Shoppings mudam estratégia e tentam atrair adeptos do rolezinho

Por Wanderley Preite Sobrinho

Associação de shoppings planeja evento cultural para jovens de baixa renda, um público de 30 milhões de consumidores

Antes evitados em alguns shoppings e até expulsos a tiros de borracha de outros, os jovens das classes C, D e E adeptos dos rolezinhos agora são o público alvo dos empresários do setor, representados pela Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), que planeja um “grande evento cultural” na capital paulista para valorizar um público estimado em 30 milhões de consumidores em todo o Brasil.

 

De acordo com o presidente da entidade, Nabil Sahyoun, a Alshop articula com lojistas e com os governos federal e estadual um evento fora dos shoppings “para dar a eles espaço para se integrar e se comunicar”.

“Vamos fazer um evento cultural com diversão e confraternização porque é isso o que eles têm pedido”, afirmou Sahyon. “Ainda não temos data, mas o primeiro será na zona leste, onde tudo começou. Pode ser no Parque do Carmo, por exemplo.”

Além de “dar espaço para esses jovens se manifestarem com seus conjuntos”, os lojistas pensam em conceder descontos especiais a esse público, hoje responsável por gastos anuais de, pelo menos, R$ 19,9 bilhões.

A informação é do Instituto Data Popular, que muniu a Alshop com pesquisas sobre o potencial de consumo dessa população. De acordo com a entidade, há 30,7 milhões de brasileiros entre 16 e 24 anos pertencentes às classes C, D e E. “Cerca de 16,6 milhões deles vão ao shopping 3,3 vezes ao mês”, contabiliza o gerente de pesquisa do instituto, João Paulo Cunha.

A soma anual dos gastos das classes média (R$ 129,2 bi) e baixa (R$ 19,9 bi) nesses estabelecimentos representa 65% do faturamento dos lojistas, uma vez que a classe alta responde por R$ 80 bilhões por ano. A pesquisa revelou ainda que 55% desses meninos e meninas se interessam mais por produtos de marca do que um ano atrás. “Tem tudo a ver com o funk ostentação. Eles querem ir ao shopping para ver e ser vistos usando essas marcas”, avalia Cunha.

Com renda anual de R$ 63,2 bilhões, a população que vive em favelas compra o equivalente a todo o consumo do Paraguai e Bolívia. “Se essas pessoas fossem reunidas em um Estado, ele seria o quinto mais populoso do Brasil”, contabiliza o instituto.

Acordo com a polícia

A Alshop também revelou detalhes sobre a cooperação da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) com a entidade. “A 15º D.P começou a trocar informações com os shoppings JK, Eldorado, Cidade Jardim e Iguatemi. A ideia é prever os rolezinhos para inibi-los”, revelou o diretor de relações institucionais da entidade, Luis Augusto Hildefonso.

Embora o fenômeno tenha arrefecido no último mês, o diretor acredita que ele pode recuperar forças dependendo do resultado da Copa do Mundo e de das eleições deste ano. “Sem atenção, esse movimento pode voltar a qualquer momento.”

 

Rolezinhos: O que estes jovens estão “roubando” da classe média brasileira – por Eliane Brum

“Não quero estar associado a esse pessoal” Marcas de grife têm vergonha de seus clientes mais pobres, diz Data Popular

 

 

Fonte: iG

 

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