quarta-feira, novembro 25, 2020

    Tag: Fatima Oliveira

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    Mariana Menezes de Araújo Costa Pinto foi imolada pelo machismo

    Em 13 de novembro passado, a publicitária Mariana Menezes de Araújo Costa Pinto, 33, que tinha duas filhas, de 9 e 11 anos, casada com José Marcus Renato, evangélica, foi estuprada e assassinada em sua residência, em São Luís (MA), por seu cunhado Lucas Leite Ribeiro Porto, 37, também evangélico, casado com sua irmã Carolina Costa – o casal também tem duas filhas. O assassino, apesar de preso no mesmo dia e das muitas evidências que o colocavam na cena do crime, só confessou em 16 de novembro. Por Fátima Oliveira Enviado para o Portal Geledés  Mariana era filha do ex-deputado Sarney Neto, filho de Evandro Sarney, irmão do ex-presidente José Sarney, logo dois crimes hediondos na família Sarney, a demonstrar que as mulheres, no mundo, são mortas “como passarinhos” (que também é crime!) em qualquer classe social, alicerçados na cultura de que homens podem matar mulheres impunemente, mesmo com a Lei ...

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    A santíssima trindade da teocratização da República

    As duas versões do Escola sem Partido, movimento e projetos de lei, são de caráter não republicano e antidemocrático! O rótulo “escola sem partido” engloba duas coisas, a saber: um movimento idealizado, em 2003, pelo procurador do Estado de São Paulo, Miguel Nagib, católico; e, a partir de 2014, projetos de lei baseados nas ideias de Nagib que adquiriram visibilidade e fôlego sob o patrocínio da família Bolsonaro (PSC-RJ): o deputado estadual Flávio Bolsonaro apresentou, na Assembleia do Estado do Rio de Janeiro, um projeto de lei; e o vereador Carlos Bolsonaro, um similar na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Por Fátima Oliveira, do O Tempo  Escritos por Miguel Nagib viraram “modelos” para parlamentares ultraconservadores nas esferas municipal, estadual, federal. No Senado, o Projeto de Lei 193/2016, do senador Magno Malta (PR-ES), cantor gospel e pastor evangélico, visa alterar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), ...

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    A agenda pela concretização dos direitos da mulher

    Até 2002, o feminismo, sem muitas ilusões, apresentava às candidaturas ao Executivo (Presidência da República, governos estaduais e municipais) a plataforma eleitoral das mulheres – prática iniciada após a redemocratização do país (1985). A “Plataforma das Mulheres” servia de guia para a ação após as eleições. Era com ela nas mãos que conversávamos com os novos governos sobre as demandas femininas mais prementes. Era um documento geral, em que pontuávamos temas como creches, lavanderias e restaurantes públicos, escolas de qualidade, delegacias de mulheres, casas-abrigo, combate à mortalidade materna e implantação dos serviços de aborto previsto em lei (estupro e risco de vida da gestante). Após a Conferência de População do Cairo, em 1994, incluímos direitos reprodutivos. Por Fátima Oliveira No O Tempo O maior problema era, a cada quatro anos, “ensinar” aos secretários estaduais e municipais de Saúde a história do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher, de 1983/1985, ...

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    A cruzada do papa Francisco de satanização da teoria de gênero

    O papa Francisco, do alto da suposta infalibilidade papal, falseia a verdade sobre a teoria de gênero e a considera uma ideologia – uma invenção do contradiscurso cristão, de extração católica e evangélica, que é uma das maiores desonestidades intelectuais de todos os tempos! Por Fátima Oliveira enviado para o portal Geledés Há uma guerra ideológica de fundamentalistas cristãos no mundo contra o conceito de “gênero”. No Brasil, o acirramento ocorreu na tramitação do Plano Nacional de Educação (PNE, 2014) no Congresso Nacional, que excluiu gênero e orientação sexual, deixando as batalhas finais para as esferas estaduais e municipais – um caos com ares de terceira guerra mundial! E o Senado, afagando negociantes de Deus, excluiu, em 9.3.2016, a perspectiva de gênero como uma das atribuições das secretarias de Políticas para as Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. Precisamos ter seriedade diante de palavras cujo envolvimento com a sexualidade é ...

