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Frente das Candidatas Negras quer unificar pautas e fortalecer debate sobre igualdade racial

Frente das Candidatas Negras quer unificar pautas e fortalecer debate sobre igualdade racial

Objetivo é um alinhamento das propostas visando o empoderamento da mulher negra

Por Airton Raes Do Topmidia New

Buscando ampliar e unificar as pautas, foi criada a Frente das Candidatas Negras, que reúne militante da causa negra que disputam algum cargo nas eleições deste ano em Campo Grande. O Objetivo é um alinhamento das propostas visando o empoderamento e também a Justiça com igualdade racial.

Uma das idealizadoras da frente e integrante da União Brasileira de Mulheres, Cleuza Pedrosa, explica que a Frente foi criada inicialmente para saber quais eram as candidatas e quais os compromissos de cada uma. “Percebemos que tínhamos a necessidade de saber qual seria a discussão voltada realmente para a população negra. A gente tinha uma grande preocupação que nesse momento todo mundo se declara negro. mas qual é realmente o compromisso?”, afirmou.

Uma das integrante da Frente, a candidata a vice-prefeita pelo PROS, pastora Marcia Mega, destaca que entre as pautas desse compromisso do alinhamento das propostas está o empoderamento da mulher negra, igualdade com justiça social, politicas públicas voltadas para a saúde da mulher negra. “Por ser mulher e negra, somos banalizadas e criminalizadas. ganhamos menos.  Ainda vemos a maioria das mulheres negras trabalhando como domésticas. Com as nossas candidaturas estamos reforçando que podemos chegar lá. Também podemos. podemos lutar batalhar e isso encoraja as outras mulheres negras”, completou Márcia.

A candidata a vereadora Maria do Socorro (PCdoB) servidora pública aposentada da área da saúde lembra que existem questões referentes a saúde que precisam destaque, como a anemia foiciforme.  “Mulher e negra somos maioria da população do brasil mas nessas questões sociais ainda somos minoria. Pela minha trajetória de luta dentro da saúde, a gente via esse prolema da anemia. Tem que ser bem discutida a questão da saúde da mulher negra quilombola. A Mulher negra é massacrada na reprodução, na maternidade. Para gerar oito dez filhos para ter mão de obra barata.”, enfatizou.

A candidata a vereadora, Benedita Marques Borges (PT), orientadora vocacional e mestre em educação e politicas públicas, explica que uma das questões é a democratização da gestão escolar, através de eleições diretas. Ela também defende que na Rede Municipal de Ensino sejam contratados profissionais da assistência social para atender as famílias dos alunos, assim como psicólogos para atender crianças e professores. “Falta vontade politica. Podemos ter isso como politica pública para todas as escolas”, disse.

Para a candidata a vereadora Raquel Correia (PRB), bacharel em direito, escritora e poetisa, existe a necessidade do cumprimento da Lei 10.639, que  torna obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas. “Nas escolas não tem aplicação. Não é efetiva. Muitas vezes acontece casos na escola, como a minha filha que sofreu racismo na escola e os professores, nem mesmo a diretora estavam preparados para isso e acabaram coagindo o outro adolescente que cometeu a discriminação e não conseguiu conversar e acabou agravando a situação. É preciso ter professores preparados para atender a lei. O governo municipal precisa preparar esses professores”, destacou.

A candidata a vereadora Marinalva Pereira (PSD), advogada e Jornalista, lembrou que ano passado foi criada através de lei a Secretaria Municipal da Igualdade Racial, mas não instalada ainda. “Está engavetada. Precisa de um prefeito para colocar em andamento. A Secretaria tem autonomia para executar os projetos. Se a prefeitura não tem dinheiro pode recorrer a Brasília ao Estado., através de  parcerias. É uma ação afirmativa da comunidade negra e comunidades urbanas quilombolas”, completou.

A força

Usando o nome na Urna de Baiana do acarajé, a candidata a vereadora pelo PTN Maria Jose Gomes Duarte lembrou que o combate ao racismo é um ponto de extrema importância. “Mas Nós vemos um monte de situações de racismo declarado onde a pessoa paga fiança e vai embora. É fazer a lei ser cumprida. Não é coisa que inventamos. O racismo existe e está ai. E não é só o negro pobre. O rico também sofre racismo. Estamos vendo ai atrizes apresentadoras sendo vítimas sofrendo racismo”, disse.

As integrantes da Frente das candidatas Negras também destacaram que o objetivo é criar referencias para futuras lideranças politicas. No cenário politico, nós mulheres não temos acesso. É dominado pelos homens. Quando se trata de mulher negra, você não tem nenhuma referencia. As pessoas não tem referencia politica. E quando fala em referencia politica mulher você não tem porque não vê a referência feminina. Temos 29 cadeiras e apenas três mulheres. E quando fala em mulher negra não tem nenhuma”, disse Raquel.

Pastora Marcia lembrou que essa união das propostas dá força e visibilidade para a causa negra. “Tem muita coisa que precisa ser feita. Para sair na rua é necessário ter voz e pensando nisso resolvemos nos unir, com a proposta de enfrentamento, dessa frente de candidatas negras. A comunidade negra já elegeu muita gente. Mas nosso centro comunitário continua do mesmo jeito. A nossa escola continua do mesmo jeito. A comunidade continua do mesmo jeito. A moreninha continua do mesmo jeito. O poder público não vem atender a comunidade negra. Mas vem pedir voto como apareceu muita gente. Por isso Decidimos colocar a nossa cara nas eleições”, disse.

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