terça-feira, novembro 24, 2020

    Tag: eleições

    Logo Uneafro (Foto/Reprodução/Uneafro )

    Organizações do movimento negro publicam manifesto em apoio a Boulos em SP

    Organizações do movimento negro lançaram um manifesto em apoio à candidatura de Guilherme Boulos (PSOL), que disputa o segundo turno contra Bruno Covas (PSDB) em São Paulo. Entre os signatários estão grupos como Educafro, Uneafro Brasil, Movimento Negro Unificado e Marcha de Mulheres Negras de SP. "Nós, população negra organizada, mulheres negras, pessoas faveladas, periféricas, LGBTQIA+, que professam religiões de matriz africana, quilombolas, pretos e pretas com distintas confissões de fé, moradoras e moradores da cidade de SP, manifestamos nosso apoio à candidatura de Guilherme Boulos e Luiza Erundina e à urgência em derrotar o PSDB genocida e o bolsonarismo na cidade de São Paulo", diz trecho do manifesto. O site da Uneafro publicou o manifesto na íntegra e links para grupos de apoio no WhatsApp. Painel Editado por Camila Mattoso, espaço traz notícias e bastidores da política. Com Mariana Carneiro e Guilherme Seto. Fonte: Folha de S. Paulo, por ...

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    Quilombo Periférico, eleito para a Câmara de SP, é formado por seis integrantes — Foto: Reprodução/ Facebook

    O avanço dos mandatos coletivos

    A cidade com o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país tem uma história política dominada pelo conservadorismo. Em 2018, São Caetano do Sul, no Estado de São Paulo, chegou a dar 70% dos votos para Jair Bolsonaro em algumas de suas sessões eleitorais. Neste ano, a disputa pela Prefeitura se deu entre forças políticas da direita tradicional na região, vencida pelo PSDB. Diversamente de outras cidades do ABC paulista, São Caetano nunca foi governada pelo PT. Foi exatamente nesse cenário pouco propício às esquerdas ou à defesa dos direitos sociais que a terceira candidatura mais votada foi a do coletivo Mulheres por Direitos, do PSOL. Três jovens combativas, Bruna Chamas Biondi, Fernanda Gomes e Paula Aviles, receberam 2101 votos, ultrapassando velhos dirigentes da política local. O mais votado de São Caetano integra o PSDB, partido do Prefeito, e obteve 3008 votos. A máquina eleitoral da direita e os ...

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    A nossa única opção é mudar o mundo e não faremos isso sozinhas ou mal acompanhadas - Marcello Casal Jr. / Fotos Públicas

    No dia da consciência negra, precisamos falar sobre eleições municipais

    Nós, mulheres negras, ainda somos minoria na política. Este quadro reflete a desigualdade e o racismo que nos coloca em uma maioria de pessoas sem acesso a direitos. No Rio de Janeiro, elegemos duas mulheres negras de esquerda, Tainá de Paula (PT), a mais votada neste campo político, e Thais Ferreira (Psol). Homens brancos seguem confirmando e protegendo os seus privilégios também no processo eleitoral. Em âmbito nacional, o perfil médio do eleito é homem, branco, casado, com ensino médio completo e média de idade de 44 anos, segundo levantamento do portal G1 com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dentre os mais de 58 mil eleitos para as Câmaras municipais, 84% são homens e 16% mulheres. Um resultado vergonhoso em termos de paridade que deveria preocupar seriamente os partidos políticos comprometidos com a democracia para além da retórica. Esses dados não informam outros padrões que sabemos que existem, como ...

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    A filósofa e educadora Sueli Carneiro (Foto: Marcus Steinmayer)

    Mulheres negras e poder: um novo ensaio sobre as vitórias

    Em respeito às mais velhas, peço licença, agradeço e me pergunto: por onde andavam todos vocês, que não estavam lendo e ouvindo Sueli Carneiro? Em 2009, Sueli Carneiro (filósofa, escritora e ativista) escreveu um ensaio intitulado “Mulheres negras e poder: Um ensaio sobre a ausência”, afirmando que, infelizmente, a relação entre as mulheres negras e o poder era inexistente. Sueli não tratava apenas da ausência pela baixa representação, falava sobre aquelas mulheres negras que, mesmo presentes na institucionalidade, foram interrompidas por questões advindas da das discriminações de raça e de gênero. As políticas Matilde Ribeiro (Ex-ministra da SEPPIR) e Benedita da Silva (Ex-governadora, atual deputada federal, que também disputou a prefeitura do Rio, ficando em quarto lugar), estavam entre elas. Na descrição cirúrgica dos episódios, Sueli Carneiro tratou em seu texto sobre a violência política de gênero e raça sofrida por essas mulheres e como, ontologicamente, se vinculam as mulheres ...

