Registros de intolerância religiosa aumentam 22% no estado de SP

Crescimento é referente ao ano 2019, em comparação a 2018. Casos de injúria, calúnia e difamação predominam nos boletins de ocorrência.

Por Amanda Lüder, no G1

Foto: Deldebbio

Os registros de casos de intolerância religiosa aumentaram 21,75% em 2019 no estado de São Paulo, na comparação com 2018. Os dados foram obtidos pela GloboNews via Lei de Acesso a Informação (LAI) junto à Polícia Civil e são relativos aos boletins de ocorrência registrados com esta natureza.

A maioria dos casos foi registrada nas delegacias como injúria, calúnia e difamação: esses três tipos de ocorrência representaram, juntos, 99% dos casos em 2019. Nesta terça-feira (21), é celebrado o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa e Dia Mundial da Religião.

Nos boletins de ocorrência (BOs), o campo para preenchimento da natureza da ocorrência como intolerância religiosa foi criado somente em novembro de 2015.

Número de BOs

Em 2019, foram registrados 3.969 boletins de ocorrência para casos de intolerância religiosa. Em 2018, foram 3.260 registros e, em 2017, 3.070. O aumento foi de aproximadamente 22% de 2018 para 2019 e de quase 30% entre 2017 e 2019.

A média de ocorrências por dia também subiu: em 2019 foram 10,87 ocorrências por dia, contra 8,93 ocorrências por dia em 2018 e 8,41 ocorrências por dia em 2017.

Os registros de injúria correspondem a quase metade dos casos no ano passado. Foram 1.831 BOs desta natureza, o que equivale a 46% do total de casos de intolerância religiosa.

A segunda categoria com mais registros é de calúnia, com 1.408 casos (35,5% do total), seguida de difamação, com 691 registros (17,4% do total).

Injúria, calúnia e difamação, juntos, representam 99% do total de registros de intolerância religiosa de 2019. São 3.930 casos de um total de 3.969 registros deste tipo em 2019.

Como denunciar

Além da Polícia Civil, a Secretaria Estadual da Justiça e Cidadania, por meio do Fórum Inter-Religioso para uma Cultura de Paz e Liberdade Crença, também acolhe as denúncias de discriminação religiosa.

Os conflitos poderão ser resolvidos por mediação, e nos casos em que não há conciliação, será instaurado processo administrativo. Em 2019, o Programa recebeu 28 denúncias por meio do sistema de ouvidoria da pasta e pelo e-mail.

As sanções variam de advertência até multa de aproximadamente R$ 80 mil.

+ sobre o tema

Entre o Vermelho e o Azul, o Brasil elegeu o branco

A mais acirrada disputa presidencial das últimas décadas suscitou...

O fim do “apartheid” na educação brasileira

Escrito por Serys  Slhessarenko   Apartheid. Um regime que foi...

Biblioteca da Unicamp sofre pichações racistas e ameaças

Com teor de ameaça, as pichações na Uncamp continham suásticas e...

Recessão gerada pela pandemia impacta mais mulheres e negros no mercado de trabalho

O quadro recessivo gerado pelo isolamento social atingiu quase...

para lembrar

Bar da Praça Roosevelt é acusado de racismo

O ator Sidney Santiago viu amigos serem barrados por...

Arnaldo Bloch – Shopping Fashion Mall: Será que virou um clube racista?

Cenas chocantes no Fashion Mall por Arnaldo Bloch Conversava com...
spot_imgspot_img

Como o diabo gosta

Um retrocesso civilizatório, uma violência contra as mulheres e uma demonstração explícita do perigo que é misturar política com fundamentalismo religioso. O projeto de lei...

Homens, o tema do aborto também é nossa responsabilidade: precisamos agir

Nesta semana, a escritora Juliana Monteiro postou em suas redes sociais um trecho de uma conversa com um homem sobre o aborto. Reproduzo aqui: - Se liberar o...

A falácia da proteção à vida

A existência de uma lei não é condição suficiente para garantir um direito à população. O respaldo legal é, muitas vezes, o primeiro passo...
-+=