Morte de jovem gera revolta na Maré

No dia 22 deste mês, Igor Silva, de 19 anos, foi morto por policiais durante operação policial no conjunto de favelas da Maré. O integrante do Coletivo Enegrecer Walmyr Junior publicou artigo sobre esse assassinato: “Não quero entrar no mérito de qual o papel que esse jovem cumpria na favela e na sociedade. Não quero argumentar se o Igor era trabalhador ou não, isso as redes sociais já falaram. Quero argumentar que o direito à vida é garantido em nossa Constituição Federal. Quero argumentar que o direito a sobrevivência é garantido na Declaração Universal do Direitos Humanos.  Quero argumentar que nenhum indivíduo merece ser assassinado nesse país, esteja ele em delito com a lei ou não”

Por *Walmyr Junior, para oJornal do Brasil

No Brasil 247

Mais um jovem assassinado pela polícia na Maré

Estou ainda estarrecido por mais uma incursão na Maré. Igor Silva foi assassinado pela polícia civil do Estado do Rio de Janeiro no dia 22 de fevereiro de 2016. Mais um jovem, de apenas 19 anos que teve seu futuro, sua vida, seus sonhos e utopias ceifadas pela política de segurança.

Mais um jovem vítima da pseudo guerras às drogas que inventaram. Uma guerra que só tira a vida da população favelada e periférica de nossas cidades. Uma guerra inventada para matar e exterminar aqueles e aquelas que nunca tiveram direitos de ter direitos. Uma guerra que vitimiza negros e pobres favelados.

Não quero entrar no mérito de qual o papel que esse jovem cumpria na favela e na sociedade. Não quero argumentar se o Igor era trabalhador ou não, isso as redes sociais já falaram. Quero argumentar que o direito a vida é garantido em nossa Constituição Federal. Quero argumentar que o direito a sobrevivência é garantido na Declaração Universal do Direitos Humanos.  Quero argumentar que nenhum indivíduo merece ser assassinado nesse país, esteja ele em delito com a lei ou não.

A favela está revoltada! A polícia vem, mata e vai embora. A polícia não garante a segurança. Só traz o medo e o desespero. São esses policiais que entram com armas de guerra dentro dos becos e vielas. Para o conhecimento do leitor desta coluna, uma arma utilizada por um policial, como por exemplo, o fuzil FAL calibe 7,62, tem capacidade de atravessar uma parede de concreto armado com reforços de ferro, atravessa paredes de tijolo como folha de papel, tem o alcance de 3 mil metros e precisão de um quilômetro, fura facilmente um veículo blindado. Imaginem o que um tiro desse não faz em um corpo humano?

Nossos corpos invisibilizados são ignorados pela mídia e pela comoção pública seletiva. Um caso com fortes indícios de fraudes processuais é taxado como apenas mais um caso isolado na favela. Mais um jovem foi covardemente assassinado e não se fala nada.

Na favela não tem fábrica de armas. Tudo vem de fora para dentro. Fica a dica!

* Walmyr Júnior é morador de Marcílio Dias, no conjunto de favelas da Maré, é professor e representante do Coletivo Enegrecer como Conselheiro Nacional de Juventude (Conjuve). Integra a Pastoral Universitária da PUC-Rio. Representou a sociedade civil no encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ.

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