Racismo: política pública se faz ouvindo as pessoas, diz Netinho

Em audiência pública nesta quinta-fira (24) no bairro do Capão Redondo, na zona sul da capital paulista, moradores cobraram providências do Poder Público para as recorrentes chacinas e a atuação de grupos de extermínio na periferia da cidade. No dia 4, sete pessoas foram mortas em um crime no Capão Redondo.

Netinho de Paula fala sobre a importância da voz da população para soluções dos problemas. Foto: Fernando Pereira / SECOM

Os secretários municipais Netinho de Paula (Promoção da Igualdade Racial) Rogério Sottili (Direitos Humanos) acompanharam a reunião com entidades e a população de Capão Redondo, realizada no Parque Santo Dias, Zona Sul da cidade. Durante o encontro, as autoridades manifestaram o interesse de trazer para a Prefeitura de São Paulo o programa “Juventude Viva”, criado pelo Governo Federal para combater à violência contra jovens negros.

O secretário da Promoção da Igualdade Social, Netinho de Paula, falou sobre a importância da voz da população para soluções dos principais problemas apresentados. “Hoje nós estamos mais no papel de ouvir, pois o que falta para essa população são os órgãos institucionais ouvirem. Então, a pedido do prefeito Fernando Haddad, nós viemos aqui para ouvir as pessoas que são vítimas, acolher ideias, opiniões e tentar elaborar um programa com base no que as pessoas vão propor”, destacou.

Também esteve presente o coordenador de Juventude da Prefeitura, Gabriel Medina, que falou sobre a mortalidade de jovens no país. “É inadmissível que o Brasil, sendo a sexta economia no mundo, tenha o sexto pior índice de mortalidade de jovens em todo o mundo. É uma contradição muito grande e essa mortalidade, pois 80% dos jovens que morrem são negros e pobres, vindos das periferias dos centros urbanos e regiões metropolitanas do Brasil”, afirmou.

Relatos

Francisco José Carvalho Magalhães, pai do estudante Pedro Thiago de Souza Magalhães, executado no Campo Limpo – bairro vizinho do Capão Redondo – aos 20 anos por um grupo de extermínio em 14 de outubro de 2012, pediu apuração sobre o caso, ainda sem solução. “Ninguém sabe falar nada. Recolheram o corpo do local rapidamente e ninguém nunca me deu explicação. Cheguei na delegacia, o boletim de ocorrência já estava feito. Ele foi morto com armas exclusivas das Forças Armadas”, disse.

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Reunião foi realizada no Parque Santo Dias (Capão Redondo). Foto: Fernando Pereira / SECOM

Magalhães diz que, em um domingo, seu filho, que cursava administração de empresas no Centro Universitário Anhanguera, em São Paulo, saiu de casa ao meio-dia para um fazer trabalho da faculdade. “Ele saiu de casa falando que ia pegar o pen drive. Quando deu três horas, me ligaram que ele tinha sido alvejado a bala”. Pedro foi morto com nove tiros, sete dados pelas costas. No boletim de ocorrência consta apenas que quatro pessoas desceram de um carro prata e dispararam contra o rapaz.

Depois da morte de Pedro, a região foi palco de uma chacina que deixou sete mortos no último dia 4. O crime, que ocorreu no Capão Redondo, está sendo investigada pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e pela Corregedoria da Polícia Militar, órgão que apura desvios de conduta de membros da corporação.

A Secretaria de Segurança Pública descartou que uma das vítimas da chacina seria o cinegrafista amador que fez imagens de uma ação policial no mesmo bairro, ocorrida em novembro do ano passado e que resultou na morte de um servente de pedreiro. As imagens mostram que um policial militar dispara contra um homem mesmo depois de ele estar rendido.

“O que aconteceu lá foi uma retaliação aos trabalhadores. Todo mundo sabe que dentro da polícia existe um grupo de extermínio, isso aí está na cara, não tem mais como esconder de ninguém. Aquela gravação foi para a mídia, vieram dar o troco”, disse Doraci Mariano, presidente da Associação Joacris, presente na audiência.

 

Moradores do Capão Redondo cobram Estado sobre chacinas e ação de grupos de extermínio

Fonte:  Agência Brasil e Prefeitura de SP

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