Nós, Negras e Negros somos livres?

Quando paro para pensar em todas as denúncias de racismo que acorreram nos últimos anos, e, a dimensão que as práticas racistas tomaram nas redes sociais, consigo perceber como é ampla e expressiva esta parcela produtora e sustentadora de atos e ações institucionais racistas no Brasil.

Explicitas, reafirmam as mazelas da escravidão e dão sustentação as desigualdades raciais. Revelam-se, sem o menor constrangimento, todos os níveis de desumanização, preconceitos, discriminações, intolerância e de violência.

Em qualquer parte do Brasil, entre quaisquer seguimentos e classe social, existem discípulos do racismo.

Na sociedade brasileira, os negros e as negras sempre foram destituídos(as) do acesso aos bens sociais e fundamentais, forçados a integrar-se no processo de aculturação eurocêntrica, ressaltando o caráter miscigenador: um povo mestiço, misturado, de várias cores e “padrões”. Forçado a atender os sentidos da subserviência. Tolerante a tudo, passivo.

O mito da democracia racial institucionalizado, provavelmente ainda é um dos mais poderosos mecanismos ideológicos de dominação já produzidos no mundo.

A assertiva delatada repetida vezes por militantes dos movimentos negros e mulheres negras, sobre genocídios, desigualdades sociorracial, sempre apontaram para tais “camuflagens” existentes. E sobre as implicações das assimetrias do racismo brasileiro.

Quando estratificamos cor/raça nos índices de desempregos, desigualdades nas relações salariais; condutas institucionais; acesso ao desenvolvimento econômico do país, fortunas e identidade étnica; acesso aos programas sociais e de saneamentos básicos; infraestruturas; acesso aos equipamentos:- da saúde, educação, comunitários, justiça e da política, percebemos o tamanho do fosso e onde estar concentrado o povo negro na pirâmide das desigualdades.

E mesmo com todos os paralelos históricos de resistências manifestados nas batalhas das pessoas negras: fim da escravidão, liberdade, cidadania, identidade étnica racial, valorização e inclusão da mão de obra, combate as todas as formas de violências, resgate da história, reintegração das nossas terras, dentre tantos. Somos alvos diretos das conjunturas políticas em curso no Brasil.

Neste quadro de perdas das poucas e recentes conquistas, as mulheres negras e jovens negros sofrem duplamente com ataques racistas. Muitos invisibilizados e naturalizados nos meios de comunicações.

Várias datas marcam a história de nossa resistência, e abominação ao racismo. Uma delas instituída em 1960, de 21 de março, pela ONU. A razão? Em memória do Massacre de Shaperville, ocorrido na cidade de Joanesburgo, na África do Sul. Onde 20.000 negros que protestavam pacificamente, contra a Lei do Passe, que os obrigava a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles podiam circular. O exército atirou sobre a multidão e o saldo da violência foram 69 mortos e 186 feridos.

Sendo, a instituição da data do 21 de março – Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, tem 63 anos. 135 anos da abolição da escravatura.

Eu digo que desde 1831 o Brasil tem feito vistas grossas as Leis e Tratados que sucedem a promover as reparações. Os padrões civilizatórias não podem ser norteados pelo Estado brasileiro por medidas paliativas.

O caminho para alcançar a liberdade e cidadania para o povo negro é muito longo e inseguro.

Fontes referências: Todamatéria /mundoeducação/Aacademica

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