Programação do 3º Encontro Nacional de Hip Hop em São Vicente

O 1º Edital Prêmio Cultura Hip Hop 2010 – Edição Preto Ghóez, que premiará 128 iniciativas voltadas para a promoção e o fortalecimento da Cultura Hip Hop no Brasil, terá pré-lançamento, no próximo dia 29, às 21h, no Auditório Centro Universitário La Salle, na cidade de Canoas, Rio Grande do Sul, durante a realização do 10º Fórum Social Mundial.

O Edital, uma realização do Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria da Identidade e Diversidade Cultural (SID), em parceria com a Secretaria de Cidadania Cultural (SCC), o Instituto Empreender e a Ação Educativa, será publicado na primeira semana de abril de 2010 e homenageará o artista, e líder do Movimento, Preto Ghóez, que morreu em 2004, vítima de acidente de carro.

O 1º Edital Prêmio Cultura Hip Hop 2010 – Edição Preto Ghóez terá um investimento total de R$ 1,7 milhão e premiará as iniciativas, realizadas individualmente ou em grupo, divididas em cinco categorias diferentes: Reconhecimento, Socioeducativa (Escola de Rua), Geração de Renda, Difusão/Conhecimento (5° Elemento) e Difusão – Menções Honrosas. A atividade de divulgação do Pré-Lançamento do Edital será realizada no Palco Principal.

A partir de março, o MinC e as entidades parceiras informarão por meio de seus sites e de outras ferramentas de comunicação, todos os procedimentos necessários para a participação dos interessados. As inscrições permanecerão abertas durante três meses e os interessados poderão encaminhar suas propostas via internet ou pelo correio.

A Cultura Hip Hop, cujas primeiras manifestações, no Brasil, datam do início dos anos 1980, surgiu nos Estados Unidos da América e, atualmente, pode ser encontrada em todo o território brasileiro, principalmente nas periferias das regiões metropolitanas. Mas o Hip Hop também chegou ao interior do Brasil, marcando presença, por exemplo, em assentamentos e acampamentos rurais, aldeias indígenas e comunidades quilombolas. Com isso, absorveu a diversidade da cultura brasileira, criando uma identidade própria, com múltiplas variações, e tornando-se uma linguagem artística das mais representativas da nossa cultura.

Preto Ghóez, o homenageado
Márcio Vicente Góes, nasceu em 8 de outubro de 1971, em São Luis, no Maranhão. Teve uma infância pobre e começou a trabalhar com apenas 10 anos para ajudar a mãe a sustentar a família. Mas a paixão pela música também foi despertada cedo e, em 1993, ele já estava montando a sua primeira banda de Hip Hop, a Habeas Corpus, que, em 1994 passou a se chamar Skina. Em 1996, o artista formou um novo grupo musical. Surgia, então, a Milícia Neo Talmarina que durou até 1998. Neste ano, Preto Ghóez desfez o grupo e criou a Clã Nordestino que gravou um único CD, a Peste Negra do Nordeste, e durou até a sua morte.

Além das bandas, Preto Ghóez fundou os Movimentos Hip Hop Organizado Brasileiro (MHHOB), Favelafro, do Maranhão e Questão Ideológica, do Piauí. O artista escreveu ainda o livro A Sociedade do Código de Barras – O Mundo dos Mesmos. Com a banda Clã Nordestino Ghóez percorreu todo o Brasil e também fez shows em países como a Itália e a França.

Como líder do movimento e um dos fundadores do MHHOB, Preto Ghóez, visitou todo o país fazendo palestras. Depois de sua morte, o compositor, cantor e escritor, recebeu várias homenagens. Dois Pontões de Cultura foram batizados com o seu nome. O primeiro, em Teresina, recebeu o nome de Pontão Preto Ghóez Vive e o segundo, em Rondônia, de Pontão de Rondônia Preto Ghóez – Povos da Floresta. Uma rua da cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo, também ganhou, em 2006, o nome do líder do movimento Hip Hop no Brasil.

Nino Brown, da Casa Hip Hop de Diadema (SP), ouviu falar de Preto Ghóez no início do movimento no Brasil. “Eu estava em São Paulo e ele no Maranhão e fui a primeira pessoa do estado paulista a fazer contato com ele. Como naquela época não havia computador nos falávamos por carta ou telefone”, conta Brown, um dos precursores e líderes do movimento em São Paulo. Para ele a homenagem do MinC ao artista é mais do que legítima. “Ele representava o movimento e o povo humilde. Também não tinha medo de dizer o que pensava”, justifica Nino Brown, que está no Movimento Hip Hop há 30 anos e para quem a morte de Preto Ghóez foi um choque. “Não acreditávamos que era verdade. Foi uma perda muito grande para todos do movimento”, assegura ele.

(Heli Espíndola- Comunicação/SID)

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