Jovem negra achada morta em prisão no Texas era militante da campanha ‘Black Lives Matter’

‘Ser negro na América é muito muito difícil’, disse Sandra Bland em um vídeo no Facebook, três meses antes de ser detida por um policial branco nos EUA

A jovem negra Sandra Bland foi encontrada morta há cerca de duas semanas em uma prisão no Texas, EUA, três dias após ser detida por um agente branco que a abordou de forma agressiva e abusiva em seu carro, conforme mostra um vídeo divulgado nesta terça-feira (22/07) pela polícia norte-americana.

No Facebook, jovem fazia a série de vídeos ‘#SandraSpeaks”

Embora o incidente tenha sido classificado inicialmente como “suicídio” pelas autoridades, a afro-americana era militante do movimento “#BlackLivesMatter” e já tinha lançado uma série de vídeos em sua conta no Facebook em que criticava o racismo institucional presente no país.

Uma das principais publicações sobre a temática racial e seu apoio à campanha é datada de 8 de  abril. Em quatro minutos, Bland desconstrói vários preconceitos e valores que permeiam a história norte-americana.

“Pessoas brancas: os negros sabem que todas as vidas são importantes. O que eu preciso que vocês, caras, entendam, é que ser negro na América é muito muito difícil”, afirmou a jovem em uma postagem na rede social.

“Embora vocês todos amem dizer ‘oh, ninguém deveria ver raças’. Mas raças negras não têm poder, enquanto os brancos têm! Porque eles estão em posições de controle ou estão em posições em que eles conseguem influenciar seu controle perante os negros. Sim, isso é verdade”, continuou.

Para Sandra Bland, apenas se uma quantidade suficiente de pessoas brancas expressasse de fato que a vida dos negros realmente importa, “talvez parassem de matar nossos irmãos negros”.

Além da importância de uma ação conjunta — que envolva tanto negros, quanto brancos — a jovem ressalta que isso é um sintoma de um racismo histórico. “Me mostre na história dos EUA um momento em que todas as vidas realmente  importaram. Me mostre onde a liberdade e a justiça são feitas para todos”, desafia.

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