quarta-feira, julho 8, 2020

    Afro-brasileiros

    Alberto Guerreiro Ramos (Foto: Imagem retirada do site Irradiando)

    Guerreiro Ramos: o personalismo negro

    A recuperação do pensamento e da trajetória do sociólogo Alberto Guerrei-ro Ramos tem sido alvo de uma série de trabalhos recentes, sobretudo de-pois da republicação de seus livros mais conhecidos: Introdução crítica à sociologia brasileira (* 1995a) e A redução sociológica ( 1995b). Neste artigo, tratar-se-á de retomar essa preocupação geral desde um enfoque específico: a compreensão da práxis negra humanista de Guerreiro Ramos. É uma interpretação que busca compreender a originalidade de seu pensamento, a partir de duas tradições filosóficas marcantes de sua trajetória: a) a negritude francófona, em especial sartriana, conforme caracterizada em Orpheu negro (1948), que Guerreiro conheceu por intermédio de Ironides Rodrigues – intelectual do Teatro Experimental do Negro (TEN), do qual Guerreiro foi integrante entre 1948-1950 (cf. Barbosa, 2004); e b) sua heran- ça filosófica personalista e existencialista. Uma formação intelectual marcante de sua juventude, na década de 1930, que se manteve enraizada em sua...

    Leia mais
    Ricardo Stuckert/Agência Brasil

    O farol Abdias Nascimento

    Mestre da luta contra o racismo, Abdias Nascimento (1914-2011) foi um abre-alas da consciência negra. Depois de uma vida inteira, ele deixou atrás de si muitos caminhos desenhados com a cumplicidade dos orixás. O nome Abdias Nascimento está ligado a uma das maiores ousadias político-culturais do século 20 no Brasil: a criação, no ano de 1944, do Teatro Experimental do Negro, o TEN. A chama deflagradora surgiu, anos antes, em Lima, capital do Peru. Foi lá que o jovem Abdias assistiu à peça O Imperador Jones, do dramaturgo americano Eugene O’ Neill. Apesar de Jones ser negro, o ator que o interpretava era branco com mãos e rosto pintados de preto. Abdias se lembrou imediatamente da situação dos atores negros no Brasil. Os poucos que conseguiam a chance de sair dos bastidores encarnavam personagens secundários, quando não figurantes. Aqueles que entram em cena, mas não falam. Quanto às atrizes negras,...

    Leia mais
    Ricardo Stuckert/Agência Brasil

    Abdias Nascimento, o Leão Africano!

    Nos ensina o Griot Abdias Nascimento: "Poucos brasileiros sabem (...) que pelo lado africano, o lado da senzala, somos os herdeiros de uma civilização que deu à luz o chamado mundo ocidental. Poucos sabem porque o fato foi escamoteado, distorcido e falsificado durante séculos, que a tão decantada civilização greco romana tem suas origens no Egito Antigo, um país africano, e que a civilização egípcia, por sua vez nasceu no coração da África" Conversando com Bida Nascimento, filho de Abdias, perguntamos por uma citação. “Eu sou o Leão Africano!”. Abdias costumava exaltar essa frase enquanto jogava cartas. A figura do leão é emblemática por si só e não deve ser reduzida como um animal da savana africana. À essa mitologia guerreira se demanda a Tribo de Judá que fez a cabeça do mais famoso ‘Dread Lion’ de todos os tempos, Bob Marley. Ser “Dread Lion” ou usar ‘DreadLocks’ consiste numa...

