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Paranaguá inicia “Ecos da Negritude” visando todo o Litoral do Paraná

Paranaguá inicia “Ecos da Negritude” visando todo o Litoral do Paraná

Com a presença do cônsul do Senegal para o Paraná e Santa Catarina, o sociólogo Ozeil Moura dos Santos, a Prefeitura de Paranaguá, deu início, na sexta-feira (16), ao projeto Ecos da Negritude.

O projeto tem a meta ambiciosa de resgatar a história e valorizar a cultura dos negros em todo o Litoral do Paraná, começando por Paranaguá. De acordo com a prefeitura, Paranaguá tem 37% da sua população entre pardos e negros.

No lançamento, o prefeito lembrou que a Ilha dos Valadares foi ponto de parada e quarentena para muitos negros escravizados. “Poucos sabem, mas havia em Paranaguá, um grupo chamado ‘Sociedade de Redenção Paranaguense’, que conseguiu, segundo conta-se, 74 cartas de alforria, constituindo-se num dos primeiros e mais atuantes grupos abolicionistas do Paraná e contribuindo para o fim dessa prática abominável”, disse.

O cônsul do Senegal fez uma palestra sobre o histórico do Portal Africano, de Curitiba, fazendo um comparativo com os avanços dos negros no Brasil e no mundo. Mas também fez observações que incentivam os afrodescendentes a refletir sobre novos caminhos que visam a educação, cultura e a capacitação. “Num mundo globalizado, quem não tem uma pós-graduação, mestrado ou doutorado, está fora do jogo”, disse. “Quem vende bilhete, não assiste o espetáculo, e a população negra está vendendo bilhete e não está vendo o espetáculo”, enfatizou. “Precisamos capacitar os afrodescendentes. A criança negra não está no primário, consequentemente, não está no secundário, nem na universidade, completou Ozeil Moura dos Santos.

Ao final da sua palestra, o cônsul fez questão de mostrar um vídeo com personalidades de homens e mulheres de nível nacional e internacional, de agora e antigamente, todos negros, que se destacaram em suas áreas de atuação quer fossem na política, esporte, arte, beleza, inclusive, muitos como prêmio Nobel da Paz.

Exposição no Dia da Consciência Negra

Ecos da Negritude tem apoio da Fundação Municipal de Cultura (Fumcul) e da Secretaria Municipal de Comunicação (Secom). Conta com participação do incipiente movimento negro do Litoral e também de Curitiba desde sua formulação, em 2013. Contatos serão feitos com as embaixadas envolvendo 57 países africanos.

Objetivamente, uma das atividades será uma grande exposição em 20 de novembro, quando é comemorado o Dia da Consciência Negra. No local deve ser montado espaço representando o porão de um navio negreiro, para mostrar os sofrimentos pelos quais passaram na viagem os negros tirados de sua terra natal para serem escravizados no Brasil.

No lançamento, o presidente da Câmara Muncipal, Marquinhos Roque, deu a palavra ao vereador Márcio Costa, autor de projeto de combate ao racismo, que foi sancionado pelo prefeito Edison Kersten. A lei incentiva práticas que põem fim a qualquer prática racista nas escolas e sedes da administração municipal.

Na justificativa do projeto de lei, o vereador não usa meias palavras: “O mundo mudou, mas muitas pessoas ainda continuam vivendo em épocas retrógradas, onde o racismo imperava, e por nossa cultura ter uma base afro-brasileira fortíssima, não podemos nos furtar de colocar os instrumentos públicos municipais no combate ao racismo e exterminar este sentimento doentil, do meio social em que vivemos, pois se investigarmos todos nós temos o sangue dos negros correndo em nossas veias ou então por afinidade muito próxima”.

Com informações da Secom Paranaguá: Luciane Chiarelli / Marcos Silva / Osvaldo Capetta – Foto: Márcio Tibilletti

 

 

 

Fonte: Correio do Litoral 

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