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#PrimeiroAssedio e #MeuAmigoSecreto: a primavera feminina (ou feminista!)

Há poucos minutos li em algum lugar que o uso de hashtags como ferramenta de mobilização pública é uma modinha desnecessária. Meu pensamento foi: muita calma nessa hora! De fato, a ferramenta em alguns momentos não retrata a realidade, foi o caso do #SomosTodosMacacos, #SomosTodosTaís e #SomoTodosMaJu, amplamente utilizadas por pessoas que queriam provar seu não-racismo, mas que, no entanto, pouco diz da vida social, rotineira e da estrutura social, aos quais estamos todos submetidos. Aliás, nada foi tão horrendo quanto o reforço do preconceito racial em #SomosTodosMacacos.

Enviado por Pâmela Guimarães da Silva via Guest Post para o Portal Geledés 

Mas não generalizemos. Generalizações são, por natureza, estúpidas, incorrem no erro da PREconcepção. Ou seja, é a base do preconceito.

Os dois movimentos: #primeiroassédio e #meuamigosecreto‬ são maravilhosos. Pela sua necessidade de existência, óbvio, mas como marcas simbólicas da verdadeira primavera feminina (ou feminista, como queiram). Explico: em ambos os casos a ferramenta permite que o relato chegue a mais de um bilhão de usuários dos sites de redes sociais. É um movimento catártico para a vítima e seus algozes. Mais que isso, o movimento proporciona a derrubada dos primeiros (e maiores) obstáculos das vítimas: a vergonha e o silêncio.

Mas chamar de primavera feminina (ou feminista) é um pouco exagerado, não? Não! Só se combate o que existe, e há certo acordo social tácito, por meio do qual invizibiliza-se os assédios e os preconceitos sofridos pelas mulheres. Os relatos surgem, justamente, como uma subversão desse acordo. Ainda que em muitos casos os nomes dos algozes não sejam citados, temos que reconhecer o brilhantismo e o poder hermêutico desses movimentos.

#primeiroassédio e #meuamigosecreto‬  não são apenas relatos, são marcas simbólicas de um movimento de subversão de preconceitos de gênero (e sexualidade). São floradas.

Sobre a Autora

Pâmela Guimarães da Silva: Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Minas Gerais. E-mail: [email protected]

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