Cidinha da Silva lança ‘Um Exu em Nova York’ na UFMG

Belo-horizontina radicada em São Paulo, a escritora participa de diversos para o lançamento de dois dos mais recentes trabalhos

Por Márcia Maria Cruz, do UAI

Foto: Elaine Campos

A escritora Cidinha da Silva vem a Belo Horizonte para lançar os livros O homem azul do deserto (Editora Malê) e Um Exu em Nova York (Pallas Editora). Hoje a escritora participa de evento na Faculdade de Letras promovido pelo grupo Literafro. Na quinta (20), estará no Centro de Referência da Juventude (CRJ)e, na sexta, no Museu de Quilombos e Favelas Urbanas (Muquifu).

O homem azul do deserto amadurece o que a escritora tem buscado em termos de linguagem. “A prosa poética é a culminância de trabalhos que venho fazendo”, afirma. As 51 crônicas selecionadas para a publicação foram publicadas, entre 2016 e 2018, em sites, como o Portal Geledés, e no blog pessoal da autora.  “As crônicas estão sempre envoltas da necessidade que tenho de expressar meu ponto de vistasobre a política nacional”, diz.

Cidinha leva para o texto personagens comuns: “são figuras que me tocam, com quem encontro na rua. São personages de riqueza humana que levo comigo”, diz. Um exemplo, é o taxista que ela apresenta na crônica ‘Na terrinha’. Cidinha percebe no motorista síntese dos dois lados da personalidade do mineiro. “Mineiro alterna dois estados de espírito: falastrão e caladão. Isso pode ser na mesma pessoa ao mesmo tempo e em diferentes momentos do dia”, brinca.

Apesar de ter saído de Minas em 1991, a mineiridade na forma de dizer marca o texto de Cidinha. “Sai de Minas, mas Minas não sai da gente”, garante. Ela morou de 1991 a 2008 em São Paulo. Depois viveu no Rio, Brasília e Salvador e agora está de volta à capital paulista.

Um Exu em Nova York é o 13ª de Cidinha, mas é o primeiro livro de contos. “Passo pela espiritualidade manifesta no mundo material e o plano onírico. As histórias são muito localizadas nesse lugar de trânsito, que é por excelência o lugar de Exu. É um ser que está nas ruas se movimentando o tempo todo”, diz.

Para falar dessa presença dessa entidade central nas religiões de matriz africana, Cidinha propôs o neologismo exuzilharjunção entre Exu e encruzilhada. O ‘exuzilhamento’ é movimento muito presente nas 19 histórias do livro. Cidinha apresenta perspectiva contemporânea e ficcional do cotidiano e trata de temas como política, crise ética, racismo religioso, perda generalizada de direitos, negros e grupos LGBT.

O conto que dá título ao livro foi escolhido por Cidinha para demonstrar que a diáspora africana está em todos os lugares, inclusive nas grandes metrópoles como Nova York. “Trago a ideia de diáspora negra expandida. É perceptível a diáspora no Haiti, na Bahia, no Rio de Janeiro, na Colômbia, no Caribe. Mas a diáspora está também nos grandes centros, como Nova York, Chicago e São Paulo, cidade que aparentemente não tem face negra tão demarcada”, pontua.

O conto de abertura,  I have shoes for you, mostra como a ideia de ancestralidade é central para a autora. “É o que nos permitiu chegar até os dias de hoje. Não fosse relação com ancestralidade africana não teríamos chegado até aqui. teríamos sucumbido.”

O livro é dedicado à professora e pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais, Leda Maria Martins. “Ela foi fundamental na minha vida. Conheci a leda aos 18 anos”, recorda-se. De lá para cá, uma das principais pesquisadoras da arte negra no Brasil se tornou interlocutora de Cidinha. “Aquele encontro foi para mim amostra que eu poderia ser o que eu quisesse ser na vida. Aquele encontro com Leda foi definitivo para minha carreira”, diz.

Editora Pallas/Reprodução

Um Exu em Nova York

Cidinha da Silva
Conto

Pallas Editora

80 páginas

R$ 28,00

 

(foto: Editora Malê/Reprodução)

 

O homem azul do deserto

Cidinha da Silva

Editora Malê

144 páginas

R$ 42

 

Lançamentos

 

– Quarta (19) ás 19h. Auditório da Faculdade de Letras da UFMG. Campus Pampulha

 

– Quinta (20) às 19h. Mediação: Vanessa Beco e leitura e comentários professores Cida Moura e Marcos Alexandre. Centro de Referência da Juventude. Rua Guaicurus 50, 2º andar. Informações: (31) 3277-4356.

 

– Sexta (21) às 18h. Museu de Quilombos e Favelas Urbanos de Belo Horizonte (Muquifu). Rua Santo Antônio do Monte, 708, Vila Estrela. Informações: (31) 98798-7516

+ sobre o tema

Quem foi Tebas, escravo que virou arquiteto em meio ao Brasil Colonial

Após ser alforriado aos 58 anos, Joaquim Pinto de...

Estreia aplicativo com orientações de Mãe Stella

Neste dia 02 de maio, Mãe Stella de Oxossi...

Globo de Ouro: Discursos feministas são o destaque da premiação

Poderosas palavras de Regina King e Glenn Close marcaram...

para lembrar

27 fotos de Idris Elba para te ajudar a enfrentar o dia de hoje

Você sabe, para se cuidar. 1. Idris Elba pode muito...

Vídeo mostra Lázaro Ramos explicando para filha sobre cabelos crespos: “Nossa coroa”

O ator Lázaro Ramos abordou conscientização e ancestralidade ao compartilhar um...

Luiz Gama, o abolicionista

Ele está ali no Largo do Arouche, no canto...
spot_imgspot_img

‘Está começando a segunda parte do inferno’, diz líder quilombola do RS

"Está começando a segunda parte do inferno", com esta frase, Jamaica Machado, líder do Quilombo dos Machado, de Porto Alegre, resumiu, com certo desânimo, a nova...

Inéditos de Joel Rufino dos Santos trazem de volta a sua grandeza criativa

Quando faleceu, em 2015, Joel Rufino dos Santos deixou pelo menos dois romances inéditos, prontos para publicação. Historiador arguto e professor de grandes méritos, com...

Brasileiro dirige único teatro negro da Alemanha

"Ainda tenho um milhão de coisas para fazer", diz Wagner Carvalho, diretor artístico do teatro Ballhaus Naunynstrasse em Berlim, poucas horas antes da estreia da noite. Wagner não...
-+=