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    Ilustração: Stephanie Pollo

    A violência política contra parlamentares negras

    Somos seis mulheres negras parlamentares. Enquanto você lê este artigo, é provável que uma de nós, ou uma de nossas companheiras, esteja sendo alvo de algum tipo de agressão. A sub-representação de mulheres negras nos espaços de poder e nos processos eleitorais tem como causa as incontáveis práticas de violência política, que se apresentam como barreiras antes mesmo de sermos candidatas e se mantêm durante processos eleitorais e após sermos eleitas. Somos intimidadas em todas as instâncias. A brutalidade a que nós somos submetidas não tem sutilezas. Vai de “piadas” infames e provocações, passando por intimidações, ataques virtuais e até ameaças graves, como a que levou a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) a pedir proteção à ONU. Carregamos ainda a dor pelo assassinato atroz da vereadora Marielle Franco e o silêncio desmedido sobre quem mandou matá-la e por quê. É precisamente essa a definição de violência política: atos sistêmicos com ...

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    Edson Cardoso, professor e jornalista | Foto: Sergio Silva/Ponte Jornalismo

    O Real – Dois Extremos

    Em meio à grande violência policial contra negros e pobres, o PT-BA apostou numa major da PM como candidata à prefeitura de Salvador. A menos de dez dias da eleição, um crítico de cinema, João Paulo Barreto, divulgou o artigo “Força assassina”, no Caderno2 do jornal “A Tarde” (edição de 6/11/2020, p. B7). A população de Salvador é testemunha cotidiana dessa força (fúria) assassina e inúmeros episódios poderiam aqui ilustrá-la. A coluna de Barreto trata do documentário “Sem descanso”, dirigido por Bernard Attal, que está sendo exibido em duas salas de Salvador. Segundo ainda a coluna de Barreto, Attal é francês e vive no Brasil desde 2005. Não vi ainda o documentário, não me atrevo a tanto em meio a uma pandemia. Mas a resenha de Barreto chamou a minha atenção e gostaria de poder ver o documentário, assim que as condições permitirem. A violência registrada por Attal, facilmente visualizada, ...

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    Líder do maior quilombo do Brasil, Vilmar Kalunga foi eleito prefeito em Cavalcante (GO) (Foto: Arquivo Pessoal)

    Maior quilombo do Brasil elege pela 1ª vez o prefeito de cidade de Goiás 

    A eleição de Vilmar Souza Costa (PSB), 40, para prefeito de Cavalcante (GO) no último domingo (15) guarda alguns marcos históricos: conhecido como Vilmar Kalunga, ele foi o primeiro representante do maior quilombo do Brasil a conquistar um cargo eletivo e, neste ano, foi o único quilombola a conquistar uma prefeitura no país —antes dele, houve apenas um caso, em Açucena (MG), em 2012. Em Cavalcante, apesar de corresponder à maioria da população local, a comunidade Kalunga ainda não havia conseguido eleger um prefeito. Ele estima que os quilombolas correspondem a 80% dos moradores da cidade —que tem 9.725 habitantes, segundo estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O prefeito eleito disse ao UOL que foi preciso conscientizar a população para romper estigmas históricos que ainda colocam os quilombolas na incômoda posição de "bons para votar, não para serem votados". Para ele, isso é fruto da herança histórica ...

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    Caroline Dartora será a primeira negra a ocupar uma cadeira de vereadora em Curitiba (Foto: Joka Madruga/Divulgação)

    Celebrando avanços, ONG lança plataforma sobre mulheres na política

    As eleições municipais deste ano foram marcadas sobretudo pela pluralidade de mulheres que conseguiram alcançar cargos políticos. De acordo com a Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), 25 mulheres transexuais foram eleitas no Brasil nesse pleito. O número representa um aumento de 212% em relação às candidaturas eleitas em 2016. As mulheres negras também estão em destaque nestas eleições. Em Porto Alegre, Karen Santos (PSOL) foi a vereadora mais votada da capital gaúcha, e no Recife, Dani Portela (PSOL) também ficou em primeiro lugar entre os candidatos à Câmara Municipal. Entre as capitais, Curitiba se destacou por ter eleito sua primeira vereadora negra, Carol Dartora (PT). Para a mestre em ciências sociais e uma das quatro diretoras do Instituto Alziras, Michelle Ferreti, "essas candidaturas abrem espaço para que outras mulheres negras e transexuais cheguem a cargos políticos. Temos muito a comemorar, mesmo que em termos de paridade esses números ...

