quinta-feira, novembro 26, 2020

    Tag: Necropolítica

    Centro de acolhimento do Degase com superlotação: dois adolescentes dormem na mesma cama Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

    Medidas Socioeducativas: insustentabilidade desse sistema repressivo, que já nasceu abortado

    Se tem uma coisa que esse País sabe fazer é desumanizar e legitimar a morte de adolescentes e jovens negros. O projeto político dos homens brancos e cis-heteronormativos que se rotulam como homens de bem é promover a necropolítica e a aniquilação dos corpos indesejáveis. O Brasil ocupa o ranking de 3ª maior população carcerária do mundo. E sabe qual é a cor dessa população? Sim, essa população tem cor, e é preta. O Brasil foi o último país das Américas a “abolir” o sistema escravocrata. Esse abolir vem entre aspas mesmo, pois sabemos que abolição nunca existiu e o povo não branco continua sendo alvo de estratégias de dominação reinventadas para replicar um modelo formalmente extinto, mas que encontrou novas roupagens para se reproduzir na sociedade. Somos o País com maior população negra fora do continente africano. Entretanto, nossos corpos continuam sendo alvo de uma política higienista e genocida. ...

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    Alberto Henschel (1867). (Reprodução/Sul21)

    O genocídio do negro brasileiro: uma (re)leitura para espaços-tempos de pandemia

    O transcorrer do mês de maio no Brasil, nos impele enquanto sujeitos negros e negras, a refletir criticamente acerca de nossas trajetórias, no contexto denominado de pós-abolição, segundo o qual, afirma um dos autores clássicos da sociologia brasileira, “o negro permaneceu sempre condenado a um mundo que não se organizou para tratá-lo como ser humano e como “igual” (FERNANDES, 1972 p.15). Diante desta questão, bem como no contexto da crise pandêmica (COVID-19), escancara-se mais uma vez, as referidas condições de reprodução da existência e sujeição da população negra no país, diante de sua posição de ser um objeto visto por um olhar tortuoso, conforme problematizou o geógrafo negro baiano Milton Santos (1926-2011). Tais elementos, nos instigam a uma (re)leitura – no sentido de produzir uma interpretação e de indicar uma leitura, sobretudo às gerações mais jovens, que vivem desde a formação territorial brasileira – no âmbito de um trabalho de grande relevância. Trata-se da obra O Genocídio do Negro ...

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    (Foto: Imagem retirada do site Os Constitucionalistas)

    Necropolítica por Oscar Vilhena

    João Pedro, 14, foi morto por forças policiais no quintal de sua casa, enquanto brincava com seus primos. Seu corpo ficou desaparecido por cerca de 16 horas, aumentando o desespero de seus familiares. Já o corpo de Valnir da Silva, 62, possível vítima do coronavírus, ficou exposto por mais de 30 horas numa rua de outro bairro pobre do Rio de Janeiro, sem causar maior consternação em quem jogava bola no terreno ao lado. São retratos cotidianos da barbárie e da negligência a que estão submetidas largas parcelas da sociedade brasileira. O racismo e as profundas desigualdades que estruturam a sociedade brasileira dificultam que nos vejamos como parte de uma mesma comunidade, ligada por laços de respeito e obrigações recíprocas. A vida de um morador de rua parece não ter nenhum significado. São seres moralmente invisíveis. Suas necessidades e sofrimentos não geram nenhuma dor; menos ainda gestos de solidariedade. A ...

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    Pele Negra, Máscaras Brancas

    Enquanto a pandemia do coronavírus segue vitimando centenas de pessoas, todos os dias ao redor do mundo; o avanço da doença, que causa infecção respiratória grave expõe as contradições sociais no centro e na periferia do capital. O vírus que chegou ao Brasil vindo de avião, por meio das pessoas que vivem uma situação privilegiada no país, afetou primeiro as classes sociais com alto poder econômico. Agora no entanto a SARS-CoV-2, sigla em inglês que significa Severe acute respiratory syndrome coronavirus, alastra-se entre entre os pretos e pobres. Uma festa de casamento em Itacaré, no sul da Bahia, pode ter sido o foco dos primeiros casos de coronavírus no país. O cenário paradísiaco de Itacaré, com altar montado num pier e tendo como horizonte o lindo oceano Atlântico, expunha o luxo e a riqueza dos mais abastados; que infectados com o vírus espalhava-o para os demais convidados majoritariamente brancos, e ...

