Tag: desigualdade

(Foto: REUTERS - RICARDO MORAES)

Quem tem direito ao luto?

Três anos atrás decidi voltar a atender na clínica após ouvir de muitas pessoas próximas o quão traumático havia sido a experiência de falar sobre si para o terapeuta ou analista e me questionei seriamente se não poderia tentar de alguma forma voltar e aprender a ouvir melhor. Essas pessoas que se queixavam em sua maioria são pessoas LGBTI, pretas, favelados, pessoas com dores exploradas comercialmente e que ainda assim seguem invisíveis. Um desses casos, o de uma amiga muito querida, onde a terapeuta a questionou sobre a dificuldade de reconstituir sua árvore genealógica, frisando na necessidade desse processo para o seguimento do trabalho, mas a terapeuta não entendia que sua árvore era composta por ancestrais que ficaram na travessia, por crianças que não nasceram, por tias, tios, primos, irmãos, mães e pais que não necessariamente são familiares consanguíneos. Ela não entendia sobre configuração familiar preta, periférica e não há ...

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Carolina Maria de Jesus à margem do Rio Tietê e, ao fundo, a Comunidade do Canindé — Foto: Audálio Dantas, 1960

‘Até o feijão nos esqueceu’: o livro de 1960 que poderia ter sido escrito nas favelas de 2021

Filhos passando fome. Dificuldade para comprar itens básicos devido à alta de preços. A coleta de sucata como única fonte de renda em meio ao desemprego. A dura rotina de violências sociais vivida pela escritora negra Carolina Maria de Jesus na década de 1950 se assemelha à realidade que muitos brasileiros têm enfrentado em meio à pandemia do coronavírus. "Como é horrível ver um filho comer e perguntar: 'Tem mais?' Esta pergunta 'tem mais' fica oscilando dentro do cérebro de uma mãe que olha as panela e não tem mais", escreveu Carolina em seu livro de estreia. Quarto de despejo: diário de uma favelada foi lançado em 1960 e retrata a vida da autora e de seus três filhos na favela do Canindé, em São Paulo, entre julho de 1955 e janeiro de 1960. A obra manteve a grafia original da autora, que estudou só até o segundo ano primário. ...

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Foto: Amanda Perobelli/Reuters

Negacionismo matou e falta de medidas no Brasil foi letal, diz investigação 

A maior avaliação já feita sobre a resposta global à pandemia, conduzida por algumas das lideranças mais respeitadas do mundo político internacional, cita o Brasil como um dos países que gerou mortes e um número elevado de contaminados por causa da falta de medidas adequadas e por ignorar os alertas e a ciência. O exame também concluiu que líderes que adotaram um comportamento negacionista geraram "consequências mortais". A referência faz parte dos documentos que embasaram as conclusões do Painel Independente criado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para examinar a resposta global à pandemia do coronavírus e sugerir uma reforma ampla da estrutura internacional com o objetivo de que uma nova crise sanitária assole o mundo. O resultado da investigação é um golpe duro contra a OMS e líderes políticos: a pior pandemia em cem anos poderia ter sido evitada, o alerta da agência poderia ter sido dado antes, governos ...

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Raça, gênero e a produção das desigualdades na formação da sociedade brasileira

Esgotado DESCRIÇÃO DO EVENTO Imersão Singularidades Gratuita: Raça, gênero e a produção das desigualdades na formação da sociedade brasileira (Parceria Geledés) Este encontro, em consonância com o 13 de Maio - Dia Nacional de Denúncia contra o Racismo, tem como objetivo abordar os impactos do paradigma de raça e suas intersecções com gênero nas relações sociais e na produção das desigualdades na sociedade brasileira. Data e Hora: 15 de maio das 9h às 16h: almoço - 12h às 13h / 15'de intervalo pela manhã e 15' pela tarde Público-Alvo Educadores e estudantes em geral. Plataformas Zoom e Moodle Carga Horária 6 horas Objetivos Apresentar os fatores sociohistóricos que configuram o racismo brasileiro. Introduzir o debate sobre o que é e como funcionam o racismo estrutural e racismo institucional. Possibilitar o contato com dados que evidenciam os limites à igualdade de oportunidades em contextos racistas. Trazer exemplos de como raça e gênero operam como ...

