuam sendo elementos que oprimem as mulheres a medida que existe uma indústria da beleza que não respeita a diversidade das mulheres e busca um padrão uniformizado, global e inatingível de beleza perfeita.”

Fonte: IG

+ sobre o tema

Exploração sexual de crianças e adolescentes só tem 20% dos casos denunciados

Denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes representam...

Terceirização tem ‘cara’: é preta e feminina

O trabalho precário afeta de modo desproporcional a população...

Internet impulsionou surgimento de um novo feminismo

Redes sociais ajudaram a divulgar campanhas que chegaram às...

Arquitetura dos direitos reprodutivos e ameaças ao aborto legal e seguro

Iniciamos esta reflexão homenageando a menina de 10 anos,...

para lembrar

Por que parar na questão de gênero? Vamos trocar a Constituição pela bíblia

Por conta da pressão da Frente Parlamentar Evangélica junto...

Programa Justiça Sem Muros do ITTC lança campanha sobre visibilidade ao encarceramento feminino

Inspirado na arte de Laura Guimarães, o programa Justiça Sem...

Homens que cuidam

João está deprimido. Fez uma consulta com um psiquiatra...

Estudantes do Rio combatem machismo e racismo com projeto transformador

Com o título Solta esse Black, alunas da Escola Municipal...
spot_imgspot_img

Golpes financeiros digitais deixam consequências psicológicas nas vítimas

Cair na conversa de um estelionatário e perder uma quantia em dinheiro pode gerar consequências graves, não só para o bolso, mas para o...

O atraso do atraso

A semana apenas começava, quando a boa-nova vinda do outro lado do Atlântico se espalhou. A França, em votação maiúscula no Parlamento (780 votos em...

Campanha denuncia desigualdade no acesso à internet com as ‘franquias de dados’

 Direito essencial, o acesso à internet no Brasil é barrado à população mais pobre pelo limite dos pacotes de dados móveis. Para as classes...
-+=