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    Quilombo Periférico, eleito para a Câmara de SP, é formado por seis integrantes — Foto: Reprodução/ Facebook

    Eleições 2020: Quilombo Periférico levará para a Câmara Municipal de SP a tradição de se aquilombar

    Com uma campanha abraçada por diversos setores da sociedade civil, como o movimento negro, educação popular e cultura periférica, a Chapa Quilombo Periférico levará para a câmara Municipal de SP a cultura de se "aquilombar". "Isso não é um projeto só de São Paulo. Isso é um projeto de nação de um povo. É muito importante que as pessoas entendem que quando a gente fala aquilombe-se é para se aquilombar. É para abrir esse gabinete para as pessoas saberem como funciona. É para politizar e trazer consciência e socialização da política para o nosso povo e para nossa quebrada", explica Alex Barcelos, um dos integrantes do mandato coletivo. A chapa Quilombo Periférico é composta por moradores de territórios periféricos localizados no Jardim São Luís, Campo Limpo, Sapopemba, "Esse é um mandato que tem cor, ancestralidade e raiz"Guaianases, Cidade Tiradentes e Centro. Esse é um mandato que tem cor, ancestralidade e ...

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    FOTO: ARQUIVO/FERNANDO FRAZÃO/AGÊNCIA BRASIL

    Câmara de SP tem recorde de mulheres eleitas; entre as mais votadas, a transexual Erika Hilton

    O total de mulheres eleitas vereadoras por São Paulo nesta eleição bateu recorde. De acordo com dados oficializados nesta segunda, 16, pelo Tribunal Superior Eleitoral, os paulistanos elegeram 13 candidatas - duas delas estão entre as 10 mais votadas, sendo uma transexual: Erika Hilton (PSOL). Nos últimos oito anos, o aumento da participação feminina no Legislativo Municipal foi de 116%. Em 2012, foram eleitas seis parlamentares e há quatro anos, o total foi de 11. O resultado deste ano destinará 23% das 55 cadeiras a mulheres. Na comparação com a atual composição, o ganho é ainda maior, já que atualmente são 8 exercendo o mandato. A diferença se dá porque uma foi eleita deputada federal em 2018, uma se licenciou do cargo para disputar a reeleição e outra deixou o cargo para virar secretária municipal. A partir de janeiro de 2021, a lista de mulheres novas na Câmara também será ...

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    A deputada-federal Luiza Erundina (PSOL-SP) (Foto: Arquivo pessoal )

    Candidata à vice-prefeita de SP, Erundina tem pressa: “A velhice não impede o sonho”

    Luiza Erundina viveu para a política. Ou melhor, "tem vivido", ela mesma corrige. Aos 85 anos, a então deputada federal por São Paulo pelo PSOL é pré-candidata na chapa do mesmo partido com o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) Guilherme Boulos à prefeitura da maior cidade da América do Sul. Aceitou a empreitada primeiro porque era condição de Guilherme para se lançar à disputa, depois porque tem pressa em mudar as coisas. A atual situação do país, segundo ela, "sob uma ditadura fruto de uma eleição democrática", a empurra em seguir trabalhando no que nasceu para fazer, "política". São 50 anos como moradora de São Paulo e 64 a serviço da gestão pública – seu primeiro emprego na área foi aos 24 anos, como diretora de Educação e Cultura da Prefeitura de Campina Grande. Nascida em Uiraúna, sertão paraibano, perdeu as contas das madrugadas em que migrou ...

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    O quilombola Vilmar Kalunga foi eleito prefeito de Cavalcante, GO — Foto: Reprodução/Facebook

    Cavalcante elege primeiro prefeito quilombola da cidade

    Vilmar Souza Costa, conhecido como Vilmar Kalunga, será o primeiro prefeito quilombola da cidade de Cavalcante, em Goiás. Filiado ao PSB, ele venceu as eleições nesse domingo (15/11) com 35,95% dos votos (1.959). O socialista nasceu no Vão do Moleque, localizado no Quilombo Kalunga, foi presidente da associação que representa os moradores do território e se tornou conhecido após atuar pela demarcação de terras na região. Além disso, ele é formado em educação no campo e tem pós-graduação em ciências da natureza e matemática. Durante a campanha, o prefeito eleito recebeu o apoio do ex-governador do Distrito Federal Rodrigo Rollemberg (PSB). “Conte comigo, no Congresso Nacional, para buscar emendas parlamentares para melhorar a qualidade de vida no município de Cavalcante”, disse o socialista em vídeo publicado nas redes sociais. Os Kalunga são maior comunidade de remanescentes de quilombolas do Brasil - descendentes de escravos que fugiram e formaram comunidades. No ...

