Livro infantojuvenil aborda racismo, bullying e autoafirmação

Manoelita, Cachos em Flores lançado nesta quinta-feira (13), no Forte de Santo Antônio da Barra

Por Vinícius Harfush no Correio 24h

Livro ‘Manoelita- cachos em flores’ tem ilustração de Walden

“Que as crianças permitam-se ser quem elas querem ser”. É assim que o autor Bruno Miranda define o livro Manoelita, Cachos em Flores, que aborda a temática do racismo, bullying e da autoestima, tarefa ainda mais difícil quando se trata de uma obra infantojuvenil. A obra lançada nesta quinta-feira (13), a partir das 18h, no Museu Náutico da Bahia, no Forte de Santo Antônio da Barra. Durante o evento gratuito, o livro será vendido no valor de R$ 30.

Com uma linguagem simples e leve, a história se constrói em torno de Manoelita, uma garotinha negra de 8 anos que, como grande partes das crianças e jovens negros, não se sente à vontade com seu cabelo. Aproximando-se de um conto de fadas, a trama se desenrola apresentando altos e baixos na vida da personagem, que, apesar das dificuldades, entende o quanto realmente ela era bonita, do seu jeito.

Apesar de ter um público previamente definido como infatojuvenil, Manoelita, Cachos em Flores se torna uma leitura importante, também para os pais, como destaca o autor. “É  um alerta para os pais, não assinem em baixo da ditadura do cabelo… é importante fazer com que seus filhos sejam do jeito que querem ser”, afirma Bruno, que é professor professor do Instituto Federal da Bahia (Ifba).

Inspirações

Nascido em Salvador, o autor confessa que o gosto por escrever surgiu de forma espontânea, depois que resolveu anotar as histórias que contava para os seus filhos a cada noite. As histórias inventadas resultaram em vários textos armazenados no computador, foi então que decidiu compartilhá-las.

Sua referência para escrever o conto também foi particular: uma amiga em comum com sua esposa foi a inspiração e suas dificuldades moldaram o perfil da personagem principal. Apesar de ser um livro simples, a mensagem que Manoelita transmite passa longe disso. “É uma mensagem que diz não a preconceito, ao bullying, ao racismo e sim à autoafirmação, ao empoderamento e à personalidade”, afirma.

Formado na Escola de Belas Artes de Salvador (Ufba), Bruno tem mestrado em educação ambiental pela Uesc e especialização em educação. E são de alguns momentos em sala de aula que o autor reflete a importância de um livro com essa temática e de como o poder da autoafirmação ainda está longe de ser algo presente na juventude negra.

“Vejo isso no dia dia, dentro de sala, na escola… A vergonha de meninas e meninos tem de se firmar com seu cabelo do jeito que é. Isso é ruim pra formação, pro caráter… Você não vive você”, reflete. Por outro lado, em casa, o escritor baiano também assume papel de pai educador, entendendo a importância da leitura para a formação dos seus filhos e ainda brinca: “Leitura lá em casa é obrigatório, ou lê ou lê”, ri.

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