Feminicídio: acusado de matar Rosilene na Univasf é condenado a 21 anos de prisão

O julgamento de José Luiz da Silva Irmão foi realizado nessa terça-feira (24) em Petrolina. Mulheres organizadas cobraram justiça e o cumprimento da ‘lei do feminicídio’.

Enviado por James Oliveira da Silva via Guest Post para o Portal Geledés 

Nessa terça-feira (24) foi realizado o julgamento de José Luiz da Silva Irmão, acusado de matar Rosilene do Rio, 32 anos, estudante de enfermagem da Universidade Federal do Vale do São Francisco. Rosilene foi brutalmente assassinada com 40 golpes de faca deferidos por José luiz, ex-companheiro da vítima, no restaurante universitário da Univasf, localizado no Campus Sede, em Petrolina-PE. O crime aconteceu na presença de vários estudantes que tentaram socorrer a estudante que foi levada para o Hospital Universitário, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

O caso teve grande repercussão, mobilizando mulheres de vários núcleos da Marcha Mundial das Mulheres e grupos feministas espalhadas por diversos estados do país, impulsionando a campanha contra o feminicídio. 7 meses depois do assassinato de Rosilene, o julgamento foi realizado e condenou José Luiz a pena de 21 anos e 06 meses de reclusão por homicídio triplamente qualificado. O crime foi qualificado como feminicídio.

O Crime de Feminicídio

Feminicídio significa a perseguição e morte intencional de pessoas do gênero feminino, e é classificado como um crime hediondo no Brasil. Este crime se configura quando é comprovada que a causa do assassinato é sobretudo por questões de gênero, ou seja, quando uma mulher é morta simplesmente por ser mulher. É motivado pelo ódio, pelo desprezo e pelo sentimento de perda da propriedade sobre a mulher em uma sociedade machista, marcada pela desigualdade de gênero. Muitas mulheres sofrem com a violência doméstica, em que os agressores são companheiros e ex-companheiros que se aproveitam do fato de conhecer sua rotina e saber como invadir sua propriedade.

Leia Também: PLP 2.0 – Aplicativo para coibir a violência contra a mulher

Segundo o Mapa da Violência, dos 4.762 homicídios de mulheres registrados em 2013, 2.394, isso é, 50,3% do total foram cometidos por um familiar da vítima. Já 1.583 dessas mulheres foram mortas pelo parceiro ou ex-parceiro, o que representa 33,2% do total de homicídios de mulheres cometidos no ano de 2013.

Para tentar impedir os crimes contra as pessoas do gênero feminino, a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, sancionou a Lei 13.104, em 9 de março de 2015, conhecida como a Lei do Feminicídio. A lei altera o Código Penal (art.121 do Decreto Lei nº 2.848/40), incluindo o feminicídio como uma modalidade de homicídio qualificado, entrando no rol dos crimes hediondos.

A lei estabelece que existem razões de gênero quando o crime envolver violência doméstica e familiar ou menosprezo e discriminação contra a condição de mulher.

A MMM Sertão acompanhou o processo

A Marcha Mundial das Mulheres, organizadas aqui no vale como Núcleo Sertão, em ação conjunta com o Setor de Mulheres do Levante Popular da Juventude do Vale, vem acompanhando esse caso, problematizando a questão da violência contra a mulher em todas suas faces, esteve presente no julgamento. As mulheres se mantiveram reunidas em frente ao fórum de Petrolina, cantando e gritando palavras de ordem, atentas ao processo, cobrando justiça e o cumprimento da lei.

Núcleo-Sertão-Marcha-Mundial-da-Mulheres

Texto de Jaqueline Santos e James Silva
Fotos da MMM Sertão

Publicado originalmente no site de notícias locais, Ponto Crítico – Informação que Empodera (http://pontocritico.org/24/11/2015/feminicidio-acusado-de-matar-rosilene-na-univasf-e-condenado-a-21-anos-de-prisao/)

+ sobre o tema

Mortes de mulheres no Brasil têm raça e classe definidas, dizem pesquisadores

"Violência no Brasil é um fenômeno social articulado a...

Atleticanos e sociedade não podem banalizar o estupro

Um time como o Galo, cujo slogan é "paixão...

Pelo menos sete casos de violência contra mulher são registrados este domingo

Quantidade de ocorrências espantou a PMDF, que lembrou sobre...

Patrícia Mitie, a mais nova vítima de feminicídio no Brasil

Patrícia Mitie Koike, de 20 anos, foi espancada até...

para lembrar

“Um dia vou te matar”: como Roraima se tornou o Estado onde as mulheres mais morrem no Brasil

HRW aponta falha na investigação e arquivamento de denúncias...

Dossiê mulher: maior parte da violência contra a mulher ocorre dentro de casa

Companheiros e ex-companheiros, familiares, amigos, conhecidos ou vizinhos foram...

Erros não, machismo: o caso Laís Andrade

A história é das mais tristes. Uma mulher, Laís Andrade,...
spot_imgspot_img

‘Não’ é ‘Não’, inclusive na igreja

No dia 29 de dezembro, o presidente Lula sancionou a lei do protocolo "Não é Não" (lei 14.786/2023), que combate violência e assédio sexual contra mulheres...

Morte de artista circense Julieta Hernández põe em discussão os direitos da mulher viajante; veja outros casos de violência

O Fantástico deste domingo (14) mostrou como a morte de artista circense Julieta Hernández reacendeu a discussão sobre os direitos da mulher. Jussara Botelho...

DF teve mais feminicídios cometidos com armas legais do que ilegais

Armas de fogo legais são mais usadas em feminicídios do que armas ilegais no Distrito Federal. Os dados, levantados pelo Metrópoles, mostram que o...
-+=