    Leia mais
    Academia Brasileira de Letras/Divulgação

    Manuscritos de Machado de Assis são disponibilizados pela ABL

    Ao observar o manuscrito original do romance Memorial de aires (1908), o último publicado em vida por Machado de Assis, percebe-se que o autor carioca trocou diversas vezes o nome das personagens Dona Carmo e Fidélia ao longo de sua composição. Tais trocas podem sugerir, como indica o crítico Silviano Santiago, que ambas as personagens eram a mesma pessoa na cabeça de Machado – possivelmente sua recém-falecida esposa, Carolina Augusta. Na interpretação de Santiago, o autor de Dom casmurro (1899) estaria, em seu momento de velhice derradeira, pintando a saudade da esposa em seu último romance. Enigmas como estes agora podem ser analisados por qualquer leitor que se interessar. Isso porque, desde a última segunda (9), três manuscritos originais de Machado foram disponibilizados pela Academia Brasileira de Letras (ABL) em seu site oficial: o poema heroico cômico O almada (1910), e seus dois últimos romances, Esaú e Jacó (1904) e Memorial de aires. Antes de serem disponibilizados online, os escritos só podiam...

    Leia mais
    Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil

    A propósito de uma velha carta de Luíza Bairros

    Acredito que a morte de Luíza Bairros nunca será lamentada o suficiente pelos agentes envolvidos com o que chamamos Movimento Negro. Sabemos todos a posição nele ocupada por sua liderança intelectual e moral, ao longo de décadas. Quanto mais dimensionamos a singularidade de sua contribuição inestimável, tanto mais nos desarvoramos diante de responsabilidades inadiáveis, para cujo enfrentamento não podemos contar mais com sua intervenção decisiva. Não importava a hora, o dia, a circunstância pessoal ou familiar – nunca levávamos em conta essas relações, porque nunca a víamos envolvida com uma situação que impedisse seu pronto engajamento, sua ativa solidariedade. Encontrei em meus arquivos uma velha correspondência de Luíza Bairros, datada de 2 de dezembro de 1993, enviada de East Lansing, Michigan. Nos quatro anos anteriores a sua ida aos Estados Unidos, estivemos muito próximos em duras disputas dentro e fora do MNU. Luíza estava vinculada então ao African Diaspora Reserch...

    Leia mais
    (Foto: Reprodução/ Editora PERSPECTIVA)

    Livro de Abdias Nascimento que confrontou teoria da democracia racial é relançado

    Em 1977, Abdias Nascimento estava em Lagos, Nigéria, pronto para apresentar, no Colóquio do Segundo Festival Mundial de Arte e Cultura Negras, um ensaio combativo, que buscava desmontar uma teoria amplamente difundida na cultura brasileira e que vinha sendo propagada mundo afora pela ditadura militar da época: a de que a nação vivia em tranquila harmonia racial, e que os negros eram menos excluídos por aqui do que no apartheid da África do Sul ou em certos estados do Sul dos Estados Unidos. Mas o governo brasileiro impediu o dramaturgo e ativista de representar o país no evento, substituindo-o pelo professor Fernando A. A. Mourão, que defendia teorias opostas. O texto, porém, foi publicado em mimeógrafo pela Universidade de Ife, na Nigéria, onde Nascimento lecionava como professor visitante, e depois distribuído pelo próprio autor aos participantes do colóquio, que foram apresentados a uma visão até então desconhecida do país. A...

    Leia mais
    Milton Santos em entrevista para o Jornal do Brasil, em 1977 (Foto: Imagem retirada do site Milton Santos)

    Entrevista explosiva com Milton Santos

    Em agosto de 1998, a revista Caros Amigos publicou uma grande entrevista com o geógrafo Milton Santos. Na época, tinha 72 anos, lecionava no Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP) e preparava o último livro de sua carreira: Por uma outra globalização – do pensamento único à consciência universal. E mesmo há quase vinte anos, o pensamento e opiniões do Milton Santos são tão atuais. O geógrafo e filósofo, não oficial como ele ressalta, fala sobre formação em universidades, poderes políticos, consumismo, religião… E ao ser perguntado sobre o que mudaria com uma possível vitória do PT no ano de 1998 (quando FHC ganhou com 53% dos votos validos de Lula e Ciro Gomes), o geógrafo responde: “Não sei, porque quando a gente lê um economista do PT, é quase a mesma coisa (…) E o nosso trabalho (intelectuais) realmente vai começar depois das eleições, seja quem...