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Imagem: Getty Images

Tirando a Máscara

O Brasil já é conhecido por ser um dos países mais desiguais do mundo. Em tempos de pandemia, com recordes diários de mortes e cerca de 100 milhões de pessoas vivendo em situação de miséria, caminhamos rapidamente para aumentar ainda mais as disparidades sociais. Embora isso seja um processo de décadas, recentemente mais um passo emblemático foi dado. O congresso discutiu rapidamente e aprovou, apesar de todos os pedidos contrários e avisos da comunidade científica nacional, que empresas privadas possam correr ao mercado para comprar vacinas e distribuir aos seus membros, independente de aprovação pela ANVISA e do Plano Nacional de Imunizações, que caminha a passos lentos por falta de insumos. Caso possam ser encontrados, de qualquer fonte, por qualquer preço, esses imunizantes não irão para quem mais necessita, mas para quem pode pagar. Nesse caso, quem mais precisa, por uma coincidência à brasileira, é a população mais pobre e ...

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Manifestantes levam marmitex vazios na avenida Paulista, em São Paulo, durante protesto pela manutenção do auxilio e contra a autonomia do BC (Foto: Danilo Verpa/ Folhapress)

Auxílio emergencial sem plano aprofundará desigualdade e afetará jovens 

Quando optou por disseminar o falso dilema sobre a escolha entre economia e saúde na pandemia de covid-19, o governo Bolsonaro negligenciou as políticas sociais. O efeito disso é devastador: um ano depois do primeiro diagnóstico de coronavírus no Brasil, 19 milhões de brasileiros enfrentam a fome em seu dia a dia. Atualmente, 116,8 milhões de pessoas não têm acesso pleno e permanente a alimentos, significa que mais da metade da população está submetida a algum nível de insegurança alimentar. É o maior patamar nos últimos 17 anos, segundo a pesquisa da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional. A fome é o indicador mais agudo da pobreza mais extrema que existe. Faz com que mães e pais tenham que escolher qual dos filhos alimentar. É degradante e dilacerante. É também inaceitável e incompreensível que um país como o Brasil — que desenvolveu políticas sociais respeitadas ...

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Especialistas defendem acesso à internet e tecnologias de ensino como bens públicos

A educação tem sido uma das grandes vítimas da pandemia em todo o mundo, sobretudo no Brasil. O fechamento de escolas, a falta de acesso à internet, de dispositivos eletrônicos e o atraso em alavancar planos de ensino remoto terão impacto em toda uma geração de estudantes e no futuro do trabalho, resultando em um aumento brutal de desigualdades. “Neste momento, passados 12 meses de pandemia, quando o Brasil perde por dia cerca de 2 mil pessoas para a COVID-19, é necessário que haja um debate na sociedade sobre o acesso ao wifi e à internet banda larga como um bem público, assim como é a água e a energia. Isso é particularmente importante neste momento da pandemia, com benefícios importantes para todos, especialmente para os mais vulneráveis. Garantir esse acesso permite avançar em tecnologias digitais de ensino remoto”, disse Lorena Barberia, pesquisadora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências ...

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Seminário do CNJ apresentoua desigualdades a superar no acesso à Justiça (Foto: CNJ)

Seminário do CNJ apontou desigualdades a superar no acesso à Justiça

O compromisso da Justiça de buscar novas soluções para vencer o desafio da desigualdade no Brasil foi reafirmado por autoridades na mesa virtual de abertura do encontro 2º Democratizando o Acesso à Justiça: Justiça Social e o Poder Judiciário no Século 21, promovido nesta segunda-feira (22/2) pelo Conselho Nacional de Justiça. Presidida pela conselheira Flávia Pessoa, a cerimônia reuniu integrantes do sistema de Justiça que apontaram as expressões da desigualdade a serem enfrentadas no dia a dia do Poder Judiciário. O objetivo do encontro se alinha ao eixo da gestão do presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Fux, que prioriza a proteção dos direitos humanos e do meio ambiente. A conselheira Flávia Pessoa abriu a cerimônia lembrando que o foco do encontro são os grupos sociais historicamente discriminados no Brasil, em um momento de crise sanitária. O seminário ocorre dois dias depois do Dia Mundial da ...

