“Faço parte do problema e da solução” diz Lázaro Ramos, sobre racismo

Ator, no ar como ‘Mister Brau’, fala da relação com a mulher, Taís Araújo, e do infantil ‘Boquinha…E Assim Surgiu o Mundo’, de sua autoria

Por Bruno Astuto Do Época

Lázaro Ramos anda para baixo e para cima com uma mala. Não importa onde esteja – táxi, café, bar, estúdio de gravação ou camarim -, ele sempre saca seu notebook quando boas ideias lhe vem à cabeça. “Se estou sem ele, gravo áudios no WhatsApp para a Taís (Araújo), para não me esquecer”, conta o protagonista da série ‘Mister Brau’, que está prestes a lançar sua terceira peça infantil como autor, Boquinha…E assim surgiu o mundo…, no Espaço Sesc, no Rio, dia 7. Ele revela que a verve de escritor vem pulsando cada vez mais forte e que com ela tenta diminuir o racismo. “Queria escrever algo para as crianças que falasse sobre as diferenças. Faço parte do problema e da solução”, afirma.

O que quer passar com o infantil?

Vou mostrar diversas versões sobre como surgiu o mundo. Estão lá Deus, o Big Ben, o taoismo… Funciona como uma brincadeira que já faço em casa com meu filho. Interpreto diversas vozes para ele. E temos também bonecos de origami. Tentei resgatar um teatro mais simples, sem muita parafernália. Queria escrever algo para as crianças que falasse sobre as diferenças. Faço parte do problema e da solução.

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O ator Orlando Caldeira é dirigido por Lázaro Ramos no infantil ‘Boquinha…E assim surgiu o mundo…’ (Foto: Divulgação/Reprodução Época)

Está se referindo ao racismo?

Não sou ingênuo quanto às manobras. Quando escolhi encenar Martin Luther King no teatro, percebi que essa voz que tenho poderia ser usada para um bem maior. Estou agindo. Mas a minha realidade é diferente. Sou respeitado, sou uma pessoa pública. Isso é uma proteção que muita gente não tem. O que acho bom é estarmos discutindo e debatendo o racismo mais livremente, para curar a ferida. Investigá-la.

Como se inspira para escrever?

A escrita é uma obrigação, eu escrevo todos os dias. Eu ando com uma mala. Dentro tem o lap top, escrevo em qualquer lugar. Se estou sem o computador, gravo áudios para a Taís no WhatsApp. A minha disciplina é doida. Tudo que eu escrevo dou para ela ler antes de mostrar aos outros. Taís não se arrisca a escrever junto, mas me diz se gostou, do que sentiu falta, e sempre me ajuda muito.

O que está achando da nova fase de Mister Brau?

Nessa segunda temporada, o programa tem a característica de ser sempre diferente a cada episódio. O desta última semana foi de terror. Sinto que temos um empenho maior para as cenas musicais, um diretor que cuida só dos videoclipes. Eu sou muito feliz encarnando o Brau. E todos têm seus momentos de brilhar ou fazer escada, é uma equipe boa de convivência.

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Lázaro Ramos e a mulher, Taís Araújo, no seriado ‘Mister Brau’: “Ela sempre me ajuda muito” (Foto: Estevam Avellar/ TV Globo)

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