sexta-feira, maio 27, 2022
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Racismo no Brasil: Desigualdade e Injustiça Social

O Racismo é uma construção Histórica e Social. Não nascemos Racistas, Machistas, Misóginos, Homofóbicos, Xenófobos, Intolerantes e Preconceituosos. Aprendemos desde muito cedo no seio das Instituições, Familiares, Religiosas, Estatais, Sociais a exercermos o Preconceito, a discriminação e a Exclusão social.

O Racismo apresenta vários conceitos. Um deles o define como a Superioridade de uma Raça (Etnia) sobre a outra. Acontece por meio de um processo hierárquico e Hegemônico de uma Etnia (“Raça Branca”) que se sobrepõe a outra Etnia (Raça Negra).

“Estudos genéticos já provaram que não existem subgrupos de humanos, sendo errado classificar negros, asiáticos, indígenas ou outros grupos enquanto diferentes raças. A abordagem antropológica e sociológica da questão estabelece que os diferentes grupos entre humanos são etnias, e apresentam diferenças fenotípicas, como a cor de pele”

O Racismo se manifesta no preconceito, ódio e exclusão da pessoa de cor Negra dos espaços Políticos, Sociais Públicos, Religiosos e Privados. A pessoa de cor Negra é tratada com desprezo, violência verbal, social e física.

É um absurdo que em um País com uma imensidão de Riquezas Naturais (Petróleo, Minério, Água, Florestas, Terra etc.) e, ao mesmo tempo a maioria do seu povo vivendo em estado de miséria. Um Brasil com 56 % de seu povo Negro e é extremamente Racista.

Nosso Brasil tem aumentado à miséria e a fome, aumentou o desemprego e cresceu o baixo índice de desenvolvimento Humano. Preferencialmente a Mídia, os Governantes, os Políticos e Economistas falam de PIB mais, não tocam no IDH, o qual é muito baixo.

Lamentavelmente nossa realidade é caótica, é de um extremo patamar de Desigualdades e Injustiças Sociais que estar pautada pelo desmonte das Políticas Públicas, pelo Preconceito, Racismo Social, Institucional e Estrutural Brasileiro.

Ao que se ver herdamos muito bem as práticas do colonialismo, da Opressão, da Escravidão, do Machismo, da Eugenia, da Homofobia, da Misoginia, da Xenofobia, do Preconceito, do Ódio etc.

Lamentavelmente muitos Brasileiros são colonizadores de si mesmos, de seu próprio povo, escraviza seu irmão de Pátria, de Comunidade etc.

Nossos Governantes são Subservientes ao Capital Financeiro internacional, são Neo Colonizadores e Entreguistas.

A Educação do Estado Brasileiro sempre seguiu e segue o curso da reprodução da Ideologia Dominante, do Fortalecimento das ações Eurocêntrica, Racista e Escravocrata. A Escola forma sujeitos para fazer a manutenção das engrenagens do Sistema Capitalista Predatório, Parasitário, Escravocrata e Mortífero.

Nossos Educandos não são levados ao pensamento crítico e reflexivo de sua realidade Sócio Cultural e Humana. Não temos uma Educação voltada para a Cidadania, para o desenvolvimento pessoal e Humano. A Educação recruta soldados para garantir o Sistema Capitalista em pleno Desenvolvimento, gerando lucro, agregando valor e produzindo mais valia.

Não há dúvidas de que o Estado Brasileiro é extremamente Racista, pois, as Políticas Públicas para uma População de Maioria Negra e Pobre são deficitárias, quase inexistentes. Não há Democracia Racial, não há Igualdade de Gênero, de oportunidade, não há Equidade Social, não temos, nunca houve um Estado de Direito.

O Estado do Pará tem cerca de 74 % de sua população constituída de Pretos e Pardos, ou seja, somos um Estado Negro. Temos uma imensidão de Religiões de Matrizes Africanas no Estado do Pará, MA, RS, BA, RJ dentre outros Estados Brasileiros, no entanto, estas sofrem com o Racismo Religioso, sofrem a perseguição de Religiões Pentecostais, Neopentecostais, Protestantes e mesmo de Religiões Históricas e da Sociedade Intolerante, Racista e Preconceituosa.

O Estado do Pará é um dos Estados da federação Brasileira com a maior Riqueza Mineral do País ou senão do mundo, entretanto, os últimos dados do IBGE apontam que o Pará apresenta 40 % de sua população em situação de miséria. Da vasta Riqueza Natural, Terrestre e Mineral que aqui temos nada nos fica, a não ser a concentração de Terras e Renda, a mutilação do trabalhador, a violação de Direitos Trabalhistas e Humanos, precarização do trabalho, fome e miséria da população, nos sobra os impactos ambientais e, sobretudo, um quadro assustador de Violência e um grande abismo social.

Temos um alto índice de violência contra Jovens e Adolescentes na faixa etária de idade de 15 a 19 anos, estes são Pobres, Negros, Negras, Gays, Lésbicas exterminados diariamente em nossas Pequenas, Médias e Grandes Cidades do Pará e Brasil a fora. Ou seja, uma população Jovem preta e pobre sendo dizimada diariamente e exterminada pelas práticas do Tráfico de Drogas, pelas Instituições Militares, pelo Preconceito Social, pela ausência de Políticas Públicas que possa retirar estes jovens da situação de Risco Social.

Altamira/Pará atualmente tem um quadro de violência assustador. A Cidade convive com o maior Índice de Feminicídio do País, Jovens Negros e Negras, são assassinados diariamente. Todo este quadro caótico de Injustiça social mostra a Perversidade do Racismo, da Intolerância em vários pontos e do Preconceito, mais, sobretudo, a violência provocada e projetada pela ausência do Estado Brasileiro por não Planejar, Elaborar e Executar políticas públicas e Projetos Sociais que combata as Injustiças e Desigualdades Sociais.

A Ausência e Inércia do Estado Brasileiro, a morosidade da Justiça e do Poder Público tende a rasgar e estraçalhar nosso Tecido Social com sua diversidade de cores.

Um Tecido Social Plural e Diverso destruído pelo Racismo, Machismo, Misoginia, Xenofobia, Feminicídio, etc.

Enfim temos uma Sociedade destruída e devastada pelo desmantelamento das Instituições Públicas, pelo Preconceito, Pelo Ódio, Pela Intolerância e pelo desgoverno de nossos Representantes Políticos que a cada dia se mostram Inertes, sem a prática e o exercício da responsabilidade pública, da Ética e da Justiça Social.

O Estado Brasileiro Faliu, a Democracia está Morta. Aliás, nunca existiu Estado de Direito e Democracia no Brasil, tampouco Democracia e Igualdade Racial.

Sobre o autor:
Bacharelado em Ciências Sociais 2010. ULBRA – Universidade Luterana do Brasil. Canoas/RS. Polo Belém Pará.
Licenciatura em Sociologia 2017. UNIASSELVI – Centro Universitário Leonardo da Vinci. Indaial/SC. Polo Belém Pará.
Ativista Social, Militante do MAM – Movimento Pela Soberania Popular na Mineração.
Parceiro Colaborador do Movimento Xingu Vivo para Sempre. Altamira/PA.
** Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do PORTAL GELEDÉS e não representa ideias ou opiniões do veículo. Portal Geledés oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.
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