quinta-feira, abril 22, 2021

Tag: Branquitude

Os vereadores Matheus Gomes (PSOL) e Comandante Nádia (DEM) trocaram farpas na Câmara de Porto Alegre, após a bancada do PSOL se recusar a cantar o hino do estado Foto: Divulgação / Câmara Municipal de Porto Alegre

Entenda por que o hino do Rio Grande do Sul é considerado racista

Mas não basta pra ser livre / Ser forte, aguerrido e bravo / Povo que não tem virtude / Acaba por ser escravo”. Esse trecho do Hino do Rio Grande do Sul repercutiu nas redes sociais depois que vereadores do PSOL se recusaram a cantá-lo durante a cerimônia de posse na Câmara de Porto Alegre, na última sexta-feira. Considerados racistas, os versos integram a terceira versão do hino, composta por um militar no século XIX e adotada oficialmente na década de 1930. No evento, os cinco parlamentares que compõem a bancada negra do partido permaneceram sentados durante a execução do hino. O ato foi criticado pela vereadora Comandante Nádia (DEM), que pediu a palavra e afirmou que “o avanço de uma nação passa também pelo respeito aos símbolos”. Em seguida, o vereador Matheus Gomes entrou com uma questão de ordem e justificou o protesto de seus colegas de partido. “Como ...

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Notas sobre a produção racial cotidiana do cárcere

“Mais uma vez quero afirmar que minhas reflexões como um jurista negro me levaram a conhecer a relevância do protagonismo negro. Não há possibilidade de construção de uma sociedade racialmente justa quando praticamente todas as instituições sociais são controladas por pessoas do mesmo grupo racial.” (Adilson José Moreira) Hoje, assim como o fez Abdias Nascimento em oportunidade pública (NASCIMENTO, 2019), evocaremos as vozes da população negra objeto de intimidações, ameaças e agressões de todas as naturezas – quase sempre impedidas de serem ouvidas nesse país que se diz “democrático” –, mas em especial daqueles negros e negras silenciados pelo sistema de justiça, ainda tão pautado pela razão e pelos privilégios da branquitude. Evocaremos vozes negras que, em plena pandemia, passarão a virada desse terrível ano encarceradas de maneira degradante. No Brasil, diversas pesquisas apontam o caráter seletivo do sistema penal que contribui para a violação sistemática de direitos humanos fundamentais ...

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Lia Vainer Schucman Foto: Yuri Ferreira/nsctotal

Lia Vainer Schucman: “Se tem um país que é supremacista branco é o Brasil”

No ano em que o racismo se tornou um tema incontornável para mídia, marcas, formadores de opinião e governos — mesmo os que negam sua existência — alguns aprendizados e perguntas reverberaram mais do que nunca na sociedade. Uma das lições propagadas por muitos intelectuais e ativistas a esse respeito é que a desigualdade racial e o preconceito são problema e responsabilidade de todos, não apenas da população negra. Pessoas brancas se sentiram compelidas a indagar, talvez pela primeira vez na vida: "Como posso ser antirracista? Qual é o meu papel nisso tudo?" "Todas as instituições têm o que fazer. Elas são compostas de indivíduos e todos têm como propor ações", responde a professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina Lia Vainer Schucman, que estuda a branquitude brasileira há quase duas décadas. Em entrevista a Ecoa, Schucman falou sobre práticas antirracistas pensadas a partir do cotidiano, defesa da supremacia branca por ...

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iStockphoto

Nós, brancos, precisamos estudar o Brasil a partir de autores negros 

Em um ano confuso, difícil e com grandes problemas mundiais vindo à tona, fora a crise sanitária, várias coisas fazem mais sentido. O mundo todo - e também a nossa classe média alta pra cima - descobriu admirado que existe desigualdade social. Como assim no dia dois da pandemia da Covid-19 já temos pessoas passando fome e sem emprego? Os olhos estavam fechados de propósito. E alguns ainda seguem assim, num ato contínuo de "desver" - desde a invasão dos portugueses no Brasil, aquele momento que tudo começou a dar errado em terras tropicais. Certamente naquela época outros planetas nos olharam e pensaram "essa galera não vai dar certo, vão ferrar com tudo aí nesse pedaço do mapa", e deu. O racismo existe sim, vice-presidente Mourão. Por mais que você e toda essa turma horrível que hoje ocupa Brasília diga que não, simplesmente para manter um plano genocida, o racismo ...

