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A religião africana e o preconceito na escola

A religião africana e o preconceito na escola

Evandro Luiz Soares Bonfim (UUNIF ESP /UUNIESP)) 1

Alexsandro de Jesus Nascimento (UUNIESP)) 2

Resumo

O preconceito referente à s religiões de matriz africana,, bem como à sua história que , por sua vez , se agrega à própria h istória do Brasil,, ainda é persistente em nossa sociedade,, refletindo sua maior característica – a intolerância – no meio em que não pode haver preconceito:: a e d ucação.. O professor encontra resistênci a dos alunos que são de outros seg mentos religiosos,, para o estudo científico da cultura africana,, pois esbarra sempre nos funda mentalismos religiosos . N ão se pretende aqui e xaltar esta ou aquela religião,, mas sim apo ntar estrat égias para a desconstrução do preconceito ligado à s religiões de matriz africana , nos espaços educacionais..

Palavras – chave:: Religião africana . Preconceito..

Escola.. Racismo.. Educação..

Abstract

The prejudice regarding religions of African origin,, as well as their history,, which in turn is added to the history of Brazil,, is still persistent in our society,, reflecting its greater characteristic – intolerance – in the environment in which one cannot to have prejudice:: education.. The professor finds resistance from his students from other religious segments,, for the scientific study of African culture,, because it always comes up against religious fundamentalisms.. It is not intended here,, to exalt this or that religion,, but to point out strategie s for the deconstruction of prejudice linked to the religions of African matrix,, in the educational spaces..

Keywords:: African religion.. Preconception.. School..

Racism.. Education..

Introdução

Por meio de pesquisa bibliográfica,, este ensaio tem por objetivo abordar a questão do preconceito com relação às religiões de matriz africana,, buscando – se autores que tragam argumentos para a realidade da crença e do respeito étnico , colaborando na interpretação d os conceitos subjetivos , enf rentados nas escolas , referente s também ao racismo , suas ações e consequências,, o que fundamenta a relevância dest a pesquisa .

A Lei 11.645//008 em seu artigo 1º diz que “nn os estabelecimentos de ensino fundamental e médio,, oficiais e particulares,, torna – se ob rigatório o ensino sobre História e Cultura Afro – Brasileira e Indígena”” . Seguindo a l inha de pensamento da referida l ei,, ressalta – se a i mportância do estudo da raiz histórica da população brasileira,, que se construiu também com o povo negro africano (BBRASI L,, 2008)).

1 Acadêmico do curso de Licenciatura em Pedagogia na União Nacional das Instituições de Ensino Superior Privadas (UUNIESP - Faculdade de Jandira))..

2 Mestre em Educação em Saúde pela Universidade Federal de São Paulo (UUNIFESP)).. Licenciado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PPUC)).. Licenciado em Pedagogia pelo Centro Universitário Dr.. Edmundo Ulson (UUNAR)).. Especialista em Educação Profissional Integrada a EJA pelo Instituto Federal de Educação,, Ciência e Tecnologia de São Paul o (IIFSP)).. Especialista em Formação de Educadores para Educação a Distância na Universidade Paulista (UUNIP)).. Pós - graduado em Libras pelo Centro de Habilitação,, Filosofia e Cultura (CCHAFIC)).. É docente e coordenador na União Nacional das Instituições de Ensin o Superior Privadas (UUNIESP - Faculdade de Jandira)).

1 O p reconceito religioso e o espaço educacional

Mesmo por meio do entendimento de que o Brasil é um estado laico,, a sociedade ainda vivencia forte resistência quanto à s questões religiosas que remetem à cultura africana e , com isso,, tolhe as vertentes históricas da s quais essas religiões faze m parte.. Várias tentativas de mudanças tê m sido abordadas em situações surgidas em sala de aula,, mostrando como e quando ocorre a discriminação no espaço escolar;; contudo,, diante da dif iculdade dos profissionais da educação em lidar com esses enfrentamentos de relutância por parte do corpo escolar,, permanece a não representatividade da observância dessas questões históricas,, pois “aa luta pelo direito à s diferenças sempre esteve pres ente na história da humanidade”” (GGOMES,, 2003,, p.. 73))..

Mesmo com as mudanças provindas da era globalizada e das tecnologias , cada vez mais avançadas,, como a inter net,, por exemplo,, as manifestações de di scriminação ainda existe m em vár ios espaços virtuais ou reai s.. No meio escolar /eeducacional,, os professores enfrentam dificuldade para agir frente às formas de preconceito e da não aceitação da diversidade//ddiferença.. Portanto,, nesse contexto,, sob o claustro do preconceito,, utilizando – se nuances educac ionais da temát ica de resolução não violenta de conflitos , conforme sugere Aguerrea (22017)) .

