Resolvi lutar após ser abusada por sete anos

No especial “Vozes da Ocupação”, damos espaço para as secundaristas do ensino público contarem o que as inspirou a lutar por uma educação melhor.

Do Azmina

Eu sei o dia em que resolvi lutar por aqueles que nunca são escutados. Foi no final de 2010 saindo do IML, tinham me submetido a vários exames invasivos para saber se eu estava falando a verdade. Eu tinha onze anos e havia sido abusada durante sete anos.

Hoje já se faz seis anos que, como um monte de Maria, eu virei estatística. Desde então a chama da luta nunca se apagou.

Em 2015 sofremos um golpe na democracia que deu a largada a vários retrocessos inclusive para as mulheres. Em 2016, com a PEC 55, singelamente chamada pelo povo de PEC da morte, e com a MP 746, que leva à perca de direitos imensuráveis para o povo, nós, a classe trabalhadora e os estudantes resolvemos lutar contra esse vandalismo.

Eu e mais centenas de estudantes secundaristas ocupamos as nossas escolas, mostrando que o movimento estudantil está com toda força. Dentro da ocupação da minha escola nós trabalhamos assuntos que nunca são postos em dias letivos normais, como o machismo e a homofobia, promovemos ‘aulões’ misturados com cultura, aprendemos a limpar nossa escola e deixá-la com a nossa cara.

Conhecemos pessoas novas com o mesmo propósito, mas também recebemos muitas ameaças, em sua maioria sexista, já que éramos mais da metade meninas. Apesar das ameaças mostramos mais uma vez que as mulheres podem sim fazer parte do meio político.

Demos um tapa na cara do machismo

Um período de luta que jamais será esquecido, e é apenas o começo!

Meu nome é Silvia, faço parte do levante popular da juventude, sou feminista e luto pelas minorias.

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