“A Rosa e o Poeta do Morro”, de Janaína de Figueiredo e Paulica Santos, será lançado em 16 de março, no Museu do Samba

Livro infantojuvenil recria ambiente de "As Rosas Não Falam", de Cartola

“As Rosas Não Falam”, composta pelo legendário Cartola e gravado logo num elepê de Beth Carvalho, em 1976, é um daqueles sambas que aquecem o coração da gente. Reza a lenda que a inspiração do poeta veio de uma conversa com Dona Zica depois de verem as mudas, plantadas havia poucos dias, se abrirem no jardim da casinha deles, no Morro da Mangueira. 

“Cartola, venha aqui! Venha ver o jardim! Por que é que nasceu tanta rosa?”, teria questionado Zica, cozinheira de mão cheia, sempre com aquele sorriso no rosto. Ao que o sambista respondeu: “Não sei, Zica. As rosas não falam!” e pegou o violão, inspirado pela bela frase. O efeito? Um clássico dos mais regravados de todos os tempos – em 11º lugar, segundo dados do Ecad de 2021 – e este livro que agora você tem em mãos.


“A Rosa e o Poeta do Morro”, escrito por Janaína de Figueiredo e ilustrado por Paulica dos Santos, usa a canção “As Rosas Não Falam” como fio condutor da narrativa sobre a vida prosaica do casal. O primeiro lançamento será no Rio de Janeiro, no dia 16 de março, a partir das 10h, no Museu do Samba, localizado na Mangueira de Cartola e Dona Zica.


A autora conta que se sentiu convocada pela ficção certa tarde, enquanto escutava os discos do criador de tantas maravilhas, como “Corra e Olhe o Céu” (Cartola e Dalmo Castello), “Alvorada” (parceria dele com Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho) e “O Mundo é um Moinho” (só de Cartola), outras obras-primas atemporais! 

Há uma delicadeza e um traço poético na obra de Cartola que me fascinam desde sempre. É pura poesia! Mas nunca tinha pensado em escrever sobre ele. Isso aconteceu um pouco por acaso, quando estava pesquisando a relação entre o samba e os terreiros de candomblé. Comecei a investigar algumas canções e percebi nelas algo que me remetia ao universo afro-brasileiro, principalmente nos sambas de Cartola”, rebobina.

Autora dos infantis “Meu Avó é um Tata” e “Sapatinho de Makota” e da pesquisa religiosa “Nação Angola – Caboclos, Nkisis e as Novas Mediações” pela Pallas Editora, Janaína de Figueiredo vive dizendo por aí que a vida é muito surpreendente. Como escreveu neste livro, “é um vai e vem, igual cuíca”. E é mesmo. Na infância e na juventude, ela morou na rua da escola de samba Ki-Fogo, em São Sebastião, no litoral de São Paulo. 

“A minha família inteira se envolvia nos desfiles dessa escola. Eu gostava de tocar tamborim, como meus irmãos. Mas eles não deixavam muito. Nessa época, meninas não podiam tocar. Escrever este livro, de alguma forma, me trouxe lembranças desse tempo. Elas ‘explodiram em mim como a alvorada do morro’. Que muitas crianças descubram Cartola depois de lê-lo!”, exulta Janaína.

LANÇAMENTO NO RIO

QUANDO: dia 16 de março, às 10h

ONDE: Museu do Samba – Rua Visconde de Niterói, 1296, na MangueiraQUANTO: A entrada é gratuita e o livro custa R$ 58.

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