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Adobe

Assuma a sua passibilidade!

Você pode ter o cabelo um pouco encrespado, mas a cor da sua pele coloca você num lugar privilegiado.  Nega Fya (Fabiana Lima)¹ Já decidi. Eu sou branca. Quero também o poder de fazer escolhas e, a partir de hoje, amplio em minha vida o sentido de passibilidade e vou torná-lo sinônimo de universalidade. Sim! A partir de hoje sou um sujeito universal e não admito mais ser racializada. Pisarei nesse chão social, sem aceitar classificações alheias, pois o importante é a minha opinião. Quando criança, por muitas vezes, senti medo de ser rechaçada pela cor da minha pele e sei que muitas pessoas negras se identificam com o meu temor. Eu pensava mais ou menos assim “Tomara que não falem mal do meu cabelo!”, “Será que hoje recebo um elogio da professora?” ou “E aquele personagem estranho do desenho, por favor, que ninguém diga que pareço com ele!”. Assim ...

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Foto montagem: Pedro Lima

“Ô dó!”: sobre o sentimento de pena da branquitude diante da nossa dor

Dissimular uma aparente simetria na sociedade, ignorando desvantagens estruturais e desigualdades que, de tão profundas, saltam aos olhos é um arranjo bastante comum para a permanência do status quo em uma sociedade supremacista branca.  Embora uma parte da branquitude repudie veementemente o racismo – leia-se injúria racial e atos de ofensa – a própria ideia de superioridade racial, o “gene” defeituoso no organismo do ser social branco, é pouquíssimo confrontada.  Nossas dores não geram necessariamente empatia na branquitude, afinal nunca fomos suficientemente humanos na construção do seu olhar sobre os nossos corpos e nossa existência. No entanto, uma análise desta relação prescinde uma compreensão do próprio conceito de branquitude e de como o sistema de dominação racial sustenta a  auto-imagem das pessoas brancas, sobretudo, das classes privilegiadas.  Para fins didáticos, faremos uma analogia da sociedade brasileira com a forma de um iceberg, considerando que o mito da democracia racial seria ...

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Cena de "Cara Gente Branca"/ LARA SOLANKI/NETFLIX

“Cara gente branca”: Branquitudes e privilégios de quem pensa ser antirracista no Brasil

Esta reflexão sociológica surge como tentativa de análise sobre uma das consequências contemporâneas do racismo que é a constituição do fenômeno social “cara gente branca¹”, um conceito histórico e sociológico que se tornou popularmente conhecido no Brasil, através das práxis políticas de parcela dos movimentos negros - enquanto uma provocação ao nosso racismo histórico-cultural e estrutural - ao desenvolver uma análise, um olhar crítico, de um grupo social-racialmente inferiorizado em relação, numa perspectiva dialética, ao seu grupo étnico-racial e social opressor, o que demonstra uma forma de se buscar compreender e problematizar as características de exceções e discriminações que caracterizam as ditas sociedades ocidentais por uma perspectiva que privilegia o ponto de vista, as referências e perspectivas daqueles que tradicionalmente nunca tiveram voz. Para uma melhor definição de nossa análise, aqui será discutida a vertente “progressista”, tanto por um viés “liberal”, quanto de “esquerda”, desse conjunto social que se encontra ...

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Laboratório da Faculdade de Medicina de Guarujá — Foto: Marketing Unoeste

Enade: 80% dos formandos de medicina são bancados pela família, e 70% se declaram brancos

De todos os alunos que estavam prestes a se formar em medicina em 2019, 80% afirmaram não ter renda própria - eram bancados pelos pais ou por pessoas próximas. Na maior parte dos casos, os salários do núcleo familiar somavam mais de R$ 5.700,00 mensais. Os dados foram obtidos a partir dos questionários socioeconômicos do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) 2019, divulgados nesta terça (20). A prova avalia o perfil e os conhecimentos de alunos concluintes da graduação. Abaixo, veja os principais destaques: Renda familiar superior a R$ 5.700 Apenas 6,8% dos estudantes de medicina afirmaram que a renda familiar era de até R$ 1.431,50. Na maior parte dos casos, a soma dos salários ultrapassava R$ 5.724,00. Veja o gráfico abaixo: Poucos alunos eram responsáveis pelo sustento da família (0,6%). A maior parte, como já dito no início da reportagem, não tinha renda própria e era financiada por ...

