Tag: Bianca Santana

Bianca Santana (Foto: Caroline Lima)

Falta postura antirracista na esquerda, diz biógrafa de Sueli Carneiro

“Entre esquerda e direita, continuo preta”. Dita no começo dos anos 2000, a frase da ativista e intelectual Sueli Carneiro segue atual. A reflexão agora inspirou o título da biografia que a jornalista Bianca Santana lança sobre Carneiro. Resume, segundo a biógrafa, a falta de interesse da direita em ter pessoas negras no poder, e evidencia como a esquerda, que diz ser antirracista, tem poucas posturas de fato antirracistas. Em entrevista à coluna (assista aqui via YouTube ou ouça aqui pelo Spotify), Santana falou também, baseando-se na história do ativismo e da obra de Carneiro, sobre a conquista de espaço das mulheres negras no feminismo e na luta antirracista. Carneiro questionou a ordem social racista presente também no movimento feminista. Nela, o homem branco vem primeiro, seguido da mulher branca, do homem preto e, aí sim, da mulher negra. A autora detalhou como foi a busca pelos ancestrais escravizados de Carneiro, o começo de seu ativismo e o ...

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A filósofa Sueli Carneiro (Foto: Natalia Sena )

Sueli Carneiro: Uma voz em prol do feminismo negro

É impossível falar de Sueli Carneiro e não reconhecer a sua importância em favor da democracia do país, sobretudo com a leitura de “Continuo preta”, biografia que a jornalista Bianca Santana acaba de lançar, retratando a trajetória de vida de uma das mais destacadas ativistas do movimento feminino negro brasileiro. Se isso não bastasse, a obra, que pode ser lida como uma grande reportagem, passa um pente fino na militância de Sueli, no seu destacado papel dentro de organizações sociais e políticas, bem como no corajoso enfrentamento ao regime militar que instituiu a ditadura no Brasil. A jornalista, autora do celebrado “Quando me descobri negra”, trouxe para “Continuo preta” a condensação de 160 horas de entrevistas, realizadas entre 2018 e 2019. Autora e entrevistada trabalham juntas na “escavação” de um tempo que muito nos surpreende e apaixona. Remexem no passado e religam, em diálogos emocionais e precisos, a história de uma família ...

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A filósofa e educadora Sueli Carneiro (Foto: Marcus Steinmayer)

Por que é indispensável conhecer Sueli Carneiro

Esta mulher é a minha falaO meu segredoMinha língua de poderE meus mistérios.Ana Paula Tavares, “A cabeça de Nefertiti” À narração da trajetória de uma das fundadoras do feminismo negro no Brasil, sobrepõe-se a construção dos próprios movimentos negro e feminista no país. Com uma extensa pesquisa documental, escuta de depoimentos e 160 horas de conversas com Sueli, Bianca Santana alterna as recordações e a formação da filósofa e ativista com as mudanças na sociedade brasileira. A escrita da biografia, assim, coletiviza-se: através de uma fala de si, narra a trajetória de um coletivo. Continuo preta: a vida de Sueli Carneiro, de Bianca SantanaCompanhia das Letras, 2021 Em verdadeira “escavação”, como diz o título da primeira seção do livro, a escritora procurou, em arquivos de paróquias, cartórios e depoimentos dos mais velhos, as antepassadas de Sueli. Chegou ao nome de Maria Gaivota, bisavó paterna, possivelmente ex-escravizada nascida em Grão Mogol, Minas Gerais. Da família materna pouco ...

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Casa Sueli Carneiro oferece bolsa de estudos para Ciclo de Conferências

A Casa Sueli Carneiro e Instituto Singularidades oferecem 30 bolsas de estudos para participar do Ciclo de Conferências sobre Epistemologias Negras. Interessados podem enviar um vídeo de até 3 minutos, explicando o porque deseja participar do ciclo anexado e um currículo atualizado. As inscrições podem ser feitas até o dia 15 de junho de 2021.  Em parceria com o Instituto Singularidade, a Casa Sueli Carneiro realizará sua primeira atividade voltada  para produção e trajetória de intelectuais negras e negros. Com a presença de Conceição Evaristo, Edson Cardoso, Muniz Sodré e Sueli Carneiro, o ciclo propõe discutir a produção de conhecimento a partir da pesquisapequisa e trajetória de cada conferencista convidado. As atividades se iniciam entre agosto e novembro de 2021. A diretora da Casa Sueli Carneiro e facilitadora do curso, Bianca Santana, explica sobre a importância de trabalhar com esse tema: “Acreditamos que acessar variadas formas de se produzir conhecimento fora ...

