O ritmo e a ancestralidade afros de Melvin Santhana em “Abre Alas”

Primeiro álbum solo do multiartista independente mistura sonoridade e tradições de matriz africana com afeto e crítica social

Por  Xandra Stefanel Do Redes Brasil Atual

Foto de divulgação

Acaba de chegar às plataformas de streaming o primeiro disco da carreira solo de Melvin Santhana, Abre Alas, um álbum que exala ancestralidade africana tanto nas letras quanto nas músicas. A partir do olhar e da percepção de pessoas periféricas e afrodescendentes, Melvin alterna afetividade e crítica social nas oito faixas da obra que é toda moldada pela herança yorubá-nagô

O disco traz participações de DJ KL Jay, Dani Nega, As Capulanas, Tatiana Nascimento, Biel Lima e Tássia Reis. Ex-vocalista, guitarrista e produtor musical da banda Os Opalas, Melvin Santhana afirma que a principal inspiração para criação do disco foi a observação. “Perceber a urbanidade, os sons, as imagens e como se dão as relações partindo da minha perspectiva como afro-brasileiro me inspirou à criação desse álbum”.

A primeira faixa de Abre Alas é Nascimento, uma espécie de crônica da rotina de alguém que se desloca pelos extremos da cidade de São Paulo. “Longe de qualquer lamento, vitimismo ou fragilidade, Nascimento é um relato de alguém que atravessa os extremos e transita pela cidade enxergando suas nuances. A música foi pautada e construída a partir de dados e pesquisas sobre a falta de estrutura social do país, além de questões raciais, a marginalização de homens e mulheres afro-brasileiros”, pontuou o artista na época do lançamento do vídeoclipe da faixa, feito em dezembro do ano passado.

“Nascimento é uma música que relata de fato a desestrutura social que afeta a comunidade afro-brasileira. As questões que eu percebo enquanto homem negro, enquanto artista negro, atravessando a cidade, visualizando e entendendo as problemáticas da urbanidade. É com esse olhar que perpassam pela faixa questões étnico-raciais, o racismo, o que é ser um cidadão afro-brasileiro e itinerante na cidade de São Paulo, e talvez no mundo. Nela, falo diretamente das pessoas periféricas, residentes das extremidades da cidade e pretas”.

Com 20 anos de carreira, Melvin Santhana é um dos integrantes da banda Boogie Naipe, projeto solo do rapper Mano Brown, além de ter no currículo parcerias com Jair Rodrigues, Tony Tornado, Sandra de Sá, Paula Lima, Wilson Simoninha, Negra Li, entre outros. Ele também é protagonista da série de ficção Axogun, produção da Aurora Filmes em parceria com os diretores Edu Kishimoto e Manuel Moruzzi, que aborda a realidade do país, passando por temas como o racismo, a desigualdade social, questão da moradia urbana e violência policial.

Melvin Santhana afirma que, para ele, é fundamental reverenciar a cultura e história negra: “Desde os primórdios, muitos povos reverenciaram, registraram, enalteceram sua cultura e a propagaram – muitas vezes de forma duvidosa – suas conquistas. O que faço é possibilitar através da música um olhar sobre a herança, cultura e as verdades dos meus ancentrais que 95% dos meios de comunicação não querem relatar sobre outras formas que não as já postas”, declara.

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