    Leia mais
    Paula Brito: frequentadores dos círculos intelectuais do Império (Foto: acervo do real gabinete de leitura)

    A intelectualidade negra do Império

    Em novembro de 1831, o tipógrafo negro Francisco de Paula Brito (1809-1861) comprou a livraria de seu primo, o mulato Silvino José de Almeida, e a transformou em uma das maiores editoras do Segundo Reinado. Entre seus acionistas figurou o próprio d. Pedro II, que em 1851 lhe concedeu o título de impressor da Casa Imperial. A importância de Paula Brito não se limitou a seu êxito empresarial: ele imprimiu um dos primeiros periódicos em defesa dos direitos dos negros e, mais tarde, publicou as primeiras obras dos escritores Teixeira e Sousa e Machado de Assis. Como explica Rodrigo Camargo de Godoi em sua tese Um editor no Império: Francisco de Paula Brito (1809-1861), defendida no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (IFCH-Unicamp) em 2014 e agora publicada em livro pela Edusp, a trajetória do editor não é um caso isolado: “Há toda uma intelectualidade...

    Leia mais
    Zumbi dos Palmares (Foto: Wikimedia Commons)

    20 de novembro inauguração do Monumento de Zumbi dos Palmares em São Paulo

    Cris Pereira - Kizomba, a festa da raça Em maio deste ano, a SMPIR promoveu um edital para selecionar e premiar o melhor projeto de cidadãos negros e negras para a construção de uma escultura em homenagem a Zumbi dos Palmares. Entre as propostas recebidas, foi selecionada a do artista José Maria dos Santos, o Jofe, de 60 anos. A obra em bronze será instalada na Praça Antônio Prado, localização da antiga Igreja do Rosário dos Homens Pretos, na região central da cidade. O espaço é bastante simbólico para a comunidade negra, pois além de abrigar uma das primeiras irmandades católicas a aceitar a participação de negros, também costumava ser um local de sepultamento de escravizados. O concurso teve o objetivo de celebrar, por meio do símbolo de Zumbi, o papel da população afrodescendente no desenvolvimento do país e do município de São Paulo, honrando suas contribuições sociais, culturais, políticas...

    Leia mais
    Andrevruas [CC BY-SA 3.0], via Wikimedia Commons

    Lima Barreto, escritor negro e pobre, será homenageado na Flip 2017

    A próxima edição da Festa Literária de Paraty, que acontece em meados de 2017, já tem definido seu homenageado: Lima Barreto (1881-1922), nascido no Rio de Janeiro, autor do romance O triste fim de Policarpo Quaresma e de dezenas de obras hoje em domínio público, publicados antes e depois de sua morte. Um dos contos mais importantes da sua carreira é O homem que sabia javanês. Barreto, conhecido como “o romancista da Primeira República”, instala o debate sobre os negros na literatura com tudo na Flip 2017. Mestiço, filho de uma família pobre, chegou a cursar engenharia, mas tornou-se jornalista. Em seus livros, retratou um olhar crítico sobre as injustiças sociais do Brasil e o preconceito de cor do qual também foi vítima num país que aboliu a escravidão somente em 13 de maio de 1888, o mesmo dia em que Barreto completava 7 anos. Com um estilo informal de escrever, foi cronista de...