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Para o professor Muniz Sodré, a insensibilidade social alimenta a indiferença pelos negros (Foto: Léo Ramos Chaves/Revista Pesquisa Fapesp)

“O negro é um cidadão invisível. Quando ele aparece, a violência aparece também”

A morte brutal de João Alberto Freitas, espancado e sufocado até a morte por dois seguranças brancos em um Carrefour de Porto Alegre, na véspera do Dia da Consciência Negra (20/11), não só gerou revolta como provocou uma série de questionamentos sobre o racismo que ainda molda as relações sociais no Brasil. Para o escritor e professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Muniz Sodré, a morte do homem negro é uma morte anunciada no cotidiano brasileiro, como se fosse pré-programada. A dificuldade que se tem para discutir e combater o racismo no país, segundo Sodré, passa pelo que ele chama de duplo vínculo, que consiste em dizer uma coisa e agir de outra forma e, diferentemente do que acontece nos Estados Unidos, o racismo brasileiro é ambíguo porque “ao mesmo tempo que se tem uma exclusão racista, do ponto de vista do afeto, da proximidade, você ...

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A educação de meninas negras em tempos de pandemia: o aprofundamento das desigualdades

A educação de meninas negras em tempos de pandemia: o aprofundamento das desigualdades

Tem se tornado cada vez mais comum ouvir que a pandemia da COVID-19 escancarou as desigualdades já existentes no Brasil. Quando falamos de educação, as narrativas de profissionais da área reforçam que não é possível avaliar o impacto do ensino virtual/remoto porque as/os estudantes sequer acessaram os ambientes virtuais disponibilizados pelas secretarias de educação. A falta de acesso à internet e aos equipamentos tecnológicos conformam a realidade da maior parte das/os estudantes brasileiras/os. Mas há quem acesse e tenha seus direitos de aprendizagem garantidos no limite do que a Educação à Distância permite. Quem são as pessoas que acessam ou não as ferramentas do ensino remoto? Quem ainda mantém ou não vínculo com a escola e a formação acadêmica? Dados da PNAD-COVID, realizada ainda neste ano de 2020, revelam que em setembro 6,4 milhões de estudantes (13,9% do total) não tiveram acesso às atividades escolares. O mesmo levantamento demonstra que ...

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 LumiNola/Divulgação/ iStock

Diversidade e inclusão na infância são tema de congresso online

O 5º Congresso Internacional Sabará de Saúde Infantil, realizado em ambiente online em novembro, trouxe cerca de 300 palestrantes para discutir bem mais do que pediatria e tratamentos clínicos. Na última conferência magna, a socióloga Suelaine Carneiro, da ONG Geledés, defendeu a urgência do combate às desigualdades raciais para preservar a saúde das crianças negras. “Neste momento, são necessários o compromisso e a atuação da sociedade para evitar o aprofundamento das violações de direitos das meninas negras”, disse Suelaine. Sociólogo, o fundador do Observatório de Favelas, Jailson de Souza e Silva, explicou como a cultura racista e elitista acaba transformando moradores de comunidades em “seres descartáveis e desumanizados". Também participou da conversa o presidente da Fundação Ford, Darren Walker, que enfatizou a importância de uma filantropia atenta às injustiças econômicas. O congresso é uma iniciativa da Fundação José Luiz Egydio Setúbal (FJLES), mantenedora do Sabará Hospital Infantil e do Instituto ...

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Divulgação

Intolerável e criminoso: O racismo mata e precisa ser punido e combatido

No país da desigualdade e do racismo genocida, o Dia da Consciência Negra começa assim: abrindo os jornais, tomamos conhecimento de que João Alberto Silveira Freitas, um homem negro, morreu espancado por seguranças terceirizados de um supermercado multinacional – o Carrefour. Trata-se, sem dúvida, de um assassinato criminoso, que deixa um rastro de dor e trauma para quem fica e luta. Mas devemos ter a responsabilidade de olhar além. No caso em questão, o que grita é um padrão: o padrão racista de uma sociedade que dirige violência moral, física e simbólica contra a sua população negra cotidianamente. Não se trata de um “caso isolado”, há um histórico de violência racista – e, portanto, criminosa - dentro da mesma cadeia de supermercados Carrefour. As redes, organizações e movimentos abaixo assinados solidarizam-se com a família de João Alberto e com todas as pessoas negras de nosso país, sujeitas diariamente à violência ...

