Programa de incentivo à igualdade racial é lançado pela Águas de Teresina

Objetivo é promover a equidade nas oportunidades de acesso e de crescimento profissional dos funcionários

Por Patrícia Almeida Do Rpiaui

Em uma ação inovadora e necessária, a empresa Águas de Teresina reuniu seus colaboradores em torno de um ciclo de palestras para lançar o programa “Respeito Dá o Tom”, que tem como objetivo promover a equidade nas oportunidades de acesso ao mercado de trabalho, pautado no relacionamento, educação e empregabilidade, além de incentivar os colaboradores a refletir sobre o tema de diferentes formas e moldar novos pensamentos e comportamentos. As atividades foram realizadas na sede da empresa, na Estação de Tratamento de Água (ETA-Sul) e na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE-Pirajá).

Com o programa, a concessionária irá ampliar a divulgação e o acesso de candidatos negros às vagas de emprego; criar programas de trainees e jovens aprendizes direcionados à população negra, além de manter contato permanente com associações que atuam na área da igualdade racial na cidade, promovendo a reflexão do tema.

Uma das palestrantes foi a professora Andreia Marreiro Barbosa, mestre em Direitos Humanos e Cidadania pela Universidade de Brasília (UnB), bacharel em Direito pela Universidade Estadual do Piauí (Uespi) e coordenadora de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão da Faculdade Adelmar Rosado (FAR). A professora elogiou a iniciativa da empresa e destacou a importância da participação individual na luta pela igualdade racial. Andreia também citou personalidades negras que marcaram a história, a exemplo de Esperança Garcia, que ano passado recebeu o título simbólico de primeira mulher advogada do Piauí, a pedido da Comissão da Verdade da Escravidão Negra da OAB-PI.

“A gente tem uma dificuldade enorme de falar sobre racismo. As pessoas têm dificuldade de reconhecer o racismo que existe em cada um de nós. Que esse programa se fortaleça e possa inspirar outras empresas. Se a gente quer mudar o mundo, tem que começar a mudar a nossa aldeia”, disse.

Professora Andreia Marreiro Barbosa, mestre em Direitos Humanos e Cidadania pela Universidade de Brasília (Foto: UnB)

“Estamos falando do processo histórico humano e precisamos reparar um aspecto injusto da nossa existência. A companhia acredita que é um caminho natural: criar oportunidades, gerar debate e desconforto, para migrar do ontem para o futuro”, destaca Italo Joffily, diretor presidente da Águas de Teresina.

“Eu fico muito feliz de ver esse projeto sendo executado na empresa, pois já fiquei várias vezes fora do mercado de trabalho por causa da minha cor. Estamos falando de pessoas que têm qualificação profissional, mas não têm oportunidades. Ter a chance de trabalhar em uma empresa que se preocupa com o bem-estar dos seus funcionários e combate ações de racismo e preconceito em todas as suas formas é gratificante”, diz Narailka Vaz, analista de programas socioambientais da concessionária.

No ano passado, a Aegea conquistou o selo “Sim à Igualdade Racial”, criado pelo Instituto Identidades do Brasil (ID_BR) para atestar o compromisso de empresas em implantar ações afirmativas de combate ao racismo e à discriminação da população negra, principalmente em seu quadro de funcionários.

“Pessoas são a maior riqueza do grupo. Trabalhamos em modalidade de concessão, em que não há ativos, pois os bens são públicos. O que temos de valioso e significativo são as pessoas que trabalham conosco e aquelas que atendemos com saneamento básico”, finaliza Diego Dal Magro, diretor executivo da Águas de Teresina.

“Respeito Dá o Tom”, programa de igualdade racial do grupo Aegea.

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