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Testemunhas desmentem PM que matou caminhoneiro e alegou legítima defesa

Três pessoas prestaram depoimento e afirmaram que crime não foi em legítima defesa

Três testemunhas que prestaram depoimento, ontem, na Delegacia de Crimes contra a Vida da Serra, desmentiram a versão do soldado Saulo Oliveira de Souza, 30 anos, acusado de matar o caminhoneiro Antônio Rodrigues, 52, na terça-feira (8), de que ele teria agido em legítima defesa.

Saulo disparou quatro tiros contra o caminhoneiro depois de uma briga de trânsito. Ele está detido no Quartel de Maruípe, em Vitória.

Uma das pessoas contou que o caminhoneiro não reagiu e que, após a briga, Saulo teria sacado a arma e atirado. Antônio teria levantado os braços e pedido para ele não atirar, mas não foi atendido.

O delegado Josafá da Silva ressaltou que outras testemunhas devem depor até o fim da semana. Entre elas estão os dois funcionários da transportadora para a qual Antônio trabalhava, que estavam junto com ele no momento em que foi morto.

O enterro do caminhoneiro será realizado hoje, às 9h, no cemitério de Eldorado, Viana. Durante todo o dia de ontem, o corpo do caminhoneiro foi velado na casa do cunhado, em Vila Nova. Ele deixou seis filhos: quatro do primeiro casamento, um de 2 anos com Rosiene Maia, 34; e outro de 12 anos com Maria do Livramento Silva, 31. Ambas compareceram ao velório.

Defesa

Apesar de as testemunhas que prestaram depoimento terem afirmado que a versão dada pelo soldado Saulo não

Antonio Rodrigues, caminhoneiro assassinado por policial militar

procede, o pai do rapaz, o soldado aposentado Samuel Souza, afirma que o filho atirou em legítima defesa.

Em entrevista à Rádio CBN, o aposentado contou que o filho aproveitou a folga para olhar uma casa na Serra. “Ele estava tão feliz porque iria comprar a casinha dele quando acontece essa tragédia. É lamentável”, disse Souza.

Segundo ele, o caminhoneiro teria tentado tomar a arma do filho. “É mentira que o meu filho atirou no peito. Ele contou que atingiu as pernas do caminhoneiro”, defendeu.

Sede de Justiça

Bastante nervosa, Maria do Livramento de Araújo Silva, que tem um filho de 12 anos com o caminhoneiro Antônio Rodrigues, diz que quer ver fora da PM o soldado que assassinou o motorista.

O policial que matou Antônio alegou que seu marido teria tentado sacar uma arma…

Isso é mentira. Antônio nunca andou armado. Foi uma covardia o que esse policial fez. Meu marido não merecia isso.

O que espera agora?

Que a justiça seja feita, que esse policial seja expulso e fique preso.

Ainda acredita no trabalho da PM?

Como? Perdi a confiança totalmente. Eles não estão preparados para dar segurança a ninguém.

A senhora vai tomar alguma atitude?

Vou lutar com todas as minhas forças para que isso aconteça. Quero ele preso e fora da polícia.

Seu filho já sabe da morte do pai?

Nem tive coragem de contar. Antônio era um herói para nosso filho, que é portador de necessidades especiais.

Soldado investigado por outro crime

Além de ter sete sindicâncias abertas na Corregedoria da Polícia Militar, o soldado Saulo Oliveira de Souza, 30, responde a um processo por tentativa de homicídio na 9ª Vara Criminal de Vitória. Ele também tem três casos registrados na Vara da Auditoria Militar.

O processo da 9ª Vara Criminal ainda envolve outros dois soldados. Todos realizavam patrulhamento no bairro Alagoano, em janeiro de 2009, quando depararam com três indivíduos em atitude suspeita. Houve troca de tiros, e um adolescente de 17 anos morreu. Outro ficou ferido.

Uma testemunha afirmou que o suspeito estava sem arma e com os braços para o alto, com intenção de se render. Também garantiu ter ouvido as seguintes palavras de um dos policiais: “Felizmente conseguimos te pegar”.

Além disso, o soldado Saulo também é acusado de lesão corporal, de ter participado de outro tiroteio e de ter dado um soco na boca de uma pessoa durante uma abordagem no Bairro da Penha, Capital.

70% dos policiais tomam antidepressivo

Pelo menos 70% dos policiais militares que atuam nas ruas usam algum tipo de psicotrópico ou antidepressivo para amenizar o estresse da profissão. O dado foi fornecido pela Associação de Cabos e Soldados, que ressaltou ainda a falta de psicólogos na corporação para realizar atendimentos aos PMs.

O diretor de Serviço Social da Associação, cabo Clemilson Pereira, explica que não existe uma política preventiva de saúde. “Não há um acompanhamento psicológico anual do policial, isso é feito de cinco em cinco anos apenas. O ideal seria que toda vez que ele participasse de uma situação violenta, que terminasse na morte de alguém, fosse afastado para se tratar. É um impacto emocional muito forte”, diz.

Em nota, a Polícia Militar informou que os profissionais são rotineiramente observados pelo seu superior imediato, que ao notar alguma mudança de comportamento o encaminha para avaliação psicológica. Os que apresentam problemas graves de saúde, entre eles o psicológico, são reformados.

Punição

29 policiais militares

É o número de PMs expulsos da corporação este ano, até 20 de setembro.

Veja mais sobre o assunto:

Policial mata caminhoneiro após briga de trânsito na BR-101, no ES

Fonte: Gazeta Online

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