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A filósofa e ativista paulistana Sueli CarneiroDivulgação

A mulher do fim do mundo

Santana, BiancaContinuo preta: a vida de Sueli CarneiroCompanhia das Letras • 296 pp • R$ 59,90 O feminismo deve muito a Sueli Carneiro. Em 2002, durante uma entrevista para a revista Caros Amigos, ela proferiu a frase “Entre a esquerda e a direita, sei que continuo preta”, da qual sai o título da biografia encampada agora pela jornalista Bianca Santana. A obra trilha a caminhada da filósofa a partir de suas lutas em setenta anos de vida e quatro décadas de construção do movimento de mulheres negras. Ao lado de Abdias Nascimento e Lélia Gonzalez, a biografada é uma das principais intelectuais do movimento negro brasileiro.  O prólogo do livro contextualiza o encontro de Sueli com Abdias no Tribunal Bertha Lutz, evento de 1982 que buscava sensibilizar as pessoas contra a discriminação de gênero. Em seu discurso, o fundador do Teatro Experimental do Negro incorporou a voz das mulheres negras. Quando já encerrava ...

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Bianca Santana, jornalista, cientista social e pesquisadora - Foto: Bruno Santos/Folhapress

Treze de maio nas ruas

No papel, e só no papel, foi abolida a escravidão negra naquele 13 de maio de 1888. Já havia uma maioria de pretos livres. E direitos mesmo não foram garantidos a pessoas negras até hoje. No futuro, imagino que olhem para os nossos dias como pós-abolição; 132 anos são muito pouco perto dos quase 400 de escravização. Corpos negros ainda não são considerados humanos. Não deu tempo. Tempo, nkisi sobre o qual já escrevi por aqui, ontem foi celebrado na live de lançamento de “Continuo Preta: a vida de Sueli Carneiro”. De forma generosa, no bate-papo entre nós duas, Sueli Carneiro afirmou que eu era uma fazedora de tempos, por ter escrito o livro em meio a outras atividades. Levantou a bola para que eu pudesse contar que, na verdade, eu dançava com Tempo. E fazia oferendas a ele, normalmente com mel, pipoca, fumo. Hoje, com palavras. Para isso, peço ...

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Bianca Santana, jornalista, cientista social e pesquisadora - Foto: Bruno Santos/Folhapress

Assa-peixe

"Mas um punhado de folhas sagradas pra me curar, pra me afastar de todo mal. Para-raio, bete branca, assa peixe abre caminho, patchuli." Banho de Folhas, de Luedji Luna O arbusto de assa-peixe — também conhecido como chamarrita, cambará- guaçu, cambará-açu, cambará-branco — existe em abundância da Bahia a Santa Catarina. Aqui na Serra da Mantiqueira, no pedacinho do sul de Minas de onde escrevo, pode-se encontrar as folhas ásperas e pequenas flores brancas por todo lado. As abelhas atraídas por sua florada produzem um mel leve. Pecuaristas consideram a espécie invasora ou daninha, por atrapalhar o pasto. Eu, por minha vez, cantarolo Luedji Luna quando o vento traz seu perfume doce. Banhos de limpeza energética e espiritual costumam ser preparados com suas folhas e flores. Chás de suas folhas são indicados para tratar tosse e bronquite. Compressas aliviam dores musculares, reumatismo e problemas na pele. A infusão das raízes ...

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Foto: Marcus Steinmayer

Primeira biografia de Sueli Carneiro narra vida de lutas em prol da mulher negra

A Companhia das Letras marcou o lançamento da primeira grande biografia de Sueli Carneiro, uma das mais importantes ativistas do movimento de mulheres negras no Brasil. “Continuo Preta” sai daqui a um mês, em 11 de maio. Escrita pela jornalista Bianca Santana, a obra mostra como a vida da intelectual, que é doutora em educação pela Universidade de São Paulo e fundadora do Geledés, o Instituto da Mulher Negra, se confunde com a história da luta contra o racismo e o machismo estrutural no país desde, pelo menos, os anos 1970. Santana conta que, se dependesse de Carneiro, o livro seria todo sobre o ativismo político e a produção intelectual da época “e não falaria nada sobre ela”. “Além de não ter vaidade, a Sueli preza muito por dizer que tudo é coletivo, que mudanças só acontecem de forma coletiva, e que uma visão personalista reforçaria uma perspectiva neoliberal que ...

