segunda-feira, novembro 28, 2022
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Dias sem Fim (All Day and a Night)

Recentemente estreou na Netflix o Filme de Joe Robert Cole, All Day and a Night, traduzido para o Brasil como Dias Sem Fim.

O filme narra a história da vida de Jahkor Abraham Lincoln e como as teias do racismo estrutural o levaram a ser condenado à prisão perpétua, por matar um homem e sua namorada.

É muito importante que você entenda que eu acredito que ninguém nesse mundo deve possuir o poder de roubar o direito de vida de outra pessoa. E a minha pergunta é quantas pessoas pretas as autoridades têm matado a sangue frio ou descaradamente em seus falhos sistemas estruturais enquanto você lê essa frase?

Estamos vivendo uma pandemia e segundo o Google Notícias são cerca de 12.000 mortos no Brasil e sabemos muito bem a cor dessas mortes, entretanto a pessoa que representa a maior autoridade no país banaliza a situação e coloca em risco a vida da população.

Em 121 minutos de filme a vida de Jaakor interpretado por Ashton Sanders me fez lembrar os garotos da minha rua, das histórias que meu irmão contava e as vezes eu fingia que não acreditava.A falta de acesso à educação de qualidade, de saúde, empregos, afeto e de liberdade é a prova da constante desumanização do indivíduo negro desde seus primeiros momentos de vida.

Em algumas das cenas Jaakor diz que ‘ Os negros após a escravidão foram ensinados a sobreviver, e não viver”, o governo americano e o brasileiro caminham juntos na corrida para levar o prêmio de quem mata mais vidas pretas por segundo.E ainda escutamos que a abolição da escravatura tem haver com liberdade.

A trama é intensa, verdadeira e para mim como irmã, tia e amiga de garotos negros como os do filme dolorosa. Inúmeras Tommetta estão em cada esquina lutando para sobreviver ao peso que é ser mãe, mulher e preta. Quantas Shantaye tiveram que se submeter a situações abusivas para levar comida pra casa.Histórias como a de Jaakor se repetem muitas vezes e continuam a se repetir em lugares onde o racismo é a principal arma para assaltar vidas negras.


** Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do PORTAL GELEDÉS e não representa ideias ou opiniões do veículo. Portal Geledés oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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