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    Erika Hilton, eleita vereadora em São Paulo (Foto: Karime Xavier - 3.dez.19/Folhapress)

    A revolução começa preta e trans

    Os dados estão lançados no tabuleiro. Centrão e direita tradicionais –como PSD/DEM/MDB/PP– saem vitoriosos em termos de prefeituras, o que é relevante para verificar que o continuísmo permanece forte, capilaridade partidária ainda importa e a revolução de extrema direita, se a eleição municipal servir de algum parâmetro, definha. Ainda é cedo para decretar a morte política da extrema direita, mas que ela passa mal, passa. Neste jogo, Bolsonaro é o azarão ao fundo, e sai massacrado. Seu filho, Carlos Bolsonaro, se reelegeu como vereador no RJ, mas com 35 mil votos a menos do que em 2016. Mesmo que seja ainda expressivo para quem nada faz no cargo que ocupa, ainda assim é uma derrota do bolsonarismo como projeto de pátrio poder. Quem faz política personalista com robôs e sem partido mais cedo ou mais tarde morre na praia, ou ali permanece vendendo açaí. Que o diga Wal Bolsonaro e ...

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    Integrantes do mandato coletivo Quilombo Periférico (Foto: Reprodução/Instagram)

    Um quilombo na Câmara Municipal de São Paulo 

    Elaine Mineiro. Debora Dias. Samara Sosthenes. Julio Cesar. Alex Barcellos. Erick Ovelha. Ativistas dos movimentos negro e das periferias. Estudantes, professores e coordenadoras de cursinhos populares. Sueli Carneiro. Douglas Belchior. Beatriz Lourenço. Vanessa Nascimento. E ainda mais lideranças. Um mandato coletivo motivado por valores ancestrais e comunitários, a serviço de quem permanece na base da pirâmide social da maior cidade do Brasil, ocupará uma das cadeiras da Câmara Municipal de São Paulo a partir de 2021. Tomo emprestadas algumas das palavras da militante do movimento negro e historiadora Beatriz Nascimento, publicadas no artigo "O conceito de quilombo e a resistência cultural africana", de 1985: "Durante sua trajetória, o quilombo serve de símbolo que abrange conotações de resistência étnica e política. Como instituição guarda características singulares de seu modelo africano. Como prática política apregoa ideias de emancipação de cunho liberal que a qualquer momento de crise de nacionalidade brasileira corrige distorções ...

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    urna eletrônica. Foto: Nelson Jr./ ASICS/TSE

    Negros e mulheres avançam nas urnas e aumentam presença no 2º turno das eleições

    No ano de estreia da regra que obriga os partidos políticos a distribuir de forma proporcional a verba pública de campanha entre os candidatos brancos e negros, os pretos e pardos tiveram um avanço na eleição para prefeitos, mas o desempenho ainda está longe de refletir o retrato da população brasileira. O resultado das urnas mostra que 32% dos prefeitos eleitos no primeiro turno, em todo o país, se declararam negros (pretos ou pardos). Os brancos somaram 67%. Os números do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), compilados pelo DeltaFolha, mostram um avanço em relação a 2016, quando os prefeitos eleitos brancos, no primeiro turno, somavam 70,4%, contra 29% de negros. Apesar do crescimento, o resultado ainda está bem distante de refletir a divisão entre negros e brancos na população brasileira —56% são pretos e pardos— e entre os próprios candidatos lançados —50% foram negros, 48%, brancos. Já em relação às mulheres, ...

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    Vilmar Kalunga, primeiro prefeito quilombola de Cavalcante-GO (Foto: Reprodução / Conaq)

    Quilombolas elegeram 56 representantes na eleição de ontem em dez estados — um recorde

    A eleição de ontem marcou dois recordes para a população quilombola em processos eleitorais. O primeiro relaciona-se ao número de candidatos a prefeito e a vereador. Cerca de 500, de acordo com um levantamento da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq). O segundo recorde deu-se quando se apuraram os votos. Foram eleitos 56 quilombolas: um prefeito (em Cavalcante, Goiás), um vice (em Alcântara, Maranhão) e 54 vereadores em dez estados. Fonte: O Globo, por Lauro Jardim

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    urna eletrônica. Foto: Nelson Jr./ ASICS/TSE