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Bianca Santana - Foto: João Benz

Coloque a máscara de emergência primeiro em você 

Foi o Cacá, Carlos Eduardo Corrêa, pediatra a quem tanto admiro e sou grata, que me lembrou como o alerta de segurança das aeronaves serviam para a vida: em caso de despressurização (ou, atualmente, de muita pressão), coloque a máscara de oxigênio primeiro em você antes de ajudar quem está ao seu lado. Não há egoísmo nisso, mas obviedade: se você deixar de respirar, não conseguirá apoiar ninguém. Essa é uma lição importante a ativistas que lidam, diariamente, com outra obviedade: nenhuma transformação é possível a partir do indivíduo, as mudanças sociais e as lutas efetivas para que ocorram são sempre coletivas. Mas na aposta acertada de se dedicar ao todo, ao grupo, há o risco de perder o fôlego e precisar parar. Escrevo este alerta para mim mesma e para minhas companheiras e companheiros de movimento negro. A luta pelo nosso povo só será efetiva se conseguirmos nos manter ...

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Bianca Santana - Foto: João Benz

Coração de bananeira

Quando eu tinha nove anos de idade, minha avó avaliou que era tempo de acabar com minhas crises respiratórias. Para isso, precisava de um coração de bananeira. Um desafio e tanto no conjunto habitacional onde vivíamos, na periferia norte de São Paulo, e com a pouca mobilidade para a zona rural naquela fase da vida. Uma vizinha falou com a outra que falou com a outra e soubemos que na favela à beira da estrada, rodovia Fernão Dias, havia um quintal com bananeira. Saímos, minha avó e eu, cruzando os sete campos de futebol que separavam a Cohab da favela, em busca da árvore. Lembro bem quando o dono do quintal veio até a porta ouvir o apelo de minha avó. Um senhor negro de pele clara, com bigode e barriga saliente, que prontamente pegou um facão para dar o coração da árvore — umbigo segundo alguns — para dona Polu. ...

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Arte: Danilo de Paulo

Casa Sueli Carneiro: acervo e biblioteca na casa da ativista serão abertos ao público

A antiga casa da filósofa e ativista antirracista Sueli Carneiro será aberta ao público! Em passos pequenos, Bianca Santana está lançando a Casa Sueli carneiro, projeto que pretende disponibilizar o acervo e a biblioteca de Sueli tanto de forma digital como presencial. Em conversa com Marie Claire, Bianca - autora do livro Quando me descobri negra - contou que a ideia surgiu durante seu processo de escrita da biografia de Sueli, fundadora e diretora do Geledés — Instituto da Mulher Negra. Durante os encontros para trabalhar na biografia, que será publicada pela Companhia das Letras ainda este ano, Bianca teve acesso à biblioteca, a atas de reuniões e a todo o acervo histórico da autora. Por conta da pandemia do coronavírus, os arquivos serão disponibilizados primeiramente online enquanto uma equipe prepara a casa para a abertura presencial do local. Além de Bianca e Sueli, também estão envolvidas Luanda, filha da ativista, e a economista Letícia Silva, que está desenvolvendo ...

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Arte: Danilo de Paulo

Casa Sueli Carneiro é espaço de celebração, formação e memória

Imagine Sueli Carneiro e Cidinha da Silva conversando na sala de uma casa, e então chega Luiza Bairros. No quintal, Arnaldo Xavier finaliza um poema. Enquanto na cozinha, Jurema Werneck, Lucia Xavier e Nilza Iraci preparam a feijoada. A casa onde Sueli Carneiro viveu por 40 anos foi abrigo para partilhas de intelectuais e ativistas do movimento negro e do movimento de mulheres negras por décadas. Reuniões e celebrações importantes aconteceram no sobrado geminado do Butantã, próximo à Cidade Universitária, que recebeu até um terreiro de candomblé. Ativistas e intelectuais de todo o país, que precisavam de abrigo, passaram temporadas no espaço onde Sueli Carneiro escreveu sua obra. Abrir as portas para abrigar institucionalmente variadas expressões de ativismo e intelectualidade negra é o objetivo da Casa Sueli Carneiro. Assim como organizar, digitalizar e tornar acessíveis documentos, fotografias, recortes de jornal e atas de reuniões para pesquisadoras e pessoas interessadas na ...

