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Pelo menos sete em cada dez jovens conhecem alguém que sofreu racismo, diz pesquisa

Questionário também mostrou que metade dos jovens entrevistados conhecem vítimas de bullying ou LGBTfobia na escola

por Igor Cavalcante 

Texto: Igor Cavalcante / Arte: Marcelo Justino

Pouco mais de sete em cada dez jovens cearenses que responderam a pesquisa realizada pelo projeto Saia do Muro disseram conhecer alguém vítima de algum tipo de preconceito racial ao longo da vida. Ao todo, 2.180 pessoas participaram do questionário. Dessas, 74% revelaram já terem visto casos ou ouvido relatos do problema. A consulta também revelou que metade dos entrevistados conhecem histórias de abandono escolar após episódios de bullying ou LGBTfobia.

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Os entrevistados ainda responderam quais ações indicariam a governos como prioritárias para resolver ou amenizar esse problema de rejeição a determinados grupos raciais. Para 57% dos 2.003 entrevistados, uma das soluções seria a promoção de rodas de debate. A divulgação da cultura africana e indígena foi a opção escolhida por 20% dos consultados. A lista segue com repressão ao racismo e implementação de cotas raciais.

Sugestões semelhantes apareceram quando o assunto foi combate ao bullying e à LGBTfobia. Das 1.885 pessoas que responderam a pergunta, 46% apontaram a realização de rodas de conversa como uma saída. Para 35%, apoio psicológico às vítimas também é uma alternativa a ser priorizada. A lista segue com repressão a esse tipo de violência. Somente 4% dos participantes disseram não precisar de novas ações.

Trabalho infantil

Texto: Igor Cavalcante / Arte: Marcelo Justino

 

Uma das perguntas da pesquisa quis saber ainda foi a relação entre estudo e trabalho, principalmente na infância. De 1.852 participantes do questionário, 67% disseram conhecer pessoas que deixaram de estudar para trabalhar. Para os entrevistados, assistência social e financeira, além de legislação definindo as atividades permitidas para os jovens são alternativas igualmente importantes. Alguns indicaram ainda a repressão ao trabalho infantil como melhor saída a esse abuso.

Amostra

O questionário foi realizado com pessoal, principalmente, de áreas urbanas dos municípios do interior do Ceará. Os adolescentes e jovens responderam aos questionamentos na plataforma U-Report, dentro do Saia do Muro. A ferramenta é gratuita e usa SMS, Facebook e Twitter para saber a opinião dos jovens e adolescentes. Ao todo, 38.833 jovens estão cadastrados. Desses, cerca de cinco mil estão no Ceará, o Estado mais presente no sistema.

A iniciativa é do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e os respondentes são ligados a projetos parceiros: O POVO Educação, do Instituto Albanisa Sarasate; Eleitor do Futuro, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE); Programa de Educação contra a Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente (Peteca), do Ministério Público do Trabalho no Ceará (MPT-CE); Eu Sou Cidadão, da Associação para o Desenvolvimento dos Municípios do Estado do Ceará (APDM-CE); e Núcleo de Cidadania dos Adolescentes (Nuca), ação do Selo Unicef.

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