Neste domingo, 8 de março, Dia Internacional da Mulheres, milhares de pessoas sairão às ruas em mobilização pelos direitos e pela vida das mulheres. “É um momento de luta, é um momento de colocar as nossas reivindicações”, diz Sônia Coelho, integrante da Sempreviva Organização Feminista (SOF) e militante da Marcha Mundial das Mulheres.
Para a data, movimentos populares e organizações feministas organizam atos em todas as regiões do país, com o tema “Contra o imperialismo, por democracia, soberania e pelo fim da escala 6×1”. Em alguns lugares, haverá manifestação na segunda-feira (9). Outras mobilizações acontecem no final de semana seguinte.
A redução da jornada de trabalho foi tema presente em cartazes nas mobilizações do ano passado e ganha força neste ano, com a proximidade da votação no Congresso Nacional — que deve ser realizada ainda no primeiro semestre.
“A escala 6×1 atinge diretamente as mulheres, principalmente, as que estão em setores de serviços, que são, muitas vezes, os mal remunerados, sem direitos”, explica Coelho.
Ela lembra que, em muitos casos, além da precarização do serviço e das muitas horas de trabalho, as mulheres fazem jornadas duplas ou triplas porque são elas as principais responsáveis, ainda hoje, pelos afazeres domésticos e pelos cuidados com os familiares.
A luta anti-imperialista também está na pauta das manifestações. São elas, também, as principais vítimas da escalada dos ataques estadunidenses contra outras nações.
“Nossa luta é feminista, internacionalista, antifascista e antirracista. Estamos ao lado das mulheres palestinas, venezuelanas, cubanas e de todos os povos que resistem às ocupações, guerras e conflitos armados”, informa o manifesto deste 8 de março, assinado por sindicatos, organizações e coletivos de todo o Brasil.
Para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a defesa dos direitos e da vida das mulheres é parte inerente da luta pela reforma agrária.
“A gente não pode produzir alimentos saudáveis através de relações doentes”, afirma Lizandra Guedes, da coordenação nacional do Setor de Gênero do MST. O movimento estará nas mobilizações pelas ruas do país.
Guedes lembra que, nos processos de luta pela terra, como nas áreas de avanço do agronegócio, muitas vezes as mulheres são as principais vítimas. No Maranhão, por exemplo, as quebradeiras de coco babaçu sofrem com a pulverização de agrotóxicos que afeta as áreas onde elas realizam a colheita. No Pará, o Movimento de Mulheres Indígenas do Médio-Xingu tomou a frente nas denúncias contra a empresa Belo Sun, cujo projeto de exploração de ouro irá afetar o território onde habitam várias etnias dos povos originários.
“Então, eu acho que, cada vez mais, o movimento compreende que as questões de gênero, e também a pauta da diversidade sexual, do racismo — as mais variadas expressões da opressão — elas não estão desvinculadas [da luta pela terra]”, ressalta Guedes.
Ainda em março, entre os dias 8 a 12, o MST realizará a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra, com o tema “Reforma Agrária Popular: enfrentar as violências, ocupar e organizar!”, com ações em acampamentos e assentamentos em todo país.
Escalada da violência
Desde o fim de 2025, notícias de crimes brutais nos lembram o que os números indicam há anos: o Brasil não é um lugar seguro para as mulheres. Em um dos casos recentes, uma adolescente de 17 anos foi vítima de estupro coletivo.
Os casos ressaltam a importância de, neste dia 8, a população sair às ruas. “A gente já vem no processo de mobilização contra os feminicídios. Nós queremos muito, nesse momento, no 8 de março, denunciar também os transfemicídios”, diz Coelho.
Para ela, a prevenção deve ser o eixo central das políticas pelo direito e pela vida das mulheres. “É preciso atuar com políticas de estado, com políticas intersetoriais, com políticas preventivas, estruturais”, afirma.
Confira os horários e locais das manifestações:
Domingo, 8 de março
Região Norte
Amazonas
Manaus — 15h — Praça da Polícia
Parintins — 16h — Liceu de Artes
Pará
Belém — 9h — Escadinha da Doca
Bragança — 16h — Praça das Bandeiras
Marabá — 8h — Feira da Folha 28
Santarém — 17h — Praça da Matriz
Tocantins
Palmas — 8h — Feira do Aureny
Região Nordeste
Alagoas
Maceió — das 9h às 14h — Praça Sete Coqueiros (Orla)
Bahia
Salvador — 9h — Cristo com caminhada até a Barra
Ceará
Fortaleza — 14h — Rua Dr. Roberto Sales, 44 – Projeto 4 Varas
Maranhão
São Luís — 9h — Largo do Carmo / Centro Histórico
Paraíba
João Pessoa — 15h — Biblioteca Anayde Beiriz
Piauí
Teresina — 8h — Praça Pedro II
Rio Grande do Norte
Natal — 8h — Caju da Redinha
Mossoró — 16h — Praça do Teatro Dix-Huit Rosado
Sergipe
Aracaju — 8h — Feira Livre do Bugio (Bairro Olaria)
Região Centro-Oeste
Distrito Federal
Brasília — 13h — Funarte
Mato Grosso
Cuiabá — 7h30 — Em frente à Feira do CPA II
Região Sudeste
Espírito Santo
Vitória — 8h às 17h — Parque Moscoso
Minas Gerais
Belo Horizonte — 9h — Praça Raul Soares
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro — 10h — Posto 3, Copacabana
São Paulo
Campinas — 9h — Largo do Rosário
São Paulo — 14h — Masp (Av. Paulista)
Região Sul
Paraná
Curitiba — 9h — Praça Santos Andrade
Maringá — 9h — Praça Rocha Pombo
Guaratuba — 14h — Letreiro da Praia
Rio Grande do Sul
Porto Alegre — 9h30 — Praça dos Açorianos / Ponte de Pedra
Caxias do Sul (Serra) – 10h — Rua Augusto Pestana, Largo da Estação Férrea
Imbé (Litoral Norte) – 14h — Praça do Braço Morto
Santa Catarina
Blumenau — 8h — Escadaria da Igreja Matriz
Caçador — 15h — Parque Central
Chapecó — 9h — Praça Coronel Bertaso
Florianópolis — 9h30 — Parque da Luz, Centro
Joinville — 14h30 — Praça da Biblioteca
Segunda-feira, 9 de março
Região Nordeste
Pernambuco
Recife — 15h — Rua da Aurora até o Marco Zero / Praça do Diário
14 de março (sábado)
Região Nordeste
Pernambuco
Caruaru — 8h — Marco Zero
Região Sudeste
São Paulo
Ato Regional ABCDRR — 9h — Praça da Matriz – Diadema