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Bianca Santana - Foto: João Benz

Com quase 2 mil mortes em 24h, perseguir jornalista é prioridade do governo

Mais de 257 mil pessoas abandonadas à morte por covid, 1.840 nas últimas 24 horas. Não temos vacina, nem comida na mesa de milhares de pessoas. Mas o presidente da República, representado por sua advogada, teve tempo de recorrer à Justiça contra a decisão que o condenou por ter me acusado falsamente de publicar uma notícia falsa. Prioridades. (Leia aqui: Bolsonaro é condenado pela Justiça a indenizar colunista do UOL) A apelação completa pode ser lida aqui, mas, Em resumo, o argumento é de que eu não sofri danos e que o caso foi julgado à revelia, ou seja, sem a resposta dele, que não apresentou contestação à ação no prazo e ainda reconheceu a acusação falsa em uma live. Deixo com a melhor advogada do país e com o time montado por ela a minha defesa. Enquanto trabalhamos para, no futuro, ter um presidente que priorize governar em benefício das ...

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Bianca Santana, jornalista, cientista social e pesquisadora - Foto: Bruno Santos/Folhapress

Notícia sem contexto contribui para o genocídio negro no Brasil, afirma pesquisadora

Como parte dos projetos especiais dos 100 anos da Folha, o jornal convidou 13 integrantes de grupos sub-representados no jornalismo profissional praticado no Brasil. Eles expõem episódios de preconceito e desinformação, além de problemas na relação com jornalistas e na forma como a imprensa noticia —ou não noticia— questões que os afetam direta ou indiretamente. Batizada de “E Eu? - O Jornalismo Precisa me Ouvir”, a série é formada por vídeos e depoimentos em forma de texto. Cientista social e pesquisadora, com uma tese sobre memória e escrita de mulheres negras, Bianca Santana, 36, fala sobre a representação das pessoas negras na imprensa. Ela é autora do livro “Quando Me Descobri Negra” e colunista da revista Gama. Leia entrevista ou assista ao vídeo (há uma versão com recursos de acessibilidade logo abaixo). VERSÃO COM RECURSOS DE ACESSIBILIDADE Na infância, além dos gibis da Turma da Mônica, eu gostava de ler a Veja. Minha ...

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Bianca Santana - Foto: João Benz

Queremos uma presidenta em 2022!

"Aprendemos a administrar a escassez e, como Cristo, temos multiplicado o pão em nossas mesas. Milagres que os nossos economistas não sabem realizar", escreveu Sueli Carneiro, no ano 2000, para o seminário "Por um tempo feminino". Com o Brasil de volta ao mapa da fome e governantes brincando de armar a população, precisamos que as mulheres assumam o comando do país. Jacinda Ardern, primeira-minsitra da Nova Zelândia, é exemplo de liderança no combate à covid-19Imagem: Hannah Peters/Getty Images Tem sido notícia durante a pandemia como países governados por mulheres se destacaram no enfrentamento ao coronavírus. Nova Zelândia, Alemanha, Taiwan, Islândia e Noruega. A notícia mais recente, do domingo 14 de fevereiro, é de que a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, decretou um lockdown de três dias em Auckland, maior cidade do país, depois do registro de três casos de covid-19. Não é curioso que as mulheres fossem 70% ...

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Bianca Santana - Foto: João Benz

Sueli Carneiro recebe prêmio da Lasa por sua produção acadêmica

Ativista. É assim que Sueli Carneiro se apresenta. A mulher que dedicou sua filosofia, escrita, intelectualidade, titulação acadêmica ao enfrentamento coletivo às desigualdades de raça e gênero foi premiada, no último 8 de fevereiro, pela Associação de Estudos Latino-Americanos (Lasa). "A Dra. Carneiro, recebe este prêmio por sua vasta produção acadêmica centrada nas relações raciais e de gênero na sociedade brasileira, (...) bem como pelo seu destacado compromisso no âmbito das políticas educativas", registra a página da entidade. Em 1985, Sueli Carneiro publicou um livro pela primeira vez. Era a década da mulher, instituída pela ONU, e o Conselho Estadual da Condição Feminina negociara, um ano antes, uma coleção de livros com a Editora Nobel. Em uma reunião tensa, Thereza Santos, que representava as mulheres negras no Conselho, definiu: "Nós queremos um volume. Vamos escrever um livro específico sobre a mulher negra". Na saída, olhou para Sueli, com 34 anos de ...

