terça-feira, julho 5, 2022
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Ministra dos Direitos Humanos cobra explicações do governo do Rio sobre ação da Polícia Civil

Após assistir às imagens reveladas ontem pelo EXTRA, a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário Nunes, afirmou que vai cobrar explicações do governo do Rio sobre a operação

na Favela do Rola, em Santa Cruz. A ministra afirmou que não existe ali nada que possa ser chamado de auto de resistência, forma como as mortes foram registradas pela Polícia Civil:

— São imagens muito fortes, demonstram que não existiu nenhuma situação que possa ser caracterizada como auto de resistência. O objetivo da polícia deve ser localizar e deter o criminoso. Jamais perseguir e matar.

A partir de amanhã, segundo ela, o caso passará a ser acompanhado de perto pela Secretaria. Maria do Rosário preside o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, vinculado ao ministério, e composto por autoridades e especialistas em Direito Constitucional e Criminal.

— Vou solicitar ao governo do Rio explicações sobre isso. Que prática é essa de sobrevoar comunidade atirando? Que tipo de prática é essa de modificar uma cena de morte? Uma série de coisas impressionantes em termos de violações de Direitos Humanos — lamentou.

Maria do Rosário criticou o uso de armas que coloquem a população em risco.

— O vídeo indica, o que é muito grave, uma iniciativa para desconstituir a cena toda e, portanto, impedir uma perícia isenta de atuar. A polícia deve ser o lado bom. Uma abordagem desse tipo, sinceramente, atirar de um helicóptero sobre as casas, e modificar as cenas de morte daquelas pessoas, tudo isso é contra lei — criticou.

A ministra lamentou a forma como os corpos são carregados e a atitude dos policiais diante das mortes:

— Eu achei muito chocante a forma como carregam os corpos. Os comandos das polícias devem estar preocupados em humanizar a atuação policial, deve estar preocupado no que sente e como fica o policial após uma operação dessa. Não é saudável alguém comemorar uma morte. Isso produz adoecimentos que podem gerar pessoas que perdem a noção do que é violência e de seu papel, que é proteger a vida.

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Fonte: Extra Globo

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