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Fonte: Shaih Norway

A Branca Benfeitora

Muito falamos das Imagens de Controle das mulheres negras, criadas pela branquitude durante o período colonial e, como o nome já diz, para nos controlar e assim utilizar dos nossos corpos. Além disso, as imagens criadas sobre e para as mulheres negras tem também como função sustentar a imagem de si da branquitude e das classes privilegiadas, como por exemplo, aquela da superioridade. Lélia Gonzales  (brasileira) e  Patricia Hill Collins (estadunidense) são duas feministas negras que apontaram a construção dessas imagens e as identificaram, desnudando como elas operam. E são elas: a negra raivosa, a jezebel ou prostituta, a mammy, aquela que cuida de todos e está sempre a disposição, como a Anastácia, do sítio do pica-pau amarelo, a mula ou  burro que carga, igualada aos homens no trabalho e pouco feminina,  a mulata de exportação, no caso brasileiro e a serva ou doméstica.  Que mulher negra já não foi ...

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Divulgação

Instituto Ibirapitanga realiza chamado ao diálogo e ação sobre as relações raciais no Brasil

Do ponto de vista das relações raciais no Brasil e no mundo, o ano de 2020 reservou episódios que deixaram transparecer as feridas abertas que as desigualdades raciais trazem para a população negra. Entretanto, a sociedade não é produzida por uma só nota e, ao passo que o racismo desumaniza e expõe pessoas negras a todo tipo de violências simbólicas e físicas, as mobilizações antirracistas ganharam força e visibilidade em diferentes partes do mundo. Esse momento evidenciou a importância da ampliação dos diálogos em torno da questão racial e suas particulares dimensões. Voltado desde 2017 à promoção da equidade racial, o Instituto Ibirapitanga tem como um de seus eixos centrais de atuação o fortalecimento de movimentos antirracistas. A partir dele, apoia uma série de iniciativas e organizações fundamentais para o enfrentamento ao racismo estrutural no Brasil, com o protagonismo negro necessário a esse trabalho. Em outubro de 2020, o Instituto ...

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A primeira turma de medicina da federal do Recôncavo teve 12 alunos negros, cerca de 40% do total dos formandos - Arquivo pessoal/Imagem retirada do site Folha de São Paulo

Homem branco com ensino médio privado e superior público tem renda maior

Fazer ensino médio em escola privada e universidade pública, realidade de uma minoria de brasileiros, resulta em salários maiores no futuro. Mas a vantagem não é proporcional entre todos os formandos dessas modalidades de ensino mais valorizadas, aponta estudo do Insper. Mesmo entre aqueles que cursaram o ensino superior público, um homem branco chega a ganhar em média quase 160% a mais do que uma mulher negra (considerando a soma de autodeclaradas pretas e pardas). E esse diferencial não está ligado somente à escolha de cursos, já que mesmo dentro de uma mesma profissão a vantagem dos homens brancos se mantém. Entre médicos que se formaram em universidade pública, por exemplo, um homem branco ganha em média R$ 15,1 mil, um homem negro R$ 10,6 mil, uma mulher branca R$ 6,6 mil e uma mulher negra R$ 6,4 mil. “Há uma estratificação bem clara: quem mais ganha é o homem branco, ...

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Bianca Santana - Foto: João Benz

Magazine Luiza e um passo de ruptura com o pacto da branquitude

As desigualdades raciais no mundo do trabalho são vistas a olhos nus. Quem conhece o Brasil sabe a cor de pele e a textura dos cabelos de quem ocupa o topo e de quem ocupa a base da pirâmide social. E o abismo com o qual convivemos está mensurado: a diferença na taxa de desemprego entre brancos e negros é de 71,2%; brancos recebem, em média, 56,6% a mais que a população negra; dentre profissionais contratados para cargos de liderança em São Paulo no ano de 2019, apenas 3,69% eram pretos ou pardos; mulheres negras são apenas 0,5% do quadro executivo das 500 maiores empresas brasileiras. Tais dados costumam ser ignorados por quem comanda as organizações e, ano após ano, contratações e promoções atualizam seus quadros reproduzindo os mesmos critérios racializados. Mas a escolha que privilegia um grupo racial e exclui outro não está nomeada, é evidente. O silenciamento e ...