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Pobreza extrema afeta 13,7 milhões brasileiros, diz IBGE

O Brasil tinha 13,7 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza extrema em 2019. Apesar de o percentual de pessoas nessa condição ter caído em relação a 2018, em termos absolutos, o número se mantém estável na comparação com anos anteriores. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em sua Síntese dos Indicadores Sociais, o contingente representa 6,5% da população brasileira vivendo com menos de US$ 1,90 por dia (R$ 151 por mês, segundo a cotação e a metodologia utilizadas na pesquisa). O número indica um aumento de dois pontos percentuais na comparação com 2014, quando a série atingiu seu menor indicador, de 4,5%. Porém, o índice passou a crescer em 2015 e apresenta estabilidade desde 2017, quando chegou a 6,4%. Por outro lado, se considerada a linha recomendada internacionalmente para o Brasil pelo Banco Mundial, o total de pobres do país —com renda ...

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Laboratório da Faculdade de Medicina de Guarujá — Foto: Marketing Unoeste

Enade: 80% dos formandos de medicina são bancados pela família, e 70% se declaram brancos

De todos os alunos que estavam prestes a se formar em medicina em 2019, 80% afirmaram não ter renda própria - eram bancados pelos pais ou por pessoas próximas. Na maior parte dos casos, os salários do núcleo familiar somavam mais de R$ 5.700,00 mensais. Os dados foram obtidos a partir dos questionários socioeconômicos do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) 2019, divulgados nesta terça (20). A prova avalia o perfil e os conhecimentos de alunos concluintes da graduação. Abaixo, veja os principais destaques: Renda familiar superior a R$ 5.700 Apenas 6,8% dos estudantes de medicina afirmaram que a renda familiar era de até R$ 1.431,50. Na maior parte dos casos, a soma dos salários ultrapassava R$ 5.724,00. Veja o gráfico abaixo: Poucos alunos eram responsáveis pelo sustento da família (0,6%). A maior parte, como já dito no início da reportagem, não tinha renda própria e era financiada por ...

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Projeto D. Helder Câmara busca reduzir os níveis de pobreza e de desigualdades no Semiárido, promovendo a articulação de políticas públicas federais, estaduais e municipais. (Foto: ANATER)

Projeto financiado pela ONU beneficia produtores rurais do Semiárido brasileiro

O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) das Nações Unidas realizou no início de agosto uma missão online de supervisão ao Projeto Dom Helder Câmara, cujo objetivo é reduzir os níveis de pobreza e de desigualdades no Semiárido. A iniciativa promove a articulação de políticas públicas federais, estaduais e municipais, e qualifica os produtores para desenvolver uma produção sustentável, estimulando a replicação de boas práticas. Normalmente, as visitas às famílias beneficiadas são realizadas in loco, mas, em razão da pandemia de COVID-19, este ano atividade foi feita de forma remota. O projeto é executado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), por meio de um acordo de empréstimo firmado entre o governo brasileiro e o FIDA, e passa por missões periódicas de monitoramento para avaliação dos resultados alcançados. A série de encontros contou a participação de representantes do FIDA, da unidade gestora do projeto, da Agência Nacional de Assistência ...

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Maria Alice Setubal, presidente do conselho da Fundação Tide Setubal e do Gife (Grupo de Institutos, Fundações e empresas) (Foto: Reinaldo Canato - 22.nov.16/Folhapress)

Desigualdades no cenário pós-pandemia

A crise da pandemia de Covid-19 descortinou os grandes desafios relativos à concentração de riqueza e suas consequências nas desigualdades sociais, territoriais, tecnológicas e de gênero e raça ao redor do mundo. A busca por um patamar social de bem-estar com espaço seguro e justo para a humanidade, assim como as questões das mudanças climáticas, coloca em xeque o desenvolvimento econômico no qual as pessoas e o cuidado com o planeta não sejam prioridade. Amartya Sen, Nobel de Economia em 1998, enfatiza, no conceito de desenvolvimento, a ampliação das aptidões das pessoas para que, saudáveis, empoderadas e criativas, escolham seus projetos de vida. Diante de tantos desafios, a economia do século 21 precisa atuar sobre as concepções distributivas e de regeneração do planeta. No Brasil, a crise sanitária já deixou milhões de famílias sem nenhum sustento, e as previsões de queda do PIB tornarão esse quadro ainda mais grave. Enfrentar ...

