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Elza Soares: ‘Foi muito difícil chegar até aqui’

Aos 87 anos, cantora segue o discurso do disco anterior em novo álbum, ‘Deus É Mulher’, que fala de violência ao racismo

Do O Dia

Elza Soares lança novo álbum, ‘Deus É Mulher’, pela gravadora Deck: 11 canções inéditas e temas atuais – Divulgação/Patricia Lino

São Paulo – Ao deixar a turnê de ‘A Mulher do Fim do Mundo’, criada a partir do disco homônimo lançado em 2015 e responsável por colocá-la definitivamente como uma das principais vozes do país, Elza Soares despediu-se do álbum. Conta ela que conversou com o trabalho, como se fosse uma entidade com vida própria. “Pedi permissão a ele”, explica a cantora de 87 anos. “Foi algo muito importante na minha vida, então, precisava fazer isso. Agradeci, disse que ele havia sido incrível”.

O álbum, vencedor do Grammy Latino de melhor disco de MPB em 2016, foi o primeiro trabalho de Elza Soares com músicas inéditas. “Foi um presente”, ela lembra. E Elza, agora, segue em frente. Depois de um álbum denso, de introspecção e um discurso bastante assertivo, ela lançou mês passado o disco ‘Deus É Mulher’, novamente com músicas inéditas total de 11 faixas. Na escolha estética do álbum, ela explica que buscou por mais claridade.

O novo disco também marca a chegada de Elza ao elenco de artistas da gravadora Deck e foi a partir do convite deles que a cantora passou a matutar sobre qual seria o próximo passo após o tal “apocalipse” retratado no trabalho anterior.

Segundo o produtor Guilherme Kastrup, ‘Deus É Mulher’ é um passo adiante na estética libertária, perturbadora e impiedosa do álbum anterior. Fala de violência doméstica ao racismo. A história de Elza, ao longo dos seus 87 anos, é de tombos e reerguimentos.

Com ‘A Mulher…’, Elza diz que encontrou seu propósito musical. “Foi quando percebi o que eu deveria fazer. Entendi que esse seria o caminho”, explica. “Mudou tudo. Encontrei uma brecha para dizer aquilo que eu sentia. Coisas que vinham desde a minha infância. Era uma menina pobre e negra. Foi muito difícil chegar até aqui. Mas Deus estava sempre presente na minha vida. E está até hoje. Quando veio ‘A Mulher do Fim do Mundo’, eu entendi como se Ele dissesse: ‘É por aqui'”.

Em ‘Deus É Mulher’, Elza conta que buscou um trabalho que acessasse cada um. “Que fosse sobre mulheres, sobre negros, sobre o mundo gay. São os temas que precisam ser falados”. O disco segue com um discurso semelhante ao antecessor, justamente por isso.

 

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