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Onze meses após assassinato de Marielle Franco, há mais dúvidas que certezas e muitas perguntas ainda sem resposta

Anistia Internacional afirma que as investigações devem chegar à verdade e identificar corretamente todos os envolvidos no assassinato e cobra das autoridades competentes respostas para inúmeras perguntas feitas em levantamento sobre o histórico do caso, lançado nesta quarta-feira, 13 de fevereiro.

Da Anistia Internacional

Foto:Anistia Internacional

Onze meses depois do assassinato da defensora de direitos humanos e vereadora Marielle Franco, a Anistia Internacional divulga novo levantamento reunindo informações veiculadas publicamente sobre o caso que indicam possíveis incoerências e contradições no decorrer das investigações. O documento intitulado “O labirinto do caso Marielle Franco e as perguntas que as autoridades devem responder”traz ainda uma lista de mais de vinte perguntas sobre pontos críticos que até hoje não foram esclarecidos.

 

“O que já foi revelado publicamente sobre o assassinato de Marielle levanta sérias preocupações da Anistia Internacional em relação a possíveis negligências, interferências indevidas, ou o não seguimento do devido processo legal durante as investigações. As autoridades devem responder às perguntas que agora são feitas sobre pontos críticos do caso. A Anistia Internacional continuará monitorando o caso até que todas as perguntas tenham sido respondidas e o caso, solucionado” afirma Jurema Werneck, Diretora Executiva da Anistia Internacional Brasil.

 

documento foi construído a partir de informações divulgadas por autoridades públicas ou publicamente pela imprensa e traz as informações agrupadas em torno dos seguintes sete temas: disparos e munição, a arma do crime, os carros e aparelhos usados e as câmeras de segurança, procedimentos investigativos, responsabilidade e competência das investigações, acompanhamento externo e andamento das investigações. O documento traz ainda perguntas que as autoridades devem responder sobre cada um dos temas.

“Embora as investigações estejam sob sigilo, o que já foi divulgado publicamente sobre o caso levanta questões sérias sobre possíveis ilegalidades dentro de instituições de segurança no país, já que munições e armas de propriedade do Estado teriam sido desviadas. É de extrema preocupação que um lote de munição da Polícia Federal tenha sido desviado, usado em homicídios, e que depois de tanto tempo as autoridades não tenham dado uma explicação satisfatória” afirma Werneck.

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Entre outros pontos críticos destacados no documento estão a falta de respostas o desligamento das câmeras de segurança do local do crime dias antes do assassinato, o desaparecimento de submetralhadoras do arsenal da Polícia Civil do Rio de Janeiro e negligências no armazenamento do carro. As falas públicas das autoridades sobre o andamento das investigações e estimativa de conclusão do inquérito policial também foram destacadas no documento.

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“Desde que o assassinato de Marielle Franco completou cinco meses ouvimos autoridades dizerem publicamente que as investigações estavam andando e que o caso estava perto de ser concluído. Se até hoje não se sabe quem matou, quem mandou matar Marielle e nem a motivação do crime, em que as autoridades se basearam todos esses meses para afirmarem que as investigações estavam próximas do fim?” destaca Werneck.

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Com o início de nova gestão no Governo Federal, outro tema de preocupação é o seguimento que será dado à investigação da Polícia Federal sobre as investigações da Polícia Civil.

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“Em novembro do ano passado, o então Ministro da Segurança Pública anunciou que a Polícia Federal iria investigar as investigações do assassinato de Marielle Franco diante de denúncias de que haveria um grupo organizado com participação de agentes do estado agindo para interferir negativamente no andamento das investigações. Essa suspeita é grave e precisamos que as novas autoridades federais deem uma resposta à altura e que a gente saiba a conclusão da investigação aberta pela Polícia Federal” afirma Werneck.

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Anistia Internacional tem se posicionado publicamente desde o assassinato de Marielle Franco na noite de 14 de março de 2018 cobrando das autoridades que garantam uma investigação célere, imparcial, independente e exaustiva sobre este crime. Passados onze meses, a Anistia Internacional cobra das autoridades que respondam às inúmeras perguntas feitas sobre pontos críticos do caso e que não podem cair no esquecimento.

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“O que esperamos das autoridades hoje é que impulsionem uma investigação imparcial, independente e exaustiva sobre este crime e que respondam a cada uma dessas perguntas colocadas pela Anistia Internacional. E, acima de tudo, esperamos que as autoridades afirmem seu compromisso de garantir que as investigações cheguem aos verdadeiros responsáveis por esse crime brutal, e que identifique tanto os executores, quando os mandantes e a motivação” conclui Werneck.

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