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Reprodução/Facebook/Fatos Desconhecidos

A negligência intelectual dos racistas brancos esclarecidos

Mesmo ciente do debate sobre “cultura do cancelamento” meio vinculada à ideia de punição, e corrente, sobretudo, nas redes sociais, o mesmo não tem centralidade nesse texto. Seja para “corte ou costura”, prefiro uma elasticidade pedagógica, que pode, ou não, abrir diálogo, mas não pressupõe seu fechamento. Mas digo, de antemão, que como mulher negra me vejo na legítima e justa posição de rejeitar racistas como referências intelectuais, o que não quer dizer que eu possa fazê-lo integralmente, ou que tenha essa radicalidade como método, coisas que, dadas as circunstâncias históricas, não são nem técnica nem politicamente possíveis. Contudo, não deixa de ser notável que o racismo dos brancos esclarecidos costumar ir da arrogância preliminar à uma autofragilização mediante um antiguíssimo recurso à “animalização” de quem reage ao seu racismo explícito, porém negado. Nesse percurso, os discursos reativos à reação vão tornando-se minguados e vazios e, à semelhança do reacionarismo ...

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Tiganá Santana (Foto: José de Holanda / Divulgação)

‘Branquitude não se compromete com luta antirracista’, diz Tiganá Santana

O compositor Tiganá Santana, 38 anos, seria diplomata se não fosse a paixão pela música. Sua mãe, Arany Santana, sonhava que o filho pudesse entrar para o Itamaraty. Negro, ele desconstruiria ali o racismo enraizado na história do país que é "o grande paraíso do segregacionismo", como afirma o cantor. Na família de fundadores do Movimento Negro da Bahia e dirigentes do bloco afro Ilê Aiyê, Tiganá encontrou, aos 14 anos, outra trincheira na luta antirracista: a musicalidade. Considerado o primeiro compositor brasileiro a gravar um disco nos idiomas africanos quicongo, quimbundo, wolof e mandinka ("Maçalê", de 2009). Tiganá conecta música e filosofia em suas canções. Com dois novos álbuns recém-lançados - "Vida-Código", em fevereiro, e "Milagres", de julho — em que faz uma revisita a "Milagre dos Peixes", de Milton Nascimento, censurado pela ditadura militar em 1973 —, o compositor também se debruça sobre os escritos do congolês Bunseki ...

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Pixabay

A branquitude, a negritude e o jornalismo investigativo – narrativas controversa

Recentemente, muitos casos envolvendo a prática de crime em tese por membros do Poder Judiciário, da Advocacia e do Ministério Público têm invadido as redes sociais e as manchetes dos telejornais. Uma característica comum às notícias chama a atenção: os/as investigados/as ou acusados/as são todos/as brancos/as e, invariavelmente, da (proto)elite hegemônica instalada no país desde há muito, destacada pela cútis, pelo cargo e pelo patronímico que ostenta. Trata-se de mais uma evidência da racialização da sociedade brasileira, que reserva os melhores postos e condições de vida à mesma parcela de indivíduos. Evidencia, também, que o cometimento de delitos não é exclusivo da parcela mais vulnerável da sociedade, como desejado pela criminologia da reação social, mas um ato passível a qualquer ser humano, por sua própria essência. Outro dado desperta curiosidade. As notícias de supostos crimes praticados por representantes da (pseudo)elite branca brasileira têm o cuidado de tratá-los como presumidamente inocentes, ...

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Reprodução/ Insecure

A resposta pro cinismo branco é o deboche preto

O bom humor é uma das características mais marcantes do famoso jeitinho brasileiro, parece que gerações e gerações inconscientemente aprenderam a serem bem humoradas, mesmo com toda a dificuldade que é viver no Brasil.  Indo além da superfície, essa suposta cordialidade mascara diversos traumas sociais brasileiros, um deles é o jeito “bem humorado” que lidamos com nossas relações raciais. Sandra Dahia, professora da UFPB, pesquisa como o riso aparece como solução “bem humorada” para lidar com a nossa tensa relação racial. Segundo a pesquisadora, para a branquitude, lidar de forma bem humorada com a questão racial seria uma das maneiras de evitar o desgaste nessa complicada relação. Através de piadas e brincadeiras duvidosas o brasil conseguiria velar ainda mais o racial em sua democracia harmoniosa, evitando conflitos desnecessários. Não é à toa que em uma certa data do ano um trecho editado tendenciosamente fora de contexto de uma entrevista de ...

