Sem racismo, país teria PIB maior

Salário dos negros é 58% dos brancos; se rendimento fosse igual, mais dinheiro circularia no país

Por Queila Ariadne, Do O Tempo

(Ilustração: Ares/Cuba, 2012)

O Brasil tem 209,6 milhões de habitantes. Juntos, eles têm uma massa de rendimentos de R$ 210,4 bilhões. Sem o racismo, esse número seria muito maior. É que os negros ganham, em média, o equivalente a 58% do que os brancos recebem.

E, como os primeiros são mais da metade da população, se não houvesse a desigualdade salarial, a diferença seria significativa. “Não é uma conta simples de se fazer, porque, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) coleta os dados, ele considera médias. Além disso, existem vários outros fatores, como questões culturais e de acesso à educação. De toda forma, é possível afirmar que, sem essa diferença histórica entre os dois grupos, o Produto Interno Bruto (PIB) teria um ganho efetivo”, diz o professor de economia do Ibmec Glauber Silveira.

Como não dá para mudar o peso do passado, há quem lute para construir uma história mais leve no futuro. A assistente social e produtora cultural Fatini Forbeck, 28, percebeu que o caminho está em fazer o dinheiro dos negros girar entre os próprios negros. Ela faz parte do movimento Black Money, que fomenta que os negros comprem só de negros e vendam para todos.

“A gente vive numa pirâmide construída por um patriarcado terrível e violento, onde a mulher negra está na base e o homem branco, no topo. Então, temos que pensar sobre esse abismo econômico que nos separa e criar estratégias para driblar essas estatísticas”, declarou Fatini.

Ela é uma das fundadoras do Samba das Pretas, uma roda cultural cujos fornecedores e colaboradores são negros. “A gente sempre precisa de um serviço, de um médico, de um produto. Então, por que não comprarmos entre nós e, assim, fazemos nosso dinheiro girar entre nós? O racismo é a maior burrice econômica que existe, pois os negros são a maioria da população, consomem muito, mas ganham menos”, destaca Fatini.

A pesquisadora da Diretora de Estudos e Políticas Sociais (Disoc) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Luana Simões, as perdas provocadas pelo racismo e pelo machismo são drásticas.
“Não dá nem para contabilizar no PIB o tanto que se perde em produtividade com gente que poderia estar trabalhando e não consegue vaga ou ganha menos, embora tenha habilidades para receber mais”, pontua Luana.

Empreendedorismo é caminho para driblar desigualdade

A técnica em estética Priscila Fidelis conta que, nas empresas em que trabalhou, as mulheres brancas sempre eram prioridade na hora de uma promoção. Ela participa do coletivo Mulherio Networking, voltado apenas para mulheres, que trocam experiências sobre como melhorar os negócios. “É um absurdo que as pessoas não ganhem de acordo com a competência. Quando fui demitida, há dois anos, decidi empreender. O empreendedorismo é um caminho para se ganhar mais”, afirma Priscila.

A professora de economia da Una Vaníria Ferrari ressalta que origem da desigualdade salarial tanto entre homens e mulheres quanto entre negros e brancos é complexa e começa da educação. “Quem tem mais acesso tem melhores empregos”, avalia ela.

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