Essa ferramenta,, inserido pelo professor,, no espaço escolar apresenta mais argumentos na abordagem desses temas,, como a origem da intolerância em suas diversas vertentes,, para co nseguir alcançar o aspecto principal que é a cultura negra , em todas as suas nuances,, perpassando pelo contexto social,, que por sua vez abarcará a religião,, a economia e a raça em si e sua interculturalidade em nossa realidade..

Sampaio (22009,, p.. 2)) explica que::

A perspectiva intercultural rompe com uma visão essencialista das culturas e das identidades culturais e concebe as culturas em contínuo processo de elaboração,, de construção e reconstrução.. Certamente , cada cultura tem suas raízes,, mas es sas raízes são históricas e dinâmicas.. Não fixam as pessoas em determinado padrão cultural .

2 O papel do professor

Não obstante a s dificuldade s detectadas pelo professor,, el e deverá procurar recursos e estratégicas para um bom desenvolvimento de seu trab alho e objetivo s pedagógico s , mesmo que para isso faça uma adaptação em sua didática de ensino,, juntamente com uma mudança em sua metodologia e,, se necessário,, uma flexibilização no curr ículo com temas transversais e a té mesmo com a inter e multidisciplina ridade..

Não com surpresa,, os doce ntes se deparam com a questão ét nico – religiosa , isto é,, não se pode abordar o assun to acerca da cultura de um povo , sem considerar , do mesmo modo , sua religião.. A questão da religiosidade é controversa e em uma sociedade cu ja maior parte da população é cristã,, abordar religiões diferentes tem se tornado difícil,, especialmente quando a mídia apresenta,, em seu noticiário,, casos como o apedrejamento de alunos adeptos de religião de matriz africana,, bem como o afastamento de pro fessores que,, por s ua vez,, também professam essa fé (DDOURADOS,, 2016)) .

É preciso, então,, estimular o respeito e a prática da convivência na diversidade,, já que tod a religião é iminentemente social,, todas nascidas no seio de grupos sociais que,, embora distintos,, têm o intuito de susc itar,, refazer ou manter certos estados mentais desse grupo (SSAMPAIO,, 2009)).. Tanto no paradigma do estímulo – resposta de Pavlov , quanto na linha cartesiana de pensamento,, entende – se que o ser em desenvolvimento de ve estar à margem de quaisquer prejuízos ao seu aprendizado,, seja escolar,, social e//oou cultural e,, menos ainda,, de seu aprendizado histórico – social,, pois,, de outra feita,, sentir – se – á margina liza do ao contexto de sua reali dade,, já que os mecanismos que irã o compor seu desenvolviment o intelectual sofrerão danos de informações,, sendo iconizados , por razões implantadas por outros de outras vivências,, dicotomizando seu entendimento e conceito de suas origens..

Um exemplo disso, por experiência pessoal 3 , é uma ca sa de candomblé que oferecia aulas de língua Bantu – com sua gramática – aos seus seguidores,, bem como aulas de artesan at o , trabalho em argila,, entalhe em madeira e cordas,, essas usando a técnica do macramê.. Outras casas fazem um trabalho com crianças que,, quando chegam da escola , para não ficar na rua,, aprendem música ( percussão ) e ainda realizam trabalho de reforço escolar sem que seja feita,, pelos professores,, nenhuma distinção acerca de sua religiosidade .

Diante de relatos e comentários,, muitos omitem s eu credo e sua orientação religiosa , parte de sua identidade,, por medo de sofrer represália s,, ofensas e discriminação por seu credo,, que alcançam,, por vezes,, a agressão física.. Na escola,, quando uma criança chega com um pano na cabeça ( torso ) e trajando v estes brancas,, torna – se motivo de chacota,, ocasião em que se percebe que não há o respeito pela religião , por sua particularidade diversa da maioria , e isso independe da aceitação de outros,, mas do respeito ao ser humano que , ness e momento , torna – se o alvo negativo por sua diversidade..

O desenvolvimento da personalidade humana ocorre em várias fase s em que o indivíduo aprende a fazer e a retratar o seu eu,, tendo o seu corpo como o seu significado,, originando suas concepções de afetividade e intelectual idade que forma m sua identidade de acordo com suas condições socioculturais e do seu meio [……]] Todas as atividades cognitivas básicas do indivíduo ocorrem de acordo com sua história social e acabam se constituindo no produto do desenvolvimento histórico – social de sua comunidade.. (SSANTOS JUNIOR,, 2010 , p.. 5 – 9))

Diante desse pensamento,, deve – se compreender que , para a criança que adere à religião de matriz africana,, seu contexto de fé é o mesmo que para uma criança católica e//oou evangélica e que seus cultos são tã o sagrados quanto qualquer outro , de qualquer denominação religiosa..