    Dos 44 candidatos que disputarão o 2º turno nas capitais, 14 são negros

    Das 100 candidaturas que se declararam negras e disputaram a eleição à Prefeitura de 25 capitais brasileiras, 14 chegaram ao segundo turno. Do total, seis venceram o pleito eleitoral no primeiro turno em seus municípios. Em cinco capitais, o segundo turno será disputado por dois candidatos negros: em Manaus (AM), Amazonino Mendes (Podemos) e David Almeida (Avante); em Teresina (PI), Dr Pessoa (MDB) e Kleber Montezuma (PSDB); em Boa Vista (RR), com Ottaci (Solidariedade) e Arthur Henrique (MDB); em Aracaju (SE), Edvaldo (PDT) e Delegada Danielle (Cidadania); e João Pessoa (PB), com Cícero Lucena (PP) e Nilvan Ferreira (MDB). Dos dois indígenas que se candidataram à prefeitura das capitais, Minoru Kinpara (PSDB), em Rio Branco (AC), e Vinícius Miguel (Cidadania), em Porto Velho (RO), nenhum avançou para o próximo turno. Nas capitais brasileiras, as candidaturas negras a prefeito, que incluem pretos e pardos, representaram 33,75% do total. Nas eleições de ...

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    Bia Caminha foi eleita vereadora com quase 5 mil votos (Foto: Imagem retirada do site UOL)

    Belém elege vereadora mais nova da história: “Mulher negra chegou à Câmara” 

    Aos 21 anos, a candidata Bia Caminha (PT) foi eleita hoje a vereadora mais nova da história de Belém. Ela recebeu 4.874 votos, e comemorou a vitória dizendo ser um sinal de "muita esperança". "A sensação é de muita alegria, de muita esperança. De que há espaço para a gente construir outra Belém. Uma Belém que caiba no tamanho dos nossos sonhos, no tamanho dos sonhos da juventude negra, das mulheres, da comunidade LGBTQI+", disse Bia ao UOL. A vereadora do PT ainda disse que sua eleição vem para "romper silêncios". "O que eu tenho a dizer para as mulheres eleitoras e políticas é que a nossa campanha trouxe o slogan para romper silêncios. Esse silêncio que é instituído no falar, mas também na nossa ausência nos espaços de decisão, nossa ausência na institucionalidade e nossa ausência na vida pública da cidade, que era pensada e feita somente por um ...

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    A escritora brasileira Carolina Maria de Jesus durante noite de autógrafos do lançamento de seu livro "Quarto de Despejo", em uma livraria na rua Marconi, em São Paulo (SP). (São Paulo (SP), 09.09.1960. (Foto: Acervo UH/Folhapress)

    Aviso da doutora Carolina Maria de Jesus

    Carolina Maria de Jesus (1914-1977) dizia que o Brasil deveria ser governado por alguém que já passou fome. Quando essa mulher negra, escritora, catadora, favelada e - em breve - doutora (honoris causa, em homenagem da Universidade Federal do Rio de Janeiro) articula a ideia acima, os temas da representação, da desigualdade racial e de classe, do acesso a direitos fundamentais, se apresentam de modo retumbante. O Brasil de hoje é o fruto de um processo de violência e exploração. E o fruto gerou sementes. As práticas de espoliação da terra, de abuso sobre os corpos, de violência, da limitação no acesso aos bens públicos podem ser vislumbradas como a tônica do desenvolvimento das nossas instituições. E sabemos que este debate se sustenta no Brasil e no mundo por meio de estruturas coloniais e capitalistas. E assim, em sua arguta afirmação, a doutora Carolina Maria de Jesus insere mais uma ...

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    Foto: Filipe Castilhos/Sul21

    Na luta por representatividade, negros são 3% dos candidatos às prefeituras do RS

    Dos 1.352 candidatos e candidatas a prefeituras nos 497 municípios do Rio Grande do Sul, apenas 11 são autodeclarados pretos e 30, pardos. Ou seja, 96,67% das candidaturas são de pessoas brancas, num estado em que a população negra representa cerca de 20% do total. Os autodeclarados pretos, que no último levantamento do IBGE eram 5,9% da população, são 1,9% dos candidatos. Isso significa que, mesmo que historicamente a região Sul tenha menor presença de afro-brasileiros do que outras partes do país, a sub-representação ainda é gritante. Até hoje, o Estado só teve um governador negro, Alceu Collares (PDT, 1991-1995), que também foi o único prefeito negro de Porto Alegre. Em termos de representatividade feminina, quem mora em Porto Alegre pode achar que este ano ela aumentou, visto que as três candidatas mulheres têm recebido bastante atenção na cidade. Manuela D’Ávila (PCdoB) lidera as pesquisas para a Prefeitura da Capital, ...

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