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Para onde marcham as mulheres contra Trump?

O que uniu esta verdadeira multidão foi a vontade de afirmar que há, nos EUA e em todo o Mundo, uma maioria que não está disposta a aceitar tudo o que Trump é.

Por Mariana Mortágua Do Esquerda.Net

No último sábado, centenas de milhares de pessoas juntaram-se à Marcha das Mulheres em mais de 670 cidades de todo o Mundo. O que uniu esta verdadeira multidão foi a vontade ou, mais do que isso, a necessidade de afirmar que há, nos EUA e em todo o Mundo, uma maioria que não está disposta a aceitar tudo o que Trump é. Uma multidão que se recusa a ser indiferente à normalização do sexismo e do assédio, que rejeita o retrocesso homofóbico e que não aceita a política do racismo e da homofobia.

Esta não foi a primeira vez que um protesto convocado a partir dos movimentos de mulheres se transformou num evento de massas. Um dos mais simbólicos terá sido em 1789, quando milhares de mulheres marcharam sobre Versalhes, enfrentaram a guarda real, e obrigaram Luís XVI a abandonar o seu sumptuoso palácio e a regressar, à força, a Paris. Foi o princípio da Revolução Francesa e o princípio do fim da monarquia absolutista.

Esta comparação1 não tem apenas interesse histórico, mas deve servir para que possamos refletir sobre o mais difícil. E o mais difícil é o dia seguinte. O que virá depois destes protestos? O objetivo não será certamente que Trump ceda às justas reivindicações das massas. Pode ser, sim, despertar consciências, trazer mais gente para a rua. Mas, de novo, a questão se irá colocar: com que objetivo?

Para que estes protestos sejam mais que uma fugaz confluência de vontades e revoltas, como vimos no Occupy Wall Street, o objetivo só pode ser o poder. Para ser poder é preciso que o protesto se transforme em programa alternativo. E que o programa tenha protagonistas.

Bernie Sanders era, antes das eleições, o porta-voz deste programa, que não é apenas por direitos civis e liberdades individuais. Também é por igualdade económica e pela expulsão da Goldman Sachs dos conselhos de ministros, com tudo o que isso significa.

O Partido Democrático norte-americano nunca compreenderá esta evidência. É, aliás, mais provável que volte a retirar o tapete a estes movimentos. Caberá então aos que protestam encontrar o seu caminho de construção política alternativa, e garantir que a Marcha das Mulheres tem um destino concreto.

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