domingo, outubro 2, 2022
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Mortes de dois homens negros, encontrados pendurados em árvores, geram protestos, e FBI entra nas investigações

Fonte: O Globo

As mortes de dois homens negros, encontrados pendurados em árvores, sendo um deles em um parque municipal, em um intervalo de 10 dias e a uma distância de 80 quilômetros entre os casos, na Califórnia, serão investigadas após autoridades policiais concluírem prematuramente que foram casos de suicídio. Protestos ganharam as ruas na esteira do assassinato de George Floyd, em Minneapolis, em 25 de maio, exigindo investigações rigorosas.

O chefe do condado de Los Angeles, Alex Villenueva, e seu colega no condado de San Bernardino, John McMahon, disseram separadamente que trabalhariam em cooperação com os investigadores do escritório do procurador-geral da Califórnia. Villenueva disse ainda que o FBI forneceria uma supervisão adicional.

– Queremos garantir que não deixaremos pedra sobre pedra – disse Alex Villanueva, sobre o caso de Robert Fuller, de 24 anos, encontrado morto na quarta-feira de manhã, com uma corda no pescoço, na Praça Poncitlan, um parque que fica a uma quadra da prefeitura, na cidade de Palmdale, a cerca de 100 km de Los Angeles.

Inicialmente, a polícia local determinou que se tratava de um suicídio, mas agora mudou a versão e iniciou uma autópsia.

A família da vítima não aceitou a versão de que o jovem havia tirado a própria vida. E a hashtag #JusticeforRobertFuller foi destaque no Twitter, na semana passada, com os usuários pedindo uma investigação completa do que alguns especulavam ser um encobrimento de um linchamento.

Pessoas acendem velas em um memorial improvisado na árvore em que Robert Fuller foi encontrado morto, em Palmdale. Foto: APU GOMES / AFP

Em entrevista coletiva nesta segunda-feira, o médico legista do condado, Jonathan Lucas, disse que a avaliação preliminar do suicídio aparentemente se baseava na falta de qualquer evidência imediata que indicasse um crime.

– Mas achamos prudente rever isso e olhar mais fundo – disse Lucas.

Autoridades locais comentaram ainda que não foi achado nada próximo ao corpo de Fuller, como uma escada, banco ou cadeira, que pudesse ter sido usado para elevá-lo antes do enforcamento:

– Nada mais foi encontrado no local, além da corda usada para pendurar a vítima e o conteúdo do bolso e da mochila que ele estava usando – disse Kent Wegener, chefe do esquadrão de homicídios do condado.

Villanueva disse que os detetives estão coletando vídeos de vigilância em áreas próximas, além de evidências forenses da corda e analisando o histórico médico da vítima. Eles também vão interrogar sua família e as testemunhas que o encontraram.

– Eles continuarão até que cheguem à verdade do que aconteceu – garantiu Villanueva.

Milhares de manifestantes se reuniram em Palmdale no sábado para se lembrar de Fuller e exigir uma investigação completa para determinar se ele morreu por suicídio ou em outras circunstâncias.

– Queremos saber a verdade, o que realmente aconteceu – disse Diamond Alexander, a irmã do falecido, no sábado. – Tudo o que eles nos disseram não está certo. Nós apenas queremos a verdade. Não foi suicídio. Ele era um sobrevivente

Em 31 de maio, a cerca de 80 km dali, Malcolm Harsch, um negro de 38 anos também foi encontrado pendurado em uma árvore, em um acampamento para moradores de rua, perto de Victorville. E a polícia do condado de San Bernardino também havia considerado um suicídio.

Autópsias separadas dos dois homens foram realizadas na sexta-feira, mas as conclusões finais aguardavam resultados toxicológicos e mais investigações pelos detetives de homicídios.

Mais violência

Na segunda-feira, um homem ficou gravemente ferido por tiros durante uma manifestação para derrubar uma estátua em Albuquerque (Novo México). A polícia está investigando o possível envolvimento de um grupo paramilitar.

Os manifestantes exigiam a retirada de uma estátua do conquistador espanhol Juan de Oñate, o primeiro governador do Novo México no período colonial, de acordo com a imprensa local.

Quando eles tentavam derrubar a estátua, integrantes de uma milícia de extrema direita chegaram ao local e um confronto teve início, segundo o jornal Albuquerque Journal.

“Os indivíduos com armas pesadas que se apresentaram à manifestação, autodenominados ‘Guarda Civil’, estavam no local por apenas uma razão: ameaçar os manifestantes”, escreveu no Twitter a governadora do Novo México, Michelle Lujan Grisham.

De acordo com a polícia, a vítima, identificada como Scott Williams, está em condição crítica mas estável. Nesta terça-feira, um ex-vereador, Stephen Ray Baca, de 31 anos, foi preso e acusado de ter atirado e ferido o manifestante, mas não está clara sua relação com a milícia que interrompeu a manifestação. O chefe da corporação disse que cerca de vinte armas foram apreendidas — elas estavam com quatro pessoas.

Nesta terça-feira, o prefeito de Albuquerque, Tim Keller, disse que a estátua será removida.

— Na noite passada, a escultura se tornou mais que um símbolo, se tornou um problema de segurança pública, e ela será removida hoje — disse, durante entrevista coletiva. — O tiroteio na noite passada na Cidade Velha, na escultura de Oñate, foi um ato horrível e inaceitável de violência.

Durante a onda de manifestações contra o racismo e a violência policial nos Estados Unidos, várias estátuas e monumentos relacionados com o colonialismo e a escravidão foram derrubados.

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