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    Os tanques de água da Chapada do Arapari expressam um escárnio

    Sempre que ouço falar sobre lugares secos, falta de água potável e o rentável e explosivo negócio de água engarrafada, sinto o desejo de compartilhar um trecho de meu romance “Então, Deixa Chover” (Mazza Edições, 2013), que conta sobre os tanques de água de chuva da Chapada do Arapari, um lugar aonde o poder público não comparece. Eis um trecho do livro: Por Fátima Oliveira enviado para o Portal Geledés “Eu não sabia se olhava para as galinhas que ciscavam bem perto de nós ou para meu marido, cuja única aspiração era ser um fazendeiro e ter uma casa confortável ali naquela roça ‘onde Judas perdeu as botas’. Estremeci, assustada pelo ganir de um cachorro pirento, nojento e fedido. Mas tão fedido que senti meu estômago embrulhar... E o cachorro se esfregava numa tora de madeira e latia como um gemido. “Alguém se apressou a dizer que o bichinho estava com ...

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    Saber ousar, à moda antiga ou moderna, exige arte e manha

    Foi com arte e manha que a negra feminista Áurea Carolina, 32, cientista política e especialista em gênero e igualdade, em Belo Horizonte, pelo PSOL, e o negro Domingos Dutra, 60, advogado, nascido no Quilombo Saco das Almas (Brejo-MA), em Paço do Lumiar (MA), pelo PCdoB, foram vitoriosos nas eleições de 2016 e entraram de cabeça erguida para a história de suas cidades. Por Fátima Oliveira enviado para o Portal Geledes Ela, a vereadora mais votada da história de BH; e ele, o primeiro prefeito de esquerda de Paço do Lumiar, na ilha de São Luís, a quarta cidade mais antiga do Maranhão (22.5.1625) – pertenceu a São Luís e a São José de Ribamar. Virou município em 1959. Desde 1965 era dominada por apadrinhados do Futi (como ele chama Sarney): dois condenados por corrupção quando prefeitos, Bia Venâncio (2012) e Gilberto Arôso (2016), um dos adversários que Dutra derrotou! O ...

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    Eleição é tempo de promessas e, nosso papel, cobrar cumprimento

    Em 2 de outubro ocorreram eleições em todo o país para prefeitos (as) e vereadores (as). A peleja agora é para quem se elegeu e deve evoluir: “pensar global e agir local” pela preservação da democracia no Brasil. Por Fátima Oliveira enviado para o Portal Geledes Ao acordar no dia das eleições, senti saudades do tempo em que boca de urna não era delito eleitoral (artigo 39, parágrafo 5º, I e II, Lei Ordinária 9.504/1997). Nunca entendi boca de urna como um cerceamento da vontade do (a) eleitor (a). Agora é crime! Até ri pensando que, se vovó Maria Andrelina fosse viva, no fuzuê das eleições onde moro, pediria para ela fazer uma promessa para a gente vencer, embora ela dissesse que não fazia promessa para ninguém ganhar eleição porque “a gente nunca sabe quem é mais mentiroso, pois ‘inleição’ é tempo de promessa”. Era uma santeira de muita fé, e meu ...

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    ‘Uma Ponte para o Futuro’ é ajuste estrutural x Estado de bem-estar

    Michel Temer, sem nenhum pudor, em seu discurso na ONU, defendeu o “processo de impeachment de Dilma Rousseff como legal e legítimo” (20.9.2016). Sem novidades! Por Fátima Oliveira, do O Tempo  Todavia, ele foi mais despudorado no discurso após almoço com empresários e investidores na sede da American Society/Council of the Americas (21.9.2016), ao confessar: “Há muitíssimos meses atrás (sic), nós lançamos um documento chamado ‘Ponte para o Futuro’ porque verificávamos que seria impossível o governo continuar naquele rumo e até sugerimos que adotasse as teses que nós apontávamos. Como isso não deu certo, não houve a adoção, instaurou-se um processo que culminou agora, com a minha efetivação como presidente da República” (“Temer: impeachment ocorreu porque Dilma recusou ‘Ponte para o Futuro’, “Carta Capital”, 23.9.2016). Reavivando a memória. Em 10.7.2016, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), apresentou o que dizia ser a salvação nacional: a Agenda Brasil – alicerçada no ...

