Quarta edição do Novembro Negro discute afirmação de vozes e corpos

Evento, cuja programação é construída coletivamente, impulsiona reflexões sobre as relações raciais em interseção com outras dimensões identitárias

Até 1º de dezembro, a UFMG promove o Novembro Negro, evento que aproveita o mês da consciência negra para promover reflexões sobre racismo, inclusão e pertencimento. Neste ano, com o tema Vozes e corpos que se afirmam, a programação busca dar visibilidade à pluralidade presente na comunidade universitária e possibilitar a afirmação das identidades e das experiências, além de debater as condições de permanência dos estudantes no ensino superior, uma vez que esse aspecto é influenciado por questões étnicas, raciais, de gênero, sexualidade e de deficiência.

Segundo a diretora de Políticas e Ações Afirmativas da Pró-reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) da UFMG, Daniely Fleury, o tema deste ano foi uma construção coletiva. “A proposta era trazer um tema que reafirmasse, no panorama da Universidade, as políticas afirmativas já existentes. O ano de 2021 representa um marco importante para repensarmos as ações afirmativas no Brasil, visto que celebramos 20 anos da 3ª Conferência Mundial contra o Racismo, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em Durban, na África do Sul. Foi a primeira vez que o Brasil pensou em medidas de reparação e superação do racismo”, explica.

A programação do evento, que teve sua primeira edição em 2018, está sendo construída de forma coletiva ao longo do mês. Qualquer pessoa da comunidade acadêmica, seja professor, técnico, aluno ou terceirizado, pode cadastrar atividades no hotsite do evento. Atividades presenciais podem ser sugeridas, desde que seguidos os protocolos de segurança sanitária.

Até o momento, a programação inclui lançamento de livros, oficinas, palestras, rodas de conversa, shows, performances e outras apresentações artísticas, em parceria com a Diretoria de Ação Cultural (DAC). A novidade desta quarta edição é uma mostra de vídeos permanente e virtual, com conteúdos relacionados aos saberes tradicionais. 

Interseção de identidades
“A mostra propicia que sejam ampliadas as vozes de quilombolas e indígenas, que também integram o contexto das ações afirmativas. Quando falamos de vozes e corpos que se afirmam, estamos dando visibilidade à temática racial. Porém, no contexto de vozes presentes na UFMG, ressaltamos a necessidade de interseccionalizar raça, gênero e etnia. A temática racial leva em conta as relações das outras identidades que nos compõem. Eu, por exemplo, sou mulher e negra. Essas duas dimensões da minha identidade atuam juntas”, sugere Fleury.

Para Luiza Datas, estudante de Letras e membro do Coletivo Afronte! e do Movimento Negro da UFMG, o Novembro Negro possibilita que os estudantes reafirmem as suas histórias e ajuda a conquistar mais pessoas para a luta antirracista. “Desde a implementação das políticas de cotas, vemos mais negros ingressarem na UFMG, o que favorece o movimento negro educador, que é importante porque ajuda a Universidade a lidar com esses alunos. Estamos vivendo uma crise social que afeta, em maior número, a população negra. Daí a importância de debatermos, durante todo o mês de novembro, a construção coletiva de uma universidade com práticas antirracistas”, afirma.

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