sábado, janeiro 15, 2022
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PaguFunk, do ‘pancadão’ feminista às ameaças de morte

Elas usam o funk para falar em feminismo, mas letra polêmica gera represálias

“O medo da morte é uma companhia constante”, diz MC Lidi

Do El Pais 

Elas usam o funk como ferramenta para falar sobre feminismo na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, com composições que abordam desde o racismo e a luta pela igualdade de direitos à violência contra as mulheres e a homofobia. Mas foi com uma letra polêmica – em que falam em “cortar a pica” de quem “chega na favela com papo de machista” – que as meninas do PaguFunk sentiram o que é a fúria da internet. O proibidão feminista (que foi pensado como uma paródia de outro funk) acabou viralizando no YouTube, tornando o grupo conhecido na web. O preço da fama foi alto: ameaças de mortes e de estupro, agressões físicas na rua e xingamentos frequentes durante os shows.

“O medo da morte é uma companhia constante”, conta Lidiane Alves de Oliveira, 23 anos, uma das fundadoras do grupo, criado em meados de 2013 e que hoje se define como uma rede colaborativa.

Nascida em Belford Roxo e criada em Duque de Caxias, a MC Lidi, como é conhecida, mora na comunidade Chapéu Mangueira, e teve de passar um mês fora do Estado após ver seu endereço divulgado em blogs que pregavam uma resposta violenta às autoras da música A Missão vai ser cumprida.O funk também não foi bem recebido entre muitas mulheres, que viram na letra sinais de misandria (ódio aos homens) e a consideraram um desserviço à luta feminina pela igualdade de direitos. “A gente tem raiva do machismo, da opressão que a mulher passa, mas não dos homens. Nós temos vários companheiros de luta”, defende-se.

A canção, na realidade, havia sido inspirada nas Justiceiras de Capivari, um grupo de mulheres que, na ausência de policiamento e de uma resposta do Governo do Estado, se armou de facões para defender seus filhos de agressões sexuais, após uma série de estupros e assassinatos de meninas na comunidade da Baixada Fluminense, entre o final dos anos 1990 e início dos anos 2000. Em 2005, a fundadora do movimento, Ildacilde do Padro, ou Dona Ilda, foi assassinada a tiros na porta de sua casa.

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