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Reprodução/Twitter

Inveja do quê, meu “fi”? Sobre as coisas que nos atribuem

Matheus foi fazer uma entrega de comida em um condomínio classe média em Valinhos, interior de São Paulo, antro da ostentação da descendência italiana. Tem condomínios fechados que são como casas populares, todas iguais e da mesma cor, construídas com material de baixa qualidade, superfaturado,  e que custa 1 milhão de reais, como um que visitei em Campinas, perto do Shopping Center Dom Pedro. Mas quando cercado e altamente vigiado, com porteiro e zelador,  com  áreas separadas para domésticas e babás, vira chique para os padrões da classe média brasileira cafona e retrógrada.  Ali pertinho de Valinhos, na cidade de Jundiai, também tem um, ao lado do Jundiai Shopping , que tem até praça de empregada. Ué,  a empregada passa o dia inteiro dentro da mesma casa com a patroa e na hora de usar a pracinha, tem que ser separado? Quanto mal gosto! Quanta falta de noção! Mas aí ...

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Reprodução/Black is King/Disney

O que o ‘medo branco’ tem a dizer sobre lugar de fala, raça, Beyoncé e cancelamento

 Para autora, onda de insatisfação com o tratamento da antropóloga Lilia Schwarcz pelo significante "branca" ensina que a posição de vantagem estrutural dos brancos em sociedades racistas pode aprisionar o grupo que a criou. No debate sobre lugar de fala, mercado epistemológico de raça e cancelamento que tomou a polêmica em torno do texto de Lilia Schwarcz sobre Beyoncé, um aspecto pouco elaborado é o do medo branco. Pude observar reações e sentimentos opostos (que também me acometem) por parte dos brancos com quem eu converso. A primeira e mais comum é um sentimento de solidariedade com Lilia Schwarcz, medo de ser o próximo a ser questionado. A outra reação é uma tentativa de se distanciar para afirmar uma branquitude mais crítica, ou seja: o medo de ser "igual". As duas reações fazem parte de um sentimento novo para nós brancos brasileiros. Significa que nossa racialidade está sendo marcada, algo ...

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(Getty Images / Lucas S.Paiva/Guia do Estudante)

Psicologia de 1,99 para nos controlar

Caiu no linguajar comum o uso da psicologia. Houve, com o advento da modernidade, uma difusão da ciência e de uma certa racionalidade na vida quotidiana e isso inclui frases feitas tiradas da psicanálise ou de grandes nomes como Freud. Por exemplo, “Freud explica”, é usado para se referir às questões que deveriam ser analisadas sob a luz do conhecimento dito científico e reforçando que ele, como autoridade, é o único capaz de fazer isso. Acontece que há pouco tempo, as figuras que produziam conhecimento e se colocavam como “universais” nunca foram questionadas, tampouco os sujeitos que produzem ciência e que exercem a profissão baseados em saberes científicos.   Mas os tempos são outros, e ainda bem. Quando li o estudo da filósofa francesa Lucy Irigaray, no seu livro “Speculum, l’altra Donna” (Speculum, a outra mulher), foi como se meus olhos se abrissem para ver coisas que, até então, eram ...

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Reprodução/Black is King/Disney

Historiadora que criticou Beyoncé se desculpa e culpa Folha por título

A historiadora e antropóloga Lilia Moritz Schwarcz, especialista em ‘escravidão’ pediu desculpa pelo artigo “Beyoncé erra ao glamorizar negritude com estampa de oncinha” sobre o filme de Beyoncé , ‘Black is King‘ e culpou a Folha de S. Paulo pelo título após repercussão negativa do caso. O artigo também falava que “diva pop precisa entender que a luta antirracista não se faz só com pompa, artifício hollywoodiano, brilho e cristal”. Entretanto, nesta terça-feira (04), ela publicou um texto no Instagram, reconhecendo seu erro. “Passei as última 48 horas praticando a escuta. Conversei com pessoas amigas e críticas, e rascunhei essa mensagem inúmeras vezes. Não deveria ter aceito o convite da Folha, a despeito de apreciar muito o trabalho de Beyoncé; seria melhor uma analista ou um analista negro estudiosos dos temas e questões que a cantora e o filme abordam. Ao aceitar, não deveria ter concordado com o prazo curto ...

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