    Leia mais
    Dom Filó, da equipe Soul Grand Prix, foi levado encapuzado ao DOI-Codi, na Tijuca, em 1976: “Perguntavam onde estava o US$ 1 milhão” (Foto: Agência O Globo / Gustavo Miranda/17-06-2015)

    O Dom de ser negro – Dom Filó e Cultne na Revista Raça Brasil

    Uma música na voz de Marvin Gaye ressoa na sala. O ringtone do celular não poderia ser mais adequado. Afinal, o dono do aparelho é o engenheiro, DJ, videomaker e produtor, Filó, ou Dom Filó, nome de guerra, por assim dizer, de Asfilófio de Oliveira Filho, alguém cuja história profissional e de vida está estreitamente ligada a momentos áureos de celebração da força da cultura black no Brasil. Celebração, é importante também frisar, que nos anos 1960 e 1970 era, no Rio de Janeiro, terra natal de Filó, quase sinônimo de soul music. Ritmo do qual ele, ainda rapazinho, tornou-se amante apaixonado e devoto. Era uma época em que, assumir uma atitude negra era algo estimulado tanto por ativistas políticos, quanto por aqueles que, ligados ao mundo do showbizz, difundiam pelo planeta a exuberância da cultura afro-americana, com seus ícones poderosos ligados à black music. Naqueles anos, o estudante de...

    Leia mais
    Abdias Nascimento em Nova York, 1997. (Foto: Cheste Higgins Jr/ ACERVO ABDIAS NASCIMENTO/ IPEAFRO)

    Ocupação Abdias Nascimento: Programação de 17/11 até 15/01/2017

    O escritor, artista visual, teatrólogo, político e poeta Abdias Nascimento,que deixou um legado de lutas pelo povo afrodescendente no Brasil, é o homenageado da 32ª edição da série Ocupação do Itaú Cultural; como nas anteriores, a exposição é acompanhada de programação em sinergia com os temas que ela propõe, e também de um site e de uma publicação disponibilizada aos visitantes. Depois de intensa pesquisa a partir do acervo do Ipeafro, a curadoria reúne exposição de pinturas, documentos históricos, correspondências, discursos, entrevistas, depoimentos, manuscritos e fotografias. Uma extensa programação começa no dia 17/11 com a Conferência Performática do Dia Nacional da Consciência Negra, em que o DJ e pesquisador Eugênio Lima convida o público a fazer uma reflexão sobre o pensamento de Abdias do Nascimento a partir do momento atual, com participação do professor e ativista Douglas Belchior e da atriz Roberta Estrela D’Alva. A programação segue de novembro a...

    Leia mais
    (Foto: Reprodução/ Editora EDUFBA)

    O Português Afro-Brasileiro

    Apresentação Este livro se originou em uma disciplina sobre línguas pidgins e crioulas ministrada por Alan Baxter (na época, Professor Associado da Universidade La Trobe, na Austrália), como professor convidado do Mestrado de Linguística Portuguesa Histórica, coordenado pelo Prof. Dr. Ivo Castro, na Universidade de Lisboa. Nessa disciplina, Baxter apresentou a hipótese das origens crioulas do português popular do Brasil, com base nas recentes formulações de Gregory Guy e John Holm. Um de seus alunos, Dante Lucchesi, contestou tal hipótese, em função de sua formação estruturalista, recebida durante a graduação, na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Segundo essa visão, as mudanças que afetaram a língua portuguesa no Brasil já estavam prefiguradas na sua estrutura, e o contato com índios e africanos só teria acelerado essas tendências seculares. Apesar da divergência, Alan Baxter orientou o trabalho final da disciplina de Dante Lucchesi sobre os artigos nos crioulos de Cabo Verde e São Tomé, que seria publicado no Journal of Pidgin and Creole Languages, em...

    Leia mais
    Nilo Peçanha (Foto: Domínio Público)

    O presidente negro: Nilo Peçanha

    Nascido em Campos de Goytacazes, RJ, em dois de outubro de 1867, Nilo Peçanha é tido como o primeiro e único afrodescendente a ter assumido a presidência do Brasil. Filho primogênito de Sebastião de Sousa Peçanha, padeiro, conhecido como Sebastião da Padaria e Joaquina Anália de Sá Freire, moça oriunda de uma família que detinha relativa influência política no norte fluminense, Peçanha teve uma infância humilde vivida na periferia da sua cidade natal. Mais tarde, formou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Recife e, de volta a Campos, exerceu a advocacia e o jornalismo, defendendo as causas da abolição e da república. Com a mudança na forma de governo, da Monarquia para a República, foi eleito deputado da Assembleia Nacional Constituinte, pelo Partido Republicano, em 1890, de modo que o início da carreira política de Peçanha confunde-se com o advento da democracia no país. Ao fim dos trabalhos da...