A tradição religiosa afro – brasileira é parte do legado deixado por homens e mulheres que contribuíram de forma significativa para a diversidade do país em que vivemos.. A sabedoria e os va lores das religiões de matriz africana é um expressivo elemento da cultura brasileir a,, que foi mantido por gerações . (HHIGINO,, 2 01 1 , p.. 14 )

Fazemos parte de uma população que , em sua raiz,, assume a face culturalmente afro – brasileira e trabalhamos com ela;; portanto,, apoiar e valorizar a criança negra ou branca,, adepta dessas religiões,, não constitui em mero gesto de bondade,, mas a preocupação com a nossa pró pria identidade de brasileiros , que traz emos não apenas a cor negra , mas toda uma cultura africana.. Se insistirmos em desconhecê – la s , ou fingir mos não as observá – las,, não a s assumimos e nos mantemos alienados dentro de nossa própria cultura . Temos que lutar contra os preconceitos que nos levam a desprezar as raízes negras e também as indígenas da cultura b rasileira,, pois,, ao desprezar qualquer uma delas,, desprezamos a nós mesmos.. “ Triste é a situação de um povo,, triste é a situação de p essoas que não admitem como são e tentam ser,, imi tando o que não são”” ( SILVA,, 1996 , p.. 175))..

O educador deverá,, antes de qualquer pr á tica , fazer a sondagem de seus alunos preservando as parti cularidades culturais e étnicas;; assim , o professor poderá conhecer a história de cada um .

A visão legal na realidade e prosperidade de compreensão,, é que nossa prática contribua para a compreensão dos fundamentos,, para o desenvolvimento da capacidade de aprender,, destacando a interação em ações que alcancem os objetivos do ensino – aprendizagem.. (SSANTOS JÚ NIOR,, 2010,, p.. 4))

Considerações finais

Conclui – se que é de suma im portância que o professor aborde,, em sala de aula e também fora dela,, aspectos da cult ura africana e i ndígena , fazendo um trabalho de conscientização para a relevância e a grande za desse legado,, constituinte de nossa identidade brasileira.. Assim,, é precis o analisar cada cultura , sem posicionamento individual quanto a credo,, raça ou etnia , uma vez que,, não se está discutindo a religião em si,, ou uma raça//eetnia,, mas sociedade s qu e existiram e que ainda existem , com toda sua complexidade e riqueza de relações . Mais do que isso,, é necessário que se cultive o res peito pelo outro,, em sua diversidade e diferença..

Referências

AGUERREA,, Carlos.. Resolução não violenta de conflitos na escola.. D isponível em:: <hhttps::////ppt..sscribd..ccom//ddocument//550854643//RResolucao – nao – violenta – de – conflitos – na – escola>>.. Acesso em:: 10 jun.. 2017..

BRASIL.. Lei nº 11.645,, de 10 março de 2008.. Inclui no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “ H istória e cultura af ro – brasileira e indígena””.. Brasília:: Casa civil,, 2008.. Disponível em:: < http::////wwww..pplanalto..ggov..bbr//cccivil_03//__ato2007 – 2010//22008//llei//ll11645..hhtm >.. Acesso em:: 10 jun.. 2017..

DOURADOS.. P esquisa mostra que int olerância religiosa nas escolas é problema grave..

Dour ados a gora , 2016.. Disponível em::

< http::////wwww..ddouradosagora..ccom..bbr//nnoticias//bbrasil//ppesquisa – mostra – que – intolerancia – re ligiosa – nas – escolas – brasileiras>>.. Acesso em:: 10 jun.. 2017..

GOMES,, Nilma Lino.. Educação e diversidade étnico – cultural.. In:: RAMOS,, M.. N..;; A DÃO,, J.. M..;; BARROS , G.. M.. N.. (CCoord.. ).. Diversidade na Educação:: reflexões e experiências.. Brasília:: Secretaria de Educação Média e Tecnológica//MMEC,, 2003..

HIGINO,, Mô nica Estela Neves.. A s relações da criança candomblecista no espaço social da escola.. Monogra fia.. Unive rsidade do Estado da Bahia,, 2011..

SAMPAIO,, Giselma.. Intolerância religiosa nos espaços escolares.. Monografia.. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro , 2009..

SANTOS JÚ NIOR,, Fernando Gomes dos . A pedagogia e o lúdico na educação infantil.. Centro Universitário Dr.. Ed mundo Ulson,, 2010.. Disponível em:: < https::////ppt..sscribd..ccom//ddocument//554637402//OO – Ludico – e – a – Pedagogia > . Acesso em:: 10 jun.. 2017..

SILVA,, Petronília Beatriz Gonçalves e . Prática do racismo e formação de professores.. In:: DAYRELL,, Juarez.. Múltiplos olhares sobre educação e cultura.. Belo Horizonte : Ed UFMG , 1996..

Recebido em:: 30//006//22017

Aceito em:: 10//007//22017

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