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Bianca Santana - Foto: João Benz

Covid-19 e a população negra brasileira

Na semana passada, a Relatora Especial Sobre Formas Contemporâneas de Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Relacionada do Conselho de Direitos Humanos da ONU (OHCHR), Tendayi Achiume, fez reuniões com movimentos e organizações da sociedade civil brasileira. Como representante do Instituto de Referência Negra Peregum, participei da consulta feita pela relatora na sexta-feira (29) sobre os impactos da covid-19 na população afrobrasileira. Após a reunião, foram enviados documentos para que a relatora compreenda melhor o atual cenário do racismo no Brasil e possa preparar sua próxima visita ao país. Destaco abaixo as principais informações do documento produzido por mim, pela comunicadora Jéssica Ferreira, a médica Bruna Santo Silveira e a advogada Sheila de Carvalho, e enviado à relatora pelo Instituto Peregum. A primeira vítima fatal de covid-19 no Brasil foi Cleonice Gonçalves, uma mulher negra de 63 anos de idade, trabalhadora doméstica, hipertensa e com diabetes. Cleonice foi contaminada no Rio de Janeiro por ...

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Bianca Santana - Foto: João Benz

Em livro, Preta Ferreira tira o sono e convoca à luta

A ansiedade para ler "Minha carne: diário de uma prisão" (Boitempo, 2021), de Preta Ferreira, começou há pouco mais de um ano, quando soube que o livro seria publicado. Nos mais de 100 dias de cárcere, a escrita, assim como a leitura, foi companheira, arma e cura de Preta, acusada de de associação criminosa e extorsão por ser liderança do Movimento Sem Teto do Centro (MSTC). "Eu sei que não sou nada disso que me acusam, mas, no momento, até provar que sou inocente, estou na condição de re-educanda e sou mais um número entre as presas injustamente do país, mais uma presa política", escreveu Preta no 52° dia de cárcere. Capa do livro "Minha Carne", de Preta FerreiraImagem: Divulgação Nas 223 páginas do livro, Preta Ferreira narra o dia a dia da Penitenciária Feminina de Sant'Anna e das outras celas por onde passou, conta histórias de ...

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Bianca Santana (Foto: Natália Sena)

Cuidados comunitários evitam mortes por Covid-19

Como já contei em textos anteriores, o projeto Agentes Populares de Saúde oferece monitoramento a pessoas com sintomas de Covid-19 em cinco territórios onde a UNEafro atua. Com o apoio de médicas e médicos voluntários, a utilização de termômetros, oxímetros e a distribuição de materiais informativos, agentes populares contribuem com o SUS e desafogam o sistema de saúde ao apoiarem cuidados domésticos, ao mesmo tempo que salvam vidas ao identificar casos de agravamento no momento exato em que o hospital se torna necessário. A baixíssima taxa de letalidade do projeto é um dos indicadores que permitem afirmar sua eficácia: de 387 pessoas com sintomas de Covid-19 monitoradas até 10 de novembro de 2020, data do último relatório produzido, apenas 23 precisaram de internação hospitalar e uma morreu. Apesar do luto pela morte de Jorge Luiz Neves Pereira, aos 67 anos, vibramos a cada pessoa que se recupera sem precisar de internação ...

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Bianca Santana - Foto: João Benz

“Mas morreu esse tanto de gente por covid-19 mesmo?”

A pergunta que temos ouvido com o anúncio de 200 mil pessoas mortas por covid-19 no Brasil ajuda a compreender o cenário que estamos vivendo. A descrença nas informações oficiais (não à toa). A descrença na imprensa (também não à toa). O negacionismo que, por progressão geométrica, vai do Planalto às praias e bares, tendo passado por campanhas eleitorais da direita e da esquerda. Nosso negacionismo não é novidade. Arrisco afirmar que nossa negação histórica é o ovo da política de morte do governo Bolsonaro. Não apenas porque permitimos, sem sanção, a continuidade da campanha de um pré-candidato que cometeu o crime de racismo ao afirmar que "quilombola não serve nem para procriar". Nem porque renovamos continuamente os mandatos de um deputado federal que elogiava torturadores, defendia a ditadura, e chegou a interromper a inauguração de um busto em homenagem a Rubens Paiva com uma cusparada. Mas principalmente por convivermos ...

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