domingo, maio 29, 2022
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Tranças, penteados e a ancestralidade negra: tem muita moda no Axé

Na coluna desta semana, quero escrever sobre uma mulher: Sueide Kintê. Estes dias, assisti a um vídeo dela no Instagram em que falava sobre os cabelos e as estéticas das filhas de quem cultua Oxum e eu achei tão tão bonito.

E, claro, tudo aquilo que ela estava falando tem tudo a ver com este espaço, que pretende sempre imbricar Moda e Sociedade. Neste caso, vou ocupar este espaço hoje para dizer que tem muita moda no Axé.

A Sueide Kintê é uma sacerdotisa (vídeo) e a partir dos conteúdos que produz, faz um trabalho, belíssimo, de aproximar a mim, você, quem quiser que a acompanhe, dos conhecimentos, da estética e das histórias dos cultos de Orixá, principalmente de Oxum, que por si só é Orixá que valoriza a beleza que a nossa própria imagem gera; e que é uma imagem extremamente representativa porque é a imagem de uma mulher preta, toda contemplada no ouro, na riqueza e na abundância.

Neste vídeo que me chamou a atenção, ela conta que as mulheres Yorubás são muito criativas, principalmente no que se trata de moda e estilo. No que diz respeito ao cabelo, por exemplo, elas dividem este estilismo entre irun didi, que é trança feita à mão, e irun kiko, que é a trança com corda. Ela apresenta também alguns penteados tradicionais que representam a relação com diferentes Orixás.

O penteado de Oxum, o “Agogô” que, nas palavras dela “parece a banda de um relógio pra cima. Ele determina quem é iniciada no culto de Oxum”. Tem também o “Ogum Pari, que literalmente significa “o fim da guerra” e foi criado para celebrar o fim da guerra civil na Nigéria”. Ela mostra pra gente também o “Ere”, “utilizado pelos adoradores de Exu, que protege seus adoradores que ganham poderes sobre as fortunas e os infortúnios durante viagens” e, por último, o penteado que é “culto de Oyá, todo trançado na frente e pontiagudo no coque”.

Gosto demais de trabalhos de pesquisa como os que ela apresenta nos conteúdos que produz, porque é muito bom e importante a gente ter pessoas que estão dispostas e dedicadas a ensinar que a Moda é sim uma categoria de referência.

Termos referências sobre o que é a cultura e o que é a ancestralidade negra é fundamental. As religiões de matriz africana, assim como as religiões cultuadas pelos pais negros no Brasil não podem ficar de fora dessa arena de atenção referencial da Moda. Seja pra gente pertencer, pra gente se apoiar e, a partir daí, ter ainda mais repertório que nos contempla para seguirmos construindo nosso ser e estar hoje e também para o futuro.

Fica a dica! Conheçam e acompanhem o conteúdo de Sueide Kintê.

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