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    Será que conseguimos expurgar o jaguncismo da política brasileira?

    A resposta não é fácil, embora tenha sido cassado, recentemente, em 12.9.2016, o mandato do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que presidiu a Câmara dos Deputados de 1º de fevereiro de 2015 até renunciar ao cargo, em 7 de julho de 2016. Ele é a figura mais escancarada do jaguncismo da política brasileira: lobista e evangélico fundamentalista, aspirava tornar o Brasil uma teocracia neopentecostal. Por Fátima Oliveira enviado para o Portal Geledés Desde a eleição do atual Congresso Nacional, o diretor de Documentação do Diap, Antônio Augusto, cantou a pedra: “São sérios os riscos de retrocessos em relação aos direitos civis e à legislação trabalhista”, pois o Congresso eleito em 2014 era o mais conservador desde o fim da ditadura de 1964 – mais do que suficiente para dar o ar de trevas que nada tem a dever à jagunçagem! Vivenciamos até agora uma explosão de ódio fascista ao povo e ...

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    Fátima Oliveira: Candidatos parecem morar em bolha, nada a ver com a perda de direitos

    O novo cenário nacional das eleições municipais de 2016 Por Fátima Oliveira Do Viomundo  Gosto de eleições. Desde criança. Com o passar dos anos, o gosto só foi aumentando pari passu o maior entendimento do processo político. O período eleitoral é momento especial para aumentar a consciência política do povo, discutir a importância e o valor do voto na aquisição e manutenção da cidadania, do bem comum, bem como colocar em debate a cidade, o Estado e o país que queremos. Quando da escolha de um prefeito ou uma prefeita, o que faz sentido é indagar o que queremos da futura administração da cidade, pois todo município é, no mínimo, dois, e o caminho da cidadania implica diminuir o fosso que separa um do outro, adotando a equidade: mais para quem precisa de mais. As eleições municipais são mais intimistas, logo, mais apropriadas para diálogos. O financiamento empresarial para as candidaturas ...

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    O novo cenário nacional das eleições municipais de 2016

    Gosto de eleições. Desde criança. Com o passar dos anos, o gosto só foi aumentando pari passu o maior entendimento do processo político. Por Fátima Oliveira enviado para o Portal Geledés O período eleitoral é momento especial para aumentar a consciência política do povo, discutir a importância e o valor do voto na aquisição e manutenção da cidadania, do bem comum, bem como colocar em debate a cidade, o Estado e o país que queremos. Quando da escolha de um prefeito ou uma prefeita, o que faz sentido é indagar o que queremos da futura administração da cidade, pois todo município é, no mínimo, dois, e o caminho da cidadania implica diminuir o fosso que separa um do outro, adotando a equidade: mais para quem precisa de mais. As eleições municipais são mais intimistas, logo, mais apropriadas para diálogos. O financiamento empresarial para as candidaturas nos últimos 20 anos torna até as eleições ...

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    Abaixo de Deus, só as parteiras de Santana do Riachão

    “Em um momento em que o Sistema Único de Saúde (SUS), a maior política pública de saúde do Brasil e do mundo, está sendo esquartejado, contar num romance a história de como conquistamos na Constituição Federal de 1988 o ‘saúde é direito de todos e dever do Estado’ não há o que pague! E narrada por quem viveu aqueles momentos. A universalidade do SUS resulta de muita luta popular. Por Fátima Oliveira enviado para o Portal Geledés “Que o ‘Vidas Trocadas: Memórias de Médicas’ chegue logo às livrarias. Até o livro sair, conte de vez em quando em sua coluna alguns episódios pra gente usar na luta em defesa do SUS, que, pelo andar da carruagem, será grande, ferrenha e difícil, como declarou a protagonista do seu livro, a drª. Dália: ‘Nunca foi fácil fazer chegar medicina aos pobres’”. Palavras de Rina, leitora mineira que há anos acompanha minha coluna semanal em O ...