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(Foto: Marta Azevedo)

Um freio à precarização

Se escancarou mazelas socioeconômicas tão antigas quanto toleradas no Brasil, a pandemia da Covid-19 tem igualmente precipitado reações à série de abusos. É dessa lavra a articulação que, diante da escalada de homicídios decorrentes de operações policiais no Rio de Janeiro, arrancou do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a liminar proibindo intervenções enquanto durar a calamidade na saúde. Também emergiu com vigor o enfrentamento ao racismo pela cobrança de ações objetivas de construção de equidade. Da mobilização virtual de estudantes brotou o adiamento do Enem. Esta semana, foi a vez de motofretistas e entregadores se insurgirem contra as más condições de trabalho e remuneração a que são submetidos por empresas de aplicativos. Inédita, a paralisação alcançou as principais capitais do país (São Paulo à frente) e, se teve apoio de organizações sindicais e políticas, não foi delas monopólio. Os números sobre a categoria variam. O Centro de ...

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(Foto: Wasawat Lukharang / BBC Thai)

Por que sua classe social está a te proteger da Covid-19

Nossa saúde não é determinada apenas por aspectos biológicos. Se assim fosse, não estaríamos acompanhando a escalada da letalidade do vírus nas comunidades mais pobres do país inteiro. São números que escancaram a desigualdade e que deveriam nos chamar para uma reflexão séria, se é que pretendemos viver em uma democracia real no futuro. O que intriga a tantos, mas que para os estudiosos dos Determinantes Sociais da Saúde é claro como água (a água dos bairros ricos, diga-se de passagem), é uma constatação incômoda: se biológica e anatomicamente somos tão semelhantes, por que os números são tão desiguais quando informam quem morre e quem sobrevive? Observando as comparações por territórios realizadas pela prefeitura de São Paulo e como elas mostram sem rodeios a diferença do impacto da COVID-19 entre bairros de classe média alta e comunidades pobres, lembrei-me de uma aula que tive durante minha formação como médica de ...

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Ilustração: Cezar Berje

Uberizados: prelúdio da Era dos Bicos

Há quase duas semanas, no dia 17 de abril, entregadores de aplicativo de delivery de São Paulo protestaram contra pagamentos baixos e falta de equipamento de proteção individual. Com suas motos, bicicletas e patinetes, fecharam a avenida Paulista. Desesperados, buzinavam, apitavam e vociferavam com a exploração do trabalho promovida pelas empresas-aplicativos – intensificada em plena pandemia. Máscaras, luvas e álcool gel são distribuídos em poucos postos de atendimento. A maioria tira dinheiro do próprio bolso para minimizar os riscos de contaminação; quem não tem o dinheiro, trabalha sem proteção. Afinal, quem não trabalho, ou mesmo quem fica na rua e não recebe nenhuma chamada, não recebe nada ao final do dia. Hoje, esses trabalhadores são os mais degradados e precarizados do mercado: trabalham mais de 14 horas por dia. Não têm direitos trabalhistas, são vilipendiados pela sociedade e esquecidos pelo Estado – para, ao final, ganhar pouquíssimo. Mas uma coisa ...

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FOTO TIAGO QUEIROZ/AE

Drauzio Varella prevê ‘tragédia nacional’ por coronavírus: ‘Brasil vai pagar o preço da desigualdade’

Prestes a completar 77 anos em maio, o médico cancerologista Drauzio Varella diz que se arrepende de já ter sido otimista a respeito do novo coronavírus. Na época em que começaram a surgir as primeiras informações sobre o vírus na China, em dezembro do ano passado, ele diz que, como muitos, considerou que se tratava de uma doença de baixa letalidade, como pareciam indicar os dados disponíveis. "Eu participei desse otimismo e me recrimino por isso hoje." Por Ligia Guimarães , da BBC Drauzio Varella  /FOTO: TIAGO QUEIROZ/AE Considerado parte do grupo de risco para a covid-19 pela faixa etária, o médico, escritor e comunicador tem vivido uma rotina profissional intensa nas últimas semanas, mesmo sem sair de casa. Concilia as reuniões matinais diárias do recém-criado grupo "Todos pela Saúde", que ele integra como sete técnicos que trabalham para direcionar uma doação de R$ 1 bilhão ...

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