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    Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

    Necropolítica e produção de mortes no Brasil

    O decreto assinado e publicado ontem dia 8 é a síntese de um estado que produz morte em larga escala. Como diria o filósofo camaronês Achile Mbembe, eis o estado da Necropolítica. Suelen Aires Gonçalves (*) no Sul21 Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil Neste decreto, o governo central amplia o porte de armas para um conjunto de profissões. Algo chama a atenção neste decreto: servidores inativos compõem o rol de servidores com autorização para o porte. Como justificar tal feito? Para fins de registros históricos, a lista se segue, por exemplo, com políticos eleitos, servidores públicos que trabalham na área de segurança pública, advogados em atuação pública, caminhoneiros, oficiais de Justiça, profissionais de imprensa que atuam em coberturas policiais, agentes de trânsito, entre outras categorias. Também são contemplados no decreto presidencial os moradores de propriedades rurais e os proprietários e dirigentes de clubes de tiro. A lista ...

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    “Charlie Hebdo”, Nigéria, Salvador… ou de como o jornalismo (re)afirma o biopoder e a necropolítica

    “A carne mais barata do mercado é a carne negra” Marcelo Yuka, Seu Jorge e Wilson Capellette Num mundo que se quer transparente, onde tudo ou quase ganha visibilidade, porções significativas de fatos e ocorrências de inegável importância são relegadas à sombra. As tragédias recentes, a exemplo do ataque ao semanário francês “Charlie Hebdo”, das mortes na Nigéria e da chacina de jovens negros em Salvador nos levam a tensionar o par visibilidade-invisibilidade a partir do instituto jornalístico. Para tanto, recorremos aos conceitos de biopoder e necropolítica na chave explicativa dos pensadores Michel Foucault, Achille Mbembe e Sueli Carneiro.  As coisas como são. Será? Depois de mais de um mês do ocorrido no semanário francês “Charlie Hebdo”, o episódio não cessa de provocar comentários que se desdobram em diversas escalas analíticas. “Charlie Hebdo” persiste, insiste, resiste e, mesmo com a tendência contemporânea de volatizar os fatos na velocidade da luz, de tal modo que se perdem rapidamente nas ...

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    Epistemicídio

    Muitas são as razões que advêm de uma realidade inaceitável contra a qual a militância negra vem historicamente lutando e frente à qual as respostas do Estado permanecem insuficientes, exigindo permanente esforço de compreensão. Assim, contrato racial, biopoder e epistemicídio, por exemplo, são conceitos que se prestam como contribuição ao entendimento da perversidade do racismo.São marcos conceituais que balizaram a tese de doutorado que defendemos junto à USP em agosto passado sob o título "A construção do outro" como não-ser como fundamento do ser. Nela procuramos demonstrar a existência no Brasil de um contrato racial que sela um acordo de exclusão e/ou subalternização dos negros, no qual o epistemicídio cumpre função estratégica em conexão com a tecnologia do biopoder.É o filósofo afro-americano Charles Mills quem propõe no livro The Racial Contract (1997), que devemos tomar a inquestionável supremacia branca ocidental no mundo como um sistema político não-nomeado, porque ela estrutura ...

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    Foto: Marcus Steinmayer

    Viveremos por Sueli Carneiro

    A mulher que cuida das crianças pede ao menino de cinco anos que explique o que acontece. Ele diz: ‘A polícia entrou aqui, mandou todas as crianças encostarem na parede desse jeito e falou que levaria todos nós para a Febem se a gente não contasse onde estavam escondidas armas e drogas’. O garoto se juntou à menininha, mãos na parede. Mais sete crianças repetiram o ato. (Folha de S.Paulo, 21/5/06) .A reportagem da qual retirei essa epígrafe estende-se na descrição das incursões policiais na favela dos Pilões (zona sul de São Paulo). Numa das visitas, três mortos: jovens com menos de 30 anos, todos trabalhadores, um deles epiléptico. O patrão de dois deles custeou os funerais e ofertou aos corpos urnas de madeira nobre talvez num gesto simbólico de resgate da dignidade daqueles jovens e expressão da consciência da injustiça cometida. É apenas um dos casos das dezenas que ...

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    Foto: Marcus Steinmayer

    Biopoder por Sueli Carneiro

    A descriminalização do aborto, uma bandeira histórica do movimento feminista nacional, encontrou nova e perversa tradução de política pública na voz do governador do estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. O governador defende a legalização do aborto como forma de prevenção e contenção da violência, por considerar que a fertilidade das mulheres das favelas cariocas as tornam "fábrica de produzir marginais". Uma reivindicação histórica dos movimentos de mulheres de efetivação dos direitos reprodutivos das mulheres e de reconhecimento do aborto como questão de saúde pública sobre a qual o Estado não pode se omitir é pervertida em proposta de política pública eivada de ideologia eugenista destinada à interrupção do nascimento de seres humanos considerados como potenciais marginais. No lugar do respeito ao direito das mulheres de decidir sobre a própria concepção, coloca-se como diferença radical de perspectiva a indução ao aborto, pelo Estado, como "linha auxiliar" no combate à ...

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