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    “Vidas trocadas: memórias de médicas” tem o SUS como cenário

    Compartilho o ponto final de mais um romance que escrevi e seguiu para o prelo. É o “Vidas Trocadas: Memórias de Médicas...”, que tem a construção do Sistema Único de Saúde (SUS) como cenário e as pelejas de duas “médicas de aldeia”, a avó e a neta, durante quase um século fazendo medicina nas brenhas, saga iniciada quando a saúde ainda não era direito de todos nem dever do Estado, como diz a protagonista drª. Dália: “Nunca foi fácil fazer chegar medicina aos pobres”. Por Fátima Oliveira enviado para o Portal Geledés Não fizeram só medicina. Participaram da luta pela construção da saúde pública no país. Amaram. Sofreram. Constituíram família. São mulheres libertárias e hedonistas que se pautam na vida pessoal pelo que disse Alfred Kinsey (1894-1956): “Ninfomaníaco é alguém que faz mais sexo do que você”. A drª. Dália se formou em 1945 na Faculdade Nacional de Medicina, hoje Faculdade de ...

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    A luta pela paz e o espírito internacionalista das Olimpíadas

    O povo brasileiro tem “espírito olímpico”, basta ler sobre o orgulho que a abertura despertou em todos nós. O governo do interino ignora que o sentido internacionalista dos Jogos Olímpicos é a luta pela paz, pois desencadeou repressão generalizada sobre quem ouse bradar a insatisfação política com a conjuntura brasileira. Por Fátima Oliveira, do O Tempo  A postura do governo exibe ao mundo que era apenas um jogo de cena o simbolismo do garoto negro da Vila Olímpica da Mangueira, Jorge Gomes, de 14 anos, acender a “pira do povo” diante da igreja da Candelária, que há 23 anos foi o cenário de uma chacina que eliminou oito e feriu dezenas de jovens, a maioria negra! Sediar uma edição das Olimpíada é muita responsabilidade perante o mundo, que inclui manter acesa a chama do espírito olímpico, pois a tocha é o mais antigo símbolo dos jogos – acesa meses antes de ...

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    O estilão inconfundível de Luiza Bairros e o Dia da Mulher Negra

    “Em 1992, em Santo Domingo, na República Dominicana, realizou-se o 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, do qual decorreram duas decisões: a criação da Rede de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas e a definição do 25 de julho como Dia da Mulher Afro-latino-americana e Caribenha. Por Fátima Oliveira, do O Tempo Ilustração Duke/O Tempo “A data objetiva ser polo de aglutinação internacional da resistência das negras à cidadania de segunda categoria na região em que vivem, sob a égide das opressões de gênero e étnico-raciais, e assim ‘ampliar e fortalecer organizações e a identidade das negras, construindo estratégias para o enfrentamento do racismo e do sexismo’. “(...) Faltam esforços dos governos para a efetivação dos nossos direitos humanos. Partícipes das lutas das mulheres em geral, incluindo o Dia Internacional da Mulher, nós, as negras feministas, sabemos que é preciso uma data toda nossa a partir da compreensão de que não ...

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    O racismo é impedimento à santificação de negros no Brasil

    Estou virando santeira, restrita a santas e santos negros, que o povo canonizou, a quem o Vaticano não reconhece a santidade; todavia, não se recusa a ganhar rios de dinheiros em nome deles. Por Fátima Oliveira Do O Tempo A supremacia numérica dos santos brancos é asfixiante num mundo que tem o branco como padrão, até para a santidade! Há pessoas negras que, embora as declarações de “milagres” sejam exuberantes e confirmadas pela fé e pela devoção popular, não são reconhecidas pela Santa Sé como santas! O catolicismo popular é uma coisa, e o oficial, outra, não apenas no Brasil, onde as nuances de racismo são explícitas sobre a santidade negra, o que despertou minha atenção. Caso da beata Nhá Chica (1810-1895), mineira de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno, que foi para Baependi (MG) ainda criança. Era negra, e a imagem dela para a beatificação foi embranquecida. Fui averiguar ...

