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Movimentos negros dão mais importância ao dia da Consciência Negra do que para o dia do fim da escravidão no Brasil

Movimentos negros dão mais importância ao dia da Consciência Negra do que para o dia do fim da escravidão no Brasil

Ativistas dos movimentos negros defendem que o dia 20 de novembro representa a luta do negro no País

Duas datas são marcantes na história da luta contra a escravidão no Brasil, o 13 de maio, quando a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, e o 20 de novembro, data que marca a morte do líder quilombola Zumbi dos Palmares e que se transformou no dia da Consciência Negra. Mas nos últimos tempos, ativistas celebram e dão mais importância  ao dia 20 por representar a luta do negro.  Nesta segunda-feira (13), a assinatura que colocou, em termos legais, fim à escravidão no Brasil completa 125 anos.

A professora de Filosofia e Ciências Sociais Lucilia Laura Pinheiro Lopes afirma que o 20 de novembro  é  o reconhecimento histórico dessa luta por um sistema livre.

— Têm uma importância muito maior porque mostra toda a luta do povo negro pela liberdade. O dia 13 de maio é conhecido na história como se a princesa tivesse “dado” a liberdade, o que não aconteceu porque a liberdade só veio depois de muitas lutas do povo negro, dos quilombolas e de pressão estrangeira do capitalismo.

Já o diretor executivo da Educafro, Frei Davi Santos, lembra de uma reunião realizada entre setores da comunidade negra, há alguns anos, que estabeleceu a data 20 de novembro como celebração positiva do povo negro no País.

— Já maio seria o mês para denunciar os abusos  contra os negros no Brasil.

Em 1988, houve o processo para valorizar uma data de protagonismo negro. A professora de história da Unesp Lucia Helena Silva conta que, diferentemente de 13 de maio, em que o fim da escravidão traz consigo certo aspecto de “bondade” por parte da princesa Isabel, o 20 de novembro lembra Zumbi dos Palmares e sua luta pela liberdade do povo negro. — Hoje vemos que o processo de libertação não foi só um ato humanitário da princesa, mas o 13 de maio ainda é marcante em diversos grupos atuais. Apesar de garantir a liberdade legal, a história destaca que os negros não receberam estrutura para se tornarem realmente livres, como afirma o professor de História e Geografia do Colégio Anchieta Fernando Santos Martins Portugal. — O 13 de maio foi quando os negros foram libertos da escravidão, mas não economicamente. Eles continuaram a ter uma vida medíocre. Já em novembro, é celebrado mesmo o dia da consciência negra. O coordenador pedagógico do Sistema COC de Ensino, da Pearson, Juliano de Melo Costa, historiador e mestre em Educação Brasileira, diz que movimentos negros da época são geralmente esquecidos pelos livros didáticos. — Apesar de o processo abolicionista ter raízes internacionais, como a pressão inglesa em busca de novos mercados consumidores e a pressão interna em busca de mão de obra assalariada para o plantio do café, afim de exportar o produto, o processo abolicionista remonta às lutas quilombolas e aos movimentos sociais, geralmente esquecidos pelos livros de história do século passado e pelos próprios historiadores. De qualquer forma, os vestibulares estão tentando trazer à luz novas visões historiográficas, que enriquecem o debate acerca da abolição e atualizam a reflexão para melhorar as discussões sobre inclusão social, cotas raciais, e outros temas relevantes.

*Colaborou Jéssica Rodrigues

 

 

Fonte: R7

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