Após polêmica, nova ministra debaterá aborto na ONU

Após defender a descriminalização do aborto como questão de saúde pública antes de tomar posse, a nova ministra da Secretaria de Política para as Mulheres, Eleonora Menicucci, debaterá a questão e outros temas relativos ao universo feminino na reunião do Comitê das Organizações das Nações Unidas (ONU) para a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres, que começará esta semana em Genebra, na Suíça. A conferência analisará a situação da mulher no País e as políticas do governo para combater a discriminação de gênero. O Brasil defenderá suas posições sobre o assunto na sexta-feira.

Na última semana, o jornal Folha de S.Paulo publicou reportagem afirmando que Menicucci integra o Grupo de Estudos sobre o Aborto e que já teria relatado ter se submetido à prática do aborto em duas ocasiões. Segundo o jornal, a ministra levaria sua convicção sobre a causa ao governo. Na última terça-feira, no entanto, Menicucci não quis expressar sua opinião sobre o tema após aceitar o convite de comandar uma pasta do governo Dilma Rousseff. “A minha posição pessoal a partir de hoje não diz respeito, não interessa”, disse.

Na conferência em Genebra, o aborto, que só é permitido no Brasil em caso de estupro e quando a vida da mãe corre perigo, será um dos principais assuntos em pauta. O relatório dos analistas independentes do Comitê, que serve de ponto de partida para o debate, destaca que, “levando em conta os riscos e consequências do aborto inseguro e suas complicações, trata-se de um grave problema de saúde pública que afeta principalmente as mulheres jovens do País”.

A legislação brasileira penaliza o aborto com penas variando entre um e três anos de prisão para a gestante e de um a quatro anos para o médico. Neste contexto, segundo denunciam ONGs de defesa dos direitos das mulheres, os abortos praticados em condições precárias são a quarta causa de morte das mulheres brasileiras, sendo que este índice é três vezes maior no caso das mulheres negras e com baixa escolaridade.

Em Salvador, por exemplo, desde a década de 90 o aborto é a maior causa de mortalidade de gestantes. Em São Paulo, a prática é a terceira causa de mortalidade de mulheres grávidas.

Doze ONGs destacaram “estatísticas alarmantes” que mostram que, no Brasil, são praticados um milhão de abortos anuais, sendo que apenas 3.230 de maneira legal. Cerca de 250 mil hospitalizações são registradas devido às complicações.

As ONGs indicam que as mortes e sequelas causadas pelos abortos não recebem a atenção devida do Estado e da sociedade, apesar das estatísticas que demonstram que uma em cada sete mulheres entre 18 e 39 anos já abortou pelo menos uma vez na vida.

As organizações criticam ainda que o aborto em casos de anencefalia também seja considerado ilegal. Em muitos casos, as mães recorrem na Justiça para poder interromper a gravidez e conseguem autorização quando a mulher já deu à luz.

Além do aborto, serão debatidos pelo Comitê o tráfico de mulheres e a discriminação da população feminina negra.

 

Fonte: Terra

+ sobre o tema

Ainda precisamos debater sobre Sexo e as Nêgas

Nos últimos dias, um acontecimento recente tem causado muito...

‘É como queimar sutiãs’, diz Daniela Mercury após casamento com uma jornalista

Cantora falou sobre relacionamento com a jornalista Malu Verçosa. Ela...

Eu, preta, pobre e crackeira – Por: Priscila Tamis

"Engoli uma frase qualquer, dessas que uma branca-intelectual-estudada-militante consegue...

para lembrar

Pesquisa mostra que gestantes precisam de mais informação para optar por parto natural

A informação sobre os procedimentos a que serão submetidas...

STJ autoriza família de Marielle a acessar investigação de crimes

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou nesta terça-feira (18) os...

Toda mulher é meio Eliza Samudio

O desaparecimento de Eliza Samudio, a moça que teve...

Mulheres negras e a felicidade no meio do caminho…

Há algumas semanas, na Inglaterra, eu conversava com uma...
spot_imgspot_img

ONGs LGBTQIA+ enfrentam perseguição e violência política no Brasil, diz relatório

ONGs de apoio à causa LGBTQIA+ enfrentam perseguição e violência política para realizar seu trabalho no Brasil, mostra um relatório produzido pela Abong (Organizações Brasileira de ONGs) em...

Menstruação segura ainda é desafio no Brasil, indica Unicef

Uma enquete do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), concluiu “que o direito de menstruar de maneira digna, segura e com acesso...

Mulher tem aborto legal negado em três hospitais e é obrigada a ouvir batimento do feto, diz Defensoria

A Defensoria Pública de São Paulo atendeu ao menos duas mulheres vítimas de violência sexual que tiveram o acesso ao aborto legal negado após o Conselho...
-+=