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    O fenômeno humano e social da morte & Elisabeth Kübler-Ross

    Elizabeth Kübler-Ross (1926-2004), psiquiatra suíça, se formou em medicina em 1957, na Universidade de Zurique, na Suíça. Casou-se com o médico norte-americano Emanuel Ross, que se formou também em Zurique. Fez psiquiatria no Hospital Estadual de Manhattan, em Nova York. Trabalhou na Universidade do Colorado, em Denver (1963); e na Universidade de Chicago (1965). Até 1991, recebeu 28 doutorados honoríficos de várias universidades do mundo! Por Fátima Oliveira, do O Tempo  Durante voluntariado no pós-Segunda Guerra Mundial, visitou o campo de concentração Maidanek, na Polônia. Sensibilizada pelos inúmeros desenhos de borboletas nas paredes – expressão do sonho de liberdade de gente marcada para morrer –, decidiu estudar a morte como fenômeno humano e social; e a borboleta se converteu em símbolo de suas investigações médicas. No hospital da Universidade de Chicago, não concordando com os maus-tratos aos enfermos Fora de Possibilidade Terapêutica (FPT), iniciou sua dedicação a eles até que viraram ...

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    A minha recusa a voltar a conviver com o ‘dona, tem pão velho?’

    As crianças, após o jantar, viam TV. Fazia uma temperatura agradável, mas para nós, nordestinos, recém-chegados a Belo Horizonte, era frio. A campainha tocou. Atendi. Por Fátima Oliveira, do O Tempo  “Dona, tem pão velho?” Voz de criança. Era a primeira vez na vida que ouvia aquilo. Demorei a processar a indagação. Espantada: “Pra quê?” “Pra comer!” “Espera. Vou descer.” O porteiro falava alterado. Eram duas crianças, a maior de uns 8 anos e a menor tendo por volta de 6 anos. Vendo-me com um saco de pão, o porteiro, imbuído da maior autoridade dos pequenos poderes: “A senhora não pode dar pão pra esse povo que pede aqui na rua! Tenho ordem do síndico pra não deixar”. Dei o calado por resposta e entreguei o saquinho com dois pães para o menino maior, e ambos saíram correndo. Encarei o porteiro: “Comunique ao síndico, que sempre que alguém pedir comida em ...

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    O que aproxima os estupros coloniais dos estupros coletivos?

    Compartilho trechos do didático artigo de Carolina Cunha “Cultura do estupro: você sabe de que se trata?”: Por Fátima Oliveira Enviado para o Portal Geledés “Na última semana, dois casos de estupro recolocaram esse tipo de violência na pauta. O assunto voltou com força – nas redes sociais e fora delas. “Os crimes que ganharam as telas dos computadores e das TVs: uma adolescente de 16 anos foi violentada por um grupo (talvez mais de um grupo) de homens no Rio de Janeiro, e teve vídeos da agressão disponibilizados na internet. No Piauí, outra adolescente, de 17 anos, foi violentada por quatro menores e um homem de 18 anos. “O que espanta, nos dois casos, é uma reação de ‘normalidade’, de ‘naturalidade’ com que os agressores trataram seus crimes. No caso da adolescente fluminense, o vídeo começou a circular nas redes sociais como se fosse um troféu – com a circulação do vídeo, ...

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    Proteção à saúde e à vida das mulheres como direito

    Sempre que os serviços de saúde são atacados em nome da restrição de aportes financeiros, esquecem que nós, as mulheres, somos pouco mais da metade do povo brasileiro. Por Fátima Oliveira, do O Tempo Governos de espectro conservador focam apenas o que santifica a mulher nos discursos: gerar a vida. O que acontece no percurso, abortos espontâneos ou voluntários, não conta, embora saibam que aqui as maiores vítimas são as mais despossuídas, no caso as pobres, mas entre as pobres, as jovens e as negras. Há uma indústria do aborto às custas da ilegalidade. Há um caráter de classe do aborto no Brasil. O abortamento é um procedimento seguro em mãos habilitadas, que nos países onde é criminalizado só é acessível a quem pode pagar por ele. Logo, uma sociedade que nega a suas cidadãs o acesso ao aborto seguro é cruel. Em 2005, publiquei pela Mazza Edições o romance “A ...

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