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Lançamento do documentário “Cores Pretas”

Jornalista lança documentário sobre empoderamento da mulher Negra, em Campos, no Norte Fluminense

Por Daniela Abreu para o Portal Geledés 

Divulgação/ Cores Pretas

A trajetória do empoderamento da mulher negra é tema do documentário “Cores Pretas”, que será lançado no Museu Histórico de Campos, no dia 25 deste mês, Dia Internacional da Mulher Negra e Latino Caribenha, às 19h. Apesar de ter sua história atrelada à cultura escravagista, Campos, terra de José do Patrocínio, o “Tigres da Abolição”, e um dos berços do Movimento Negro no Brasil, ainda não contava com uma produção do gênero.

O filme, assinado pela jornalista Stella Tó Freitas, foi produzido a partir de perspectivas de cinco mulheres negras. No documentário, as personagens contam suas vivências e enfrentamento ao racismo desde a infância até a vida adulta.

— Muito mais que um filme que conceitua o racismo, o “Cores Pretas” mostra como essas mulheres descobriram que o tom de pele é ‘qualitativo’ em nossa sociedade, que é racista. A partir desse ponto, elas contam como o racismo as transformou e como elas se redefiniram nesse processo, tornando-se mais fortes — contou a jornalista.

Os depoimentos evidenciam que o tom de pele influencia na forma como o preconceito é abordado e exercido. “Quanto mais melanina, mais severas são as formas de racismo, mas isso só modifica o tipo de racismo sofrido por quem é negro e não é retinto (negro de pele clara)”, conta Stella.

A jornalista espera que seu trabalho possa levar clareza sobre o poder modificador do racismo, que exige de quem o enfrenta, uma postura diferenciada diante de si mesmo e do mundo para que a subestimação de lugar a auto-afirmação.

Stella que é negra não retinta e diz que a partir do momento em que se identifica em sua própria história não vê outro ponto de partida a não ser Campos, que ganha seu primeiro documentário do gênero, a partir de narrativas individuais. “A ideia do documentário surgiu porque eu sentia a necessidade de saber como é a vida de uma mulher negra na prática, como funcionam as nuances do racismo e como ele transforma a vida dessa mulher. Esse registro não poderia começar por outro lugar que não fosse Campos. Além de uma paixão indescritível que eu tenho pela cidade, nós ainda somos carentes do entendimento de que Campos respira cultura negra.”

O projeto está sendo gerado há mais de um ano em uma espécie de desafio. “É meu primeiro documentário e já aborda um tema muito sensível. Eu precisava não teorizar o racismo porque existe a necessidade de entender como ele age na sua essência, como ele atinge as estruturas de uma sociedade, e como ele chega à pele e transforma a alma”, finaliza a jornalista.

O lançamento do documentário “Cores Pretas” vai arrecadar doações de absorventes para serem doados para as mulheres que cumprem pena no presídio feminino de Campos, Nilza da Silva Santos.

Reprodução/Facebook


** Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do PORTAL GELEDÉS e não representa ideias ou opiniões do veículo. Portal Geledés oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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