quinta-feira, setembro 16, 2021
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Fala racista e homofóbica de pastora é mais uma dos ‘pregadores de ódio’

“É um absurdo pessoas cristãs levantando bandeiras políticas, bandeiras de pessoas pretas, pessoas de LGBTI, sei lá quantos símbolos têm isso aí. Mas é uma vergonha. Para de ficar postando coisas de preto, de gay, pare!”

Essas frases absurdas e criminosas foram proferidas por uma pastora. O vídeo onde a pastora Kakau Cordeiro, da Igreja evangélica Sara Nossa Terra, faz esse discurso de ódio viralizou nas redes sociais e tem causado uma justa repulsa. Sim, uma mulher evangélica em posição de liderança “pregou” essas palavras em alto e bom som para os seus fiéis.

O que seria “postar coisa de preto?” (essa frase é tão racista que dói escrevê-la). Será que ela quis dizer conteúdo contra o racismo? Isso seria errado, pouco cristão? Bem, ser racista é que não é cristão, certo? Onde foram parar aquelas palavras de “amai uns aos outros”?

E o que seria “coisa de gay?” Conteúdos que falam sobre o amor entre duas pessoas do mesmo sexo?

Muitas igrejas, infelizmente, ainda consideram que a homossexualidade é pecado. Mas a pastora foi longe demais até para esses padrões. Existe alguma igreja que proíba os seus fiéis de “postar coisa de gay?” Espero, sinceramente, que não.

A pastora, com seu fanatismo e sua falta de amor, prejudica os evangélicos quando fala essas coisas, já que, óbvio, a maioria dos fiéis não pensa dessa forma. Muitos evangélicos, inclusive, são negros e gays.

Ser intolerante e pregar o ódio não é privilégio da igreja evangélica

Há “pregadores de ódio” no comando de templos de quase todas as religiões. Para citar um exemplo recente: em junho, um padre da Paróquia de Tapurah, em Mato Grosso, publicou um sermão nas redes sociais onde atacava o repórter Erick Rianelli, da TV Globo. Motivo: por ocasião do Dia dos Namorados, Erick se declarou ao vivo para o marido. A mensagem de amor dele foi linda e singela. Mas, para o padre Paulo Antonio Müller, foi “uma falta de respeito para com Deus”. O padre disse ainda que “o casamento era uma coisa bonita e digna e que o sentimento de amor é entre homem e mulher”. E, para completar, chamou o repórter de “viado”, de forma ofensiva.

O que está acontecendo com essas pessoas? Eles esqueceram a posição de autoridade que têm?

Líderes religiosos são pessoas que deveriam orientar suas comunidades com serenidade, acolher. Pelo menos, é isso o que a gente aprende na escola (e sei do que estou falando, estudei em colégio de freira). Padres e pastores não podem ser “haters” de redes sociais, aquelas pessoas que postam (usando o linguajar da pastora, que parece muito preocupada com redes sociais) mensagens de ódio.

Líderes religiosos são pessoas que deveriam orientar suas comunidades com serenidade, acolher. Pelo menos, é isso o que a gente aprende na escola (e sei do que estou falando, estudei em colégio de freira). Padres e pastores não podem ser “haters” de redes sociais, aquelas pessoas que postam (usando o linguajar da pastora, que parece muito preocupada com redes sociais) mensagens de ódio.

No caso dos haters da internet, a gente pode, pelo menos, reportar para as redes sociais que o usuário está usando discurso de ódio e pedir que eles sejam suspensos. O que fazer quando o “troll” (termo usado nas rede para designar pessoas que perseguem as outras e provocam) é uma pastora ou um padre?

Bem, como dizem por aí, “a lei é para todos”. Se eles não têm responsabilidade com suas comunidades, que sejam punidos pela lei.

No caso da pastora, ela vai ter que se entender com a justiça dos homens mesmo. A polícia civil de Nova Friburgo abriu um processo contra ela e, segundo o delegado responsável pelo caso, suas declarações foram claramente homofóbicas e racistas, crimes que podem ser punidos com cadeia. Ela até se desculpou, com um comunicado onde diz “meu pastor é negro!” (aquele papo de “até tenho amigos negros).

Não adianta, pastora, a senhora cometeu crimes e discurso de ódio “não pode postar” mesmo.

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