    Leia mais
    (Foto: Reprodução/ Editora Conrad)

    História nos quadrinhos: Chibata!

    “Chibata!” é um quadrinhos (ou graphic novel, se preferir) brasileiro que narra o trajeto de João Cândido, um pobre marinheiro carioca que se transformou no líder de uma das mais conhecidas revoltas da história brasileira. Ocorrida durante as primeiras décadas do século XX, a Revolta da Chibata (1910) foi um movimento formado por “baixos oficiais” da marinha que lutavam por melhores salários, diminuição da extensa jornada de trabalho e pelo fim das punições físicas (chibatadas) que sofriam durante as longas viagens que realizavam dentro dos navios. O encouraçado minas geraes foi incorporado à marinha em 1910 e manteve-se como parte da frota até 1953. Durante a segunda guerra, esteve ancorado em salvador, como forma de proteger a região. (Fonte: Imagem retirada do site Navios Brasileiros) Além de considerarem inaceitável este castigo ainda ser praticado entre homens livres que lutavam pela pátria, estes rebeldes estavam indignados com a desigualdade de tratamento que recebiam de seus superiores. Isto porque...

    Leia mais
    Ricardo Stuckert/Agência Brasil

    Hoje na História, 23 de maio, a 5 anos morria Abdias Nascimento

    “No decorrer de toda a minha vida, por quase um século, foi assim: praticando (a luta pelos direitos humanos). Eu não sou escritor e nem teórico dos direitos humanos. Não se elaborar teorias; eu sei fazer”, falou Abdias do Nascimento, na comemoração de seu 92º aniversário. Ícone da luta contra o racismo no Brasil, Abdias dedicou a maior parte de sua vida em prol da igualdade racial. Nascido em 14 de março de 1914, em Franca (SP), sua militância começou cedo quando, em 1930, ingressou na Frente Negra Brasileira, considerada o primeiro movimento brasileiro pelos direitos civis. “Há um fato da infância que até hoje permanece vivo na minha memória. Havia um garoto preto e órfão, meu colega de escola, mais pobre do que nós éramos. Certa feita, uma vizinha branca se encontrava dando uma surra no menino (nem me lembro por que); isto se passava na rua, defronte de...

    Leia mais
    Francisco Xavier da Costa (Foto: Wikimedia Commons)

    Um líder negro no Socialismo dos Pampas

    “Trazemos no corpo O mel do suor Trazemos nos olhos A dança da vida Trazemos na luta, a Morte vencida No peito marcado trazemos o Amor,” ( D. Pedro Casaldáliga, Pedro Tierra / Milton Nascimento, Missa dos Quilombos). Diante das novas relações de trabalho que se estabeleceram após a Abolição da Escravatura (1888), surgiram mecanismos de organização, nos quais operários de fábricas e de oficinas passaram a se aglutinar, visando a prestar ajuda mútua aos associados em diversas situações, como doenças, prisões e morte. Nos primeiros anos da Primeira República (1889-1930), o operariado brasileiro vivenciava uma dura realidade, em sua rotina de trabalho, a exemplo de jornadas exaustivas, locais insalubres, crianças e mulheres exploradas nas fábricas. Dentro deste contexto, despontou uma militância sindical com importantes lideranças, lutando pela construção de uma sociedade mais justa e com menos desigualdades. Francisco Xavier da Costa É nesse período de ebulição de ideias e de contestação, sob a bandeira dos ideários anarquistas e socialistas,...

    Leia mais
    Academia Brasileira de Letras/Divulgação

    As melhores frases de Machado de Assis. Por Camila Nogueira

    Na opinião dessa humilde estudante de letras — e da vasta maioria dos intelectuais e leitores brasileiros ou estrangeiros que se debruçaram sobre a nossa literatura –, Machado de Assis é o maior dos escritores nascidos em nosso país. É em homenagem à sua grandeza literária que selecionamos algumas de suas melhores frases, tendo como base vários de seus romances, contos e peças de teatro. “Todos os homens devem ter uma lira no coração – ou não sejam homens. Que a lira ressoe a toda hora, nem por qualquer motivo, não digo eu; mas de longe em longe, e por algumas reminiscências particulares”. A Desejada das Gentes “Que é a saudade senão uma ironia do tempo e da fortuna?” A Desejada das Gentes “Escuta, nem divinizar o dinheiro, nem também baní-lo; não vamos crer que ele dá tudo, mas reconheçamos que dá alguma coisa e até muita coisa”. A Desejada...

    Leia mais
    Abdias Nascimento em Nova York, 1997. (Foto: Cheste Higgins Jr/ ACERVO ABDIAS NASCIMENTO/ IPEAFRO)

    Hoje na Historia, 14 de março de 1914, nascia Abdias Nascimento

    (Franca, 14 de março de 1914 — Rio de Janeiro, 24 de maio de 2011) Abdias Nascimento foi poeta, ator, escritor, dramaturgo, artista plástico, professor universitário, político e ativista dos direitos civis e humanos das populações negras. Abdias Nascimento foi professor emérito na Universidade do Estado de Nova York, em Buffalo, NY e professor titular de 1971 a 1981, fundando a cadeira de Cultura Africana no Novo Mundo no Centro de Estudos Porto Riquenhos; atuou como conferencista visitante na Escola de Artes Dramáticas da Universidade Yale; foi professor convidado do departamento de Línguas e Literaturas Africanas da Universidade de Ife, em Ile Ife, Nigéria. Considerado um dos maiores expoentes da cultura negra no Brasil e no mundo, fundou entidades pioneiras como o Teatro Experimental do Negro (TEN), o Museu da Arte Negra (MAN) e o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (IPEAFRO). Foi um idealizador do Memorial Zumbi e do Movimento Negro Unificado (MNU) e atuou em movimentos nacionais e internacionais como a Frente Negra Brasileira, a Negritude e o Pan-Africanismo. Trajetória Abdias Nascimento foi um dos maiores defensores da defesa da cultura e igualdade para...

    Leia mais
    Milton Santos em entrevista para o Jornal do Brasil, em 1977 (Foto: Imagem retirada do site Milton Santos)

    Como é ser negro no Brasil, por Milton Santos

    O professor Florestan Fernandes e o professor Otavio Ianni, escreveram ambos que os Brasileiros, de um modo geral, não têm vergonha de ser racista, mas têm vergonha de se dizer que são racistas. Eu tive a sorte de ser negro em pelo menos quatro continentes e em cada um desses é diferente ser negro e; é diferente ser negro no Brasil. Evidente que a história de cada um de nós tem uma papel haver com a maneira como cada um de nós agimos como indivíduo, mas a maneira como a sociedade se organiza que dá as condições objetivas para que a situação possa ser tratada analiticamente permitindo o consequente, um posterior tratamento político. Porque a política para ser eficaz depende de uma atividade acadêmica... acadêmica eficaz! A política funciona assim! A questão negra não escapa a essa condição. Ela é complicada porque os negros sempre foram tratados de forma muito...

    Leia mais

    Últimas Postagens

    Artigos mais vistos (7dias)

    Instagram

    Twitter

    Facebook

    Welcome Back!

    Login to your account below

    Create New Account!

    Fill the forms bellow to register

    Retrieve your password

    Please enter your username or email address to reset your password.

    Add New Playlist