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Minha cor, minha identidade, até quando?

Na sociedade atual a importância da sua cor, religião, sexo, opção sexual diz muito sobre quem você é, qual o cargo que você terá em uma empresa e principalmente, como a comunidade irá se relacionar contigo. O ano de 2008 ficou marcado na história: pela primeira vez, um negro se tornou presidente dos Estados Unidos da América. Todo o mundo midiático ofereceu várias versões de como seria o mandato de um negro em um país onde todos os presidentes haviam sido brancos, porém o que mais chamou a atenção foi o ato de comemoração que a sociedade estadunidense teve: tanto brancos quanto negros comemoraram a vitória de Barack Obama.

Envido por Bruno Roque Younes via Guest Post para o Portal Geledés

Na atual coletividade do século XXI, percebemos que várias personalidades negras além de Obama estão alcançando cargos de destaque em uma sociedade que ainda é considerada preconceituosa, sejam estes cargos no esporte, na política, no universo empresarial ou até mesmo na mídia. Podemos citar como exemplo de personalidade a nova garota do tempo do Jornal Nacional, Maria Julia Coutinho, que tem tido um destaque no horário nobre da televisão brasileira, onde tem demonstrado carisma, inteligência e mostrando que veio para transformar a opinião pública sobre a negritude televisiva.

O preconceito ainda existe em nossa sociedade mesmo com leis. Este ato social é motivado pelo passado, onde vemos na historiografia as diferenças que eram impostas pelo homem e a situação de pobreza que a grande maioria da sociedade vivia, onde encontramos a segregação social que leva a outras manifestações de preconceito. A diretora do Colégio Marista São Luís, Andrea Cardoso, relata que, quando era estudante de pedagogia na Universidade de Blumenau, na década de 80, frente ao preconceito que sofria, seu sentimento era de minoridade em relação a uma sociedade alemã onde a grande maioria sobressaia-se apenas pelo fato de ser descendente de germânicos, e não por destaque acadêmico. Ela relata que por muitas vezes seus textos não eram escolhidos para serem apresentados em simpósios simplesmente por ser negra, apesar de apresentarem qualidade superior aos de seus colegas formandos.

No entanto, Andrea não se deixou abater pelo preconceito de seus professores e colegas de formação. Ela conta que seu maior pensamento na época era: “eu tenho que conquistar o meu espaço da maneira mais correta, portanto não desisti, tinha que alcançar a minha posição na sociedade mostrando que eu era tão competente quanto os outros alunos”.

No Brasil há diversos relatos de discriminação racial, configurando-se como atos de inferiorização, que resultam em grande potencial de desigualdade em relação à população branca. As leis 10.639/03 e 11.645/08 estabelecem que o ensino de História da África e Cultura Afro-brasileira devem ser incluídos nas escolas e também nos cursos de licenciatura, como por exemplo, Letras, Pedagogia, Sociologia, Filosofia, Geografia e História, para que assim os licenciados possam reconstruir a imagem do negro na atual sociedade, lembrando sempre que o negro faz parte da construção da identidade do povo brasileiro. Por fim, a professora Andrea diz que o espaço educacional é o melhor lugar para mudar a opinião social em relação a qualquer tipo de preconceito, e também frisa que através da educação é que iremos conseguir mudar os hábitos sociais, em um espaço que tem como um de seus princípios básicos promover o respeito